A LUTA ANTIFACISTA
Pelo 8º ano consecutivo, desde o brutal assassinato de Edson Néris em plena luz do dia,
na Praça da República, por um grupo de mais de 15 covardes skinheads, nós libertários vimos
manifestar nossa indignação contra essa barbárie, perpetrada contra um inocente. Como ele
era pobre a mídia e a policia deram pouca atenção, um ano depois novo massacre: 3 adolescentes
são agredidos e mortos por skinheads, em trem para Mogi-das-Cruzes. A justiça libertou os
assassinos confessos de Edson. Eles vem se tornando cada vez mais violentos, tomando o cuidado
de se disfarçar de ‘punks’, para confundir as pessoas. Na verdade punks e anarquistas estão na linha
de frente da luta antifascista e por isso tem sido alvo de agressões e perseguições. O objetivo, ao tentar
nos fazer calar, é manter o status quo da sociedade, com os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada
vez mais miseráveis. É a essência do capitalismo, em todo o mundo.
Não consideramos o fascismo como fenômeno local, deste ou àquele país, mas como manifestação
internacional, sintoma de decomposição do regime capitalista, que, por esse meio, pretende fazer perdurar
o domínio de seus privilégios, esmagando, pela reação feroz, todas as aspirações de bem-estar e de
liberdade do povo trabalhador. Por isso, a luta contra o fascismo é a luta contra o regime capitalista. Não é,
portanto, possível nossa união com os elementos que, embora tenham transitoriamente interesses
diferentes do fascismo, na campanha contra o mesmo pretendam apenas arredá-lo do caminho que
devem percorrer em busca do poder, ou como mera posição eleitoral. Na luta franca, sem tréguas, contra
o fascismo, poderemos nos encontrar lado a lado com outros elementos, sempre, porém, com independência
de ação e não para conservar o regime que deu origem a essa forma de poder e reação, mas para
abatê-lo e favorecer a campanha libertária.
Quando o fascismo surgiu em organizações nacionais, estrangulando as conquistas da luta proletária,
encontrou-nos, trabalhadores organizados em sindicatos revolucionários em plena luta contra os elementos
que lhe deram origem: princípios reacionários, sistemas totalitários e aventureiros em busca de domínio
político. No combate às hordas fascistas não somos combatentes de undécima hora. Decididamente
enfrentando-o desde o início de sua obra vandálica, numa batalha sem trégua, por todos os meios, em
todos os momentos, em toda parte, fornecendo o maior contingente de perseguidos e de vítimas, que
encheram prisões, povoaram campos de concentração e de vidas dos que tombaram nos embates
sangrentos. Assim foi na Itália e na Alemanha, em Portugal, na Espanha, na Argentina, e assim aconteceu
onde o fascismo tenha aparecido. Não podia ser outra a atitude dos libertários do Brasil. Nessa luta
continuamos, sindicalistas revolucionários, denunciando e combatendo todas as manifestações de
caráter fascista.
Quando constituía perigo, quando era crime combater o fascismo, os libertários jamais interromperam a
campanha contra esse elemento liberticida, aqui representado pelo integralismo. Hoje a ‘juventude fascista’,
grupos de skinheads (que se dizem nacionalistas e se chamam: White Power, Hooligans, etc.), tem nos
anarquistas o seu mais decidido inimigo. A luta antifascista vem sendo sustentada por todos os meios,
pelo movimento libertário, sempre vigilante. Por isso, mais uma vez o Movimento Libertário Brasileiro se faz
presente. Os trabalhadores organizados em Sindicatos Livres em relação ao Estado e ao Capital, apartidários
ligados à Associação Internacional dos Trabalhadores, através de sua Seção Brasileira, a COB/AIT, também
se faz presente, para denunciar a barbárie da intolerância racista, sexista e anti-operária do fascismo e seus
defensores.
LUTE CONTRA O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA!
LUTE CONTRA O FASCISMO!
FOSP/COB-ACAT/AIT
"A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores."