18ª PASSEATA HOMENAGEM A RAUL SEIXAS
01:27 @ 19/08/2007
18º TRIBUTO A RAUL ROCK SEIXAS
(1945-1989-2006)
“POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR”
18ª PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS
à Este ano é Terça-Feira!
21 de AGOSTO
16 hs – CONCENTRAÇÃO em frente ao Teatro Municipal/Praça Ramos de Azevedo
18 hs – Saída da PASSEATA
19 hs – TRIBUTO c/ som na Praça da Sé
22 hs - Encerramento
Numa passeata no centro do Rio de Janeiro em 7 de junho de 1973, um cantor desconhecido saiu com seu violão pelas ruas entoando uma canção-lamento para os pedestres, era o milagre brasileiro em plena ditadura Médici. Dizia que devia estar contente e satisfeito, mas não estava! A música brasileira começava a conhecer aquele que viria a se tornar um de seus maiores poetas, filósofos e mártir: Raul Seixas, o Castro Alves do século XX. Num tempo em que a mínima aglomeração de pessoas era vista como ato de subversão, a performance de Raul Seixas com a sua ‘Ouro de Tolo’ desbancando a classe média foi parar no Jornal Nacional daquela noite, os versos: "Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável e ganho 4 mil cruzeiros por mês...".
Com 10 anos de estrada nas costas surgia o pai do rock tupinikin: o rock brazuka passava a ter postura de movimento e contestação. Com algum atraso, por causa da linha dura imposta pelo AI-5, o brasileiro experimentava as mudanças que no resto do mundo atingiram com o festival de Woodstock, em 1969. E Raul foi o porta-voz do inconformismo, num momento em que muitos ícones da MPB estavam no exílio.
Assim participou de um Ato em defesa da Anistia, o ‘PANIS ET CIRCENSES’, no Teatro Municipal em 72. Em 74 lança GITA e proclama a Sociedade Alternativa, que lhe valeria a prisão, tortura e exílio nos EUA – onde conheceria John Lennon e discutiriam as suas propostas revolucionárias, o “Novo Aehon” e “Nutopia”. Volta ao Brasil, depois de receber o disco de ouro por GITA e continua a difundir suas idéias sobre a Sociedade Alternativa em NOVO AEHON (75), HÁ 10.000 ANOS ATRÁS (77), O DIA EM QUE A TERRA PAROU (78), MATA VIRGEM (79), POR QUEM OS SINOS DOBRAM (80) e ABRE-TE SÉSAMO (81). A partir daí passa por diversos problemas de saúde que terminam por abreviar sua profícua vida. Ainda assim se mantém ativo, mesmo marginalizado pela mídia – mas sempre com um público fiel, ganha novo disco de ouro com COWBOY FORA DA LEI, aderindo à campanha pelo voto nulo publicamente, uma música que "O Raul tinha esse refrão na cabeça desde 1973, tanto que originalmente ela se chamava Cowboy 73. Com o passar dos anos, ele mudou para Cowboy Fora da Lei" – como testemunha se amigo pessoal Sylvio Passos. No dia 21 de agosto de 1989 seu corpo é encontrado em seu apartamento na rua Frei Caneca, em São Paulo. A grande comoção que tomou conta do país testemunhou a sua influência que se manteve perene mesmo 17 anos após sua morte física, atestando que “os homens passam, mas as músicas ficam...”
Desde então, sempre na data de sua morte – 21 de agosto – são realizados em todo o país centenas de tributos lembrando Raul e trazendo para o século XXI suas idéias e canções. De todos o que mais se destaca é a PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS, ora em sua 18ª (décima-oitava) edição. Com a participação de raulseixistas de outras cidades e até de outras regiões do país, marcado por uma concentração durante a tarde em frente ao Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo, com a saída da passeata as 18:00 hs em direção a praça da Sé, onde o Tributo prossegue, oficialmente até as 22 hs, mas durante toda a madrugada para milhares de pessoas, cerca de 10.000 nas últimas edições, já no século XXI. Este ano também estamos esperando o lançamento de um filme, em escala comercial, um Documentário sobre a vida do Maluco Beleza – num cinema perto de sua casa – além de DVDs com imagens de arquivo da TV Cultura e da TV Bandeirantes, trazendo uma noval uz sobre o trabalho de Raul para uma grande parcela, que não conhece sua obra, atestar sua atualidade. Não atoa o lema da PASSEATA-HOMENAGEM de 2007 é justamente “POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR” – música de Raul em 1979.
Reunidos e confraternizando em clima de completa paz e harmonia, cantando as canções de Raul coletivamente e discutindo suas propostas e legado, durante mais de 6 horas, demonstramos a presença e vitalidade de Raul Seixas e da Sociedade Alternativa, viva dentro de nós. E é com essa mensagem de otimismo e de revolução do cotidiano que estaremos novamente nas ruas nesse ano de 2.006.
São Paulo, 19 de julho de 2.007.
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