Grupos

A vida acontece em grupos.

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18º TRIBUTO A RAUL ROCK SEIXAS

(1945-1989-2006)

“POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR

18ª PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS

à  Este ano é Terça-Feira!

21 de AGOSTO

16 hs – CONCENTRAÇÃO em frente ao Teatro Municipal/Praça Ramos de Azevedo

18 hs – Saída da PASSEATA

19 hs – TRIBUTO c/ som na Praça da Sé

22 hs - Encerramento

 

Numa passeata no centro do Rio de Janeiro em 7 de junho de 1973, um cantor desconhecido saiu com seu violão pelas ruas entoando uma canção-lamento para os pedestres, era o milagre brasileiro em plena ditadura Médici. Dizia que devia estar contente e satisfeito, mas não estava! A música brasileira começava a conhecer aquele que viria a se tornar um de seus maiores poetas, filósofos e mártir: Raul Seixas, o Castro Alves do século XX. Num tempo em que a mínima aglomeração de pessoas era vista como ato de subversão, a performance de Raul Seixas com a sua ‘Ouro de Tolo’ desbancando a classe média foi parar no Jornal Nacional daquela noite, os versos: "Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável e ganho 4 mil cruzeiros por mês...".

Com 10 anos de estrada nas costas surgia o pai do rock tupinikin: o rock brazuka passava a ter postura de movimento e contestação. Com algum atraso, por causa da linha dura imposta pelo AI-5, o brasileiro experimentava as mudanças que no resto do mundo atingiram com o festival de Woodstock, em 1969.  E Raul foi o porta-voz do inconformismo, num momento em que muitos ícones da MPB estavam no exílio.

Assim participou de um Ato em defesa da Anistia, o ‘PANIS ET CIRCENSES’, no Teatro Municipal em 72. Em 74 lança GITA e proclama a Sociedade Alternativa, que lhe valeria a prisão, tortura e exílio nos EUA – onde conheceria John Lennon e discutiriam as suas propostas revolucionárias, o “Novo Aehon” e “Nutopia”.  Volta ao Brasil, depois de receber o disco de ouro por GITA e continua a difundir suas idéias sobre a Sociedade Alternativa em NOVO AEHON (75), HÁ 10.000 ANOS ATRÁS (77), O DIA EM QUE A TERRA PAROU (78), MATA VIRGEM (79), POR QUEM OS SINOS DOBRAM (80) e ABRE-TE SÉSAMO (81). A partir daí passa por diversos problemas de saúde que terminam por abreviar sua profícua vida. Ainda assim se mantém ativo, mesmo marginalizado pela mídia – mas sempre com um público fiel, ganha novo disco de ouro com COWBOY FORA DA LEI, aderindo à campanha pelo voto nulo publicamente, uma música que "O Raul tinha esse refrão na cabeça desde 1973, tanto que originalmente ela se chamava Cowboy 73. Com o passar dos anos, ele mudou para Cowboy Fora da Lei" – como testemunha se amigo pessoal Sylvio Passos. No dia 21 de agosto de 1989 seu corpo é encontrado em seu apartamento na rua Frei Caneca, em São Paulo.  A grande comoção que tomou conta do país testemunhou a sua influência que se manteve perene mesmo 17 anos após sua morte física, atestando que “os homens passam, mas as músicas ficam...”

Em São Paulo os fãs arrebataram seu, corpo se recusando a entregá-lo se não houvesse um ritual semelhante ao feito com o Tancredo Neves. Assim após horas de confrontação - entre os fãs-acastelados no Palácio de Convenções do Anhembi – e a tropa de choque da PM o caixão saiu enrolado em uma bandeira brasileira, levado por um carro do corpo de bombeiros e seguido pela passeata dos fãs que lá permaneceram durante a madrugada: mais de 10.000 pessoas, segundo a PM na época. Em Salvador uma multidão com mais de 30.000 novamente arrebatou o caixão das mãos dos próprios familiares para conduzi-lo coletivamente ao túmulo cantando suas músicas sem parar.

Desde então, sempre na data de sua morte – 21 de agosto – são realizados em todo o país centenas de tributos lembrando Raul e trazendo para o século XXI suas idéias e canções. De todos o que mais se destaca é a PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS, ora em sua 18ª (décima-oitava) edição. Com a participação de raulseixistas de outras cidades e até de outras regiões do país, marcado por uma concentração durante a tarde em frente ao Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo, com a saída da passeata as 18:00 hs em direção a praça da Sé, onde o Tributo prossegue, oficialmente até as 22 hs, mas durante toda a madrugada para milhares de pessoas, cerca de 10.000 nas últimas edições, já no século XXI. Este ano também estamos esperando o lançamento de um filme, em escala comercial, um Documentário sobre a vida do Maluco Beleza – num cinema perto de sua casa – além de DVDs com imagens de arquivo da TV Cultura e da TV Bandeirantes, trazendo uma noval uz sobre o trabalho de Raul para uma grande parcela, que não conhece sua obra, atestar sua atualidade. Não atoa o lema da PASSEATA-HOMENAGEM de 2007 é justamente “POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR” – música de Raul em 1979.

Reunidos e confraternizando em clima de completa paz e harmonia, cantando as canções de Raul coletivamente e discutindo suas propostas e legado, durante mais de 6 horas, demonstramos a presença e vitalidade de Raul Seixas e da Sociedade Alternativa, viva dentro de nós. E é com essa mensagem de otimismo e de revolução do cotidiano que estaremos novamente nas ruas nesse ano de 2.006.

 

                                                                São Paulo, 19 de julho de 2.007.

 

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