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Comentários
(03:01 @ 28/05/2007) Renato disse:
O 1º DE MAIO DO MLB EM SÃO PAULO REPORTAGEM SOBRE O 1º DE MAIO OPERÁRIO E LIBERTÁRIO 2007 EM SÃO PAULO Como uma re-afirmação do seu caráter proletário e internacionalista o Movimento Libertário Brasileiro (MLB), em apoio ao chamamento lançado pelo Movimento Pela Reativação da COB/AIT, deu uma demonstração de organização, unidade e luta neste 1º de Maio. O 1º de Maio de luto e de luta do MLB começou na parte da manhã. Enquanto as centrais sindicais institucionalizadas iniciavam seus rituais e festinhas a partir das 10 horas – com missa na Sé, shows financiados pelo Estado e até sorteio de carros e apartamentos – nos bairros e nas regiões mais longínquas realizávamos panfletagens e os mini-comícios denunciando a situação de penúria do trabalhador. Na verdade a orientação dada pela FOSP/COB-AIT para se intensificarem ações regionais já vinham sendo efetivadas desde a semana anterior que se intensificaram a partir da quarta-feira (25/04). Assim é que a região de Osasco, do Alto Tietê e da região central da cidade de São Paulo já vinham sendo atingidas desde então. Mas no dia 1º ações, como a de setores da UMP e a FOSP/COB-AIT na favela de Vila Remo (zona sudoeste), na região de Santo Amaro (zona sul), Parque Edu Chaves (zona norte), etc., iniciaram o 1º de Maio apartidário de São Paulo. A FOSP/COB-AIT convocou uma concentração no antigo Mercado de Escravos de São Paulo, na Ladeira da Memória – região central da cidade (entre a Praça da Bandeira, o metrô Anhangabaú e a Biblioteca Municipal Mario de Andrade) a partir do meio dia – já se sabia que as pessoas chegariam das atividades locais entre 12 e 14 horas. Esse chamamento foi apoiado por diversos setores do MLB (o Coletivo EPP, a UMP, O COLETIVO LIBERTÁRIO (CL), além de diversos grupos punks). Mas também houveram diversas tentativas de sabotar a iniciativa do MLB de se manifestar de forma unificada (convocatórias-fantasma para manifestações em outros locais, além de se convocarem de fato outros eventos –filmes, palestras e debates em locais fechados). Isso tudo para tentar mascarar o fato de que setores que se advogam do anarkismo terem preferido convocar e participar como coadjuvantes (massa de manobra) das manifestações organizadas pelos partidos bolcheviques ou pela Igreja. Devido a esses fatos, que mostram uma luta intestina dentro do movimento social, o relato aqui contido deve ser visto e interpretado. Quando as primeiras pessoas chegavam ao local da Concentração, no antigo Mercado de Escravos, por volta de 12:15 hs já encontraram uma situação crítica: um camarada punk, acabara de sofrer uma violenta e covarde agressão fascista, atacado pelas costas quando se dirigia, e já próximo, à Concentração. Um indivíduo fora identificado e algumas pessoas se apressaram em ir atrás dele. Nesse meio tempo a região já estava coalhada de PMs. A tensão crescia e outros companheiros formavam grupos para localizar o cara. Frente ao risco dos fascistas de fato conseguirem, com essa manobra, desbaratar a manifestação libertária de 1º de Maio – fato que muito os alegraria – foi organizada uma assembléia com as pessoas presentes para decidir o que fazer. Nesse contexto a proposta de se unir a manifestação partidarizada do CONLUTAS/PSTU, da INTERSINDICAL/PSOL e das Pastorais Operárias na Praça da Sé que se discutia de forma a dividir as pessoas, antes de se iniciar a assembléia, nem ao menos foi sustentada por ninguém. Ao fim se decidiu pela antecipação da Passeata, programada para sair entre 13:30 e 14 hs, e por volta de 12:40 hs se seguiu em Passeata até as escadarias do Teatro Municipal, onde promovemos o primeiro ato-comício-panfletagem no centro da cidade. Estávamos então em cerca de 100 pessoas. Ali foram repartidos 2000 cópias do Manifesto Obreiro e Libertário, lançado pela FOSP/COB-AIT, além de outros – lançados por diferentes grupos punk (como o “1º de Maio - Luto e Luta’, lançado pelos punks de Taboão da Serra). Também foi afixado um mural sobre a história do 1º de Maio e sobre os 90 Anos da GREVE GERAL de 1917, bastante concorridos. Palavras-de-ordem e falações contra o desemprego, a repressão, a carestia da vida e em pró da redução da jornada de trabalho, pela liberdade de organização, por aumento de salários, pela revolução agrária, entre outros, deram a tônica desse Ato. As pessoas iam chegando e em paralelo as agitações repassávamos informes sobre a situação geral e mantínhamos o ambiente de assembléia permanente. Por volta de 14:30 hs chega uma passeata que vinha de uma concentração que havia sido chamada para a Avenida Paulista, com cerca de 200 pessoas, que são recebidas aos gritos de PUNK NA RUA A LUTA CONTINUA!, 1º DE MAIO É LUTO É LUTA!, VIVA A ANARKIA! Quando já estávamos sem material para distribuir chega um novo bloco – vindo dos rincões de Santo Amaro – com mais 2000 cópias do Manifesto Obreiro e Libertário da FOSP. A essa altura, contando com a presença de mais de 500 pessoas decidimos sair em Passeata pelas ruas do centro, até as escadarias da Igreja da Sé. A Passeata parte das escadarias do Teato Municipal e entra no Viaduto do Chá puxada por uma enorme faixa negra/vermelha onde se lia: ‘FOSP/COB-AIT NA LUTA!’. Ao passar pela sede da prefeitura palavras-de-ordem contra o prefeito Kassab/Democrata são gritadas com ódio. Atravessamos a Praça do Patriarca e entramos na Rua Direita, chamando os trabalhadores das lojas que estavam funcionando a aderir à luta ‘VOCÊ AÍ PARADO, TAMBÉM É EXPLORADO!’ Policiais de carro e da tropa motorizada acompanham a manifestação, mas não interferem. Invadimos a Praça da Sé aos gritos de “O POVO UNIDO GOVERNA SEM PARTIDO!’ e “CONTRA O DESEMPREGO E A REPRESSÃO!”. Depois de uma rápida para nas escadarias da Catedral prosseguimos a Passeata passando pela Pç. João Mendes, subindo a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio e entrando na Av. Paulista até o MASP – mesmo trajeto que tentamos fazer o ano passado e fomos impedidos por uma mega-operação policial-militar. A passeata, na subida da Brigadeiro, utilizando 2 faixas da pista, ocupava 2 quadras, cantando o refrão da Internacional “BEM UNIDOS FAÇAMOS NESSA HORA FINAL UMA TERRA SEM AMOS A INTERNACIONAL”, assim como palavras-de-ordem contra o desemprego e chamando à luta direta e apartidária. Na Paulista a tônica foi para ‘O POVO ORGANIZADO NÃO PRECISA (ou GOVERNA) SEM ESTADO!’, ‘ABAIXO A REPRESSÃO!’ (devido a um atrito com a PM quando se tentou fechar todas as 4 pistas) e ‘PÃO, FEIJÃO, SAÚDE E AUTO-GESTÃO!’ Ao chegar ao MASP, cerca de 16:30 horas, estendemos as faixas e murais, fizemos um rápido comício e, finalmente, realizamos uma assembléia de balanço e encerramento. Nessa assembléia tomaram a palavra pessoas ligadas ao Movimento Punk e ao Movimento Pela Reativação da COB/AIT. Foram levantados os aspectos importantes ligados ao processo de organização e unificação do movimento libertário – onde se destacou a importância das Jornadas Libertárias de São Paulo (JLP/SP-2007) marcadas para os dias 6,7,8 e 9 de julho – para marcar o período crítico da Greve Geral de 1917- que culminou com o tiro desferido por policiais contra o operário-sapateiro José A. Martinez no dia 9 de julho de 1917. Aspectos ligados as recentes denuncias de grupos ‘punks’ (a gang ‘Devastação’) estar agredindo homossexuais em conjunto com os cabeça-de-ovo skins também foram discutidos se deixando claro que punks não são fascistas ou homofóbicos, bem como que grupos/indivíduos que mantenham essas práticas sejam denunciados como fascistas e não punks. Também foram reafirmados aspectos de segurança, em especial na INTERNET, e se falou da necessidade da constituição de um Comitê de Auto-Defesa Anti-Fascista. Assim como colocações gerais contra os partidos políticos, os sindicatos atrelados ao Estado, a truculência policial, as fronteiras e as bandeiras, etc. Foi dada orientação para que as pessoas se retirassem em conjunto e em grupos. Quando nos retirávamos a PM, que se manteve a frente do MASP até então, entrou na área do vão e deu uma geral em todos que ainda lá se encontravam. Ninguém foi detido até nos retiramos por volta de 18:30 hs, com o MASP já vazio. Além das organizações já citadas (FOSP/COB-AIT, UMP, CL, CEPP, A LANTERNA, Coletivo Semente de Fogo) participaram e apoiaram a manifestação o Coletivo Humanitudes, o Comitê Avante Zapatista e elementos ligados ao Levante Anarquista, ao MAP, ao SP-Punk e diversos outros grupos do movimento punk paulista, além de raulseixistas, desempregados, sem-teto e grupos punks independentes de cidades da Grande São Paulo. Essa manifestação histórica do 1º de Maio de 2007, seguindo os passos do movimento, mostra o nível de unidade, organização e maturidade do MLB e foi uma vitória de todos nós trabalhadores libertários, punks, etc. Colocamos claramente nossa posição de luta sem trégua, sem fronteira e pela revolução social para todos que se dirigiam às missas e festas promovidas pelos sindicatos atrelados ao Estado. VIVA O MLB! VIVA A FOSP/COB-AIT! VIVA O 1ºDE MAIO DE LUTA! LONGA VIDA À AIT-IWA! VIVAS À ANARKIA! "A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores." O COLETIVO LIBERTÁRIO cldvulg1985@yahoo.com.br