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RELATO DO 1º de MAIO OPERÁRIO E LIBERTÁRIO DE SÃO PAULO

Precedido por uma intensa convocatória, com a distribuição de filipetas e mais de 2500 exemplares do “A PLEBE 81-Abril/2014”, mini-comícios e panfletagens, colagem de mais de 1500 cartazes e adesivos, o 1º de Maio de 2014, chamado pelo SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT com o lema “É LUTO, É LUTA! Realizar Assembleias Proletárias decidir GREVE GERAL”, terminou sendo a única manifestação anarquista nas ruas de São Paulo.

Tendo sofrido um intenso combate, com a destruição de cartazes (levada a cabo pela prefeitura, pelos partidos e pelos elementos infiltrados no movimento anarquista – como a OSL e a ACAB, partidos políticos camuflados) -, mantivemos o contato direto com os trabalhadores, nos locais de trabalho e moradia, difundindo nossas propostas.

Após agitos locais pela manhã iniciamos as atividades centralizadas a partir da Concentração no velho Mercado de Escravos de São Paulo, na Ladeira da Memória, no centro da cidade, a partir do meio-dia. Apesar do afluxo de simpatizantes ter sido significativo a falta de estrutura (aparelhagem de som) e da dispersão dos militantes, envolvidos com tensões ligadas a segurança, pelo perigo do ataque dos fascistas skinheads. Ainda assim iniciamos a distribuição do Manifesto de 1º de Maio da FOSP/COB-ACAT/AIT, no A PLEBE 82-Maio/2014 – ler abaixo. A partir das 13:30 hs realizamos uma Caminhada até as escadarias do Teatro Municipal, a cerca de 250 metros. Na caminhada conseguimos manter cerca de 20 pessoas, com faixas e  bandeiras rubro-negras da FOSP e palavras de ordem, sem interromper a panfletagem.

Nas escadarias do Municipal, então com mais de 200 pessoas, intensificamos a panfletagem com discursos mostrando o 1º de Maio como uma data de LUTA E LUTO, que nós não temos motivos para festejar. Nas proximidades várias centrais sindicais oficiais, encabeçadas pela CUT/PT governista, eram o principal alvo de nossas críticas. Existia uma idéia de tentar, a partir da Assembleia que tentamos organizar nas escadarias, de formar um bloco e invadir a festa  petista clamando pela Greve Geral, tentando conferir um caráter de luta. Mas devido a ação organizada de setores ANTIFA, que inicialmente tentaram impor uma passeata até a avenida Paulista – se recusando a assumir a decisão da Assembléia.

Enquanto estávamos nesse impasse uma passeata dos trotskistas do PCO apontou no Viaduto do Chá, criando nova tensão – já que a intensão deles era ocupar as escadarias. Mantivemo-nos nas escadarias entoando nossas palavras de ordem e levantando nossas bandeiras e faixas. Eles tentaram manter a manifestação no local, convidando-os a participar do Ato deles – nos dariam a palavra. Aos gritos de SEM PARTIDO!, POVO UNIDO GOVERNA SEM PARTIDO! e PELO VOTO NULO!, mantivemos firme nossa proposta e postura. Como já tínhamos tido um  grave atrito com a manifestação do PCO em 2008 – quando a PM prendeu mais de 60 militantes anarquistas, tendo sido 6 processados (entre os quais 4 militantes da FOSP) – O PCO terminou se retirando das escadarias. Mas, mau se restabelecia a situação, enquanto tentávamos novamente iniciar a Assembleía, um provocador – que se identificou como skinhead (rash)  – passou a nos atacar diretamente AOS GRITOS, o que termina dispersando a concentração. Inicialmente saíram os ANTIFA (umas 20 pessoas), que levaram consigo o skinhead – que estava com eles.

 
 

Nada disso impedia que continuássemos a distribuir o Manifesto e defender a Greve Geral, com militantes distribuídos pela praça Ramos. Já eram então cerca de 16 hs, e os militantes da FOSP decidiram então fazer por conta própria, em número reduzido, a panfletagem  e a incitação à luta e a Greve Geral diretamente na festa cutista. Já eram quase 17 hs quando o material acabou e nos retiramos sem testemunhar  as vaias dadas pelo público quando os pelegos, dirigentes da CUT e das outras centrais, começaram seus discursos a partir das 18 hs.

Numa rápida avaliação, feita ao final das atividades por parte da Coordenação Estadual da FOSP/COB-AIT, concluímos que, apesar de não termos concluído nosso ato como pretendíamos, e mesmo apesar do baixo número de pessoas que terminaram sustentando a manifestação, a nossa manifestação foi vitoriosa. Vitoriosa por vários motivos: mantivemos a tradição das manifestações anarquistas de 1º de Maio em São Paulo; reafirmamos a proposta anarcosindicalista da FOSP/COB-AIT – como o único setor que luta pela retomada do sindicalismo livre e revolucionário no Brasil e em São Paulo; difundimos nossas propostas de luta e nos delimitamos dos setores reformistas e partidários, desmascarando o sindicalismo como instrumento de controle da burguesia e do Estado; e, principalmente, através da distribuição de mais de 7000 exemplares do A PLEBE 81 e 82, difundimos a proposta de Greve Geral em Junho/2014 e das formas de organização local e nacional de baixo para cima, na construção de uma estrutura que não permita o controle do sindicalismo oficial, e seja o embrião do novo sindicalismo – livre, assembleário e revolucionário.

A LUTA CONTINUA:     30 DE MAIO 2014

CARNAVAL REVOLUCIONÁRIO 200 ANOS DE BAKUNIN

Coordenação Estadual da FOSP/COB-ACAT/AIT

 

 

 

 

 

 

 

                  

MANIFESTO DE 1º DE MAIO 2014

A manifestação do 1 º de Maio teve origem em 1886, quando 340.000 trabalhadores, em Greve Geral "até a conquista" por Melhores Condições de Vida e Trabalho e pela Redução da Jornada de Trabalho para 8 horas diárias, paralisaram os Estados Unidos. Lutava-se também contra o trabalho escravo das crianças e a igualdade de direitos das mulheres.

Trabalhava-se de 14 a 16 horas diárias em condições insalubres. Não existiam garantias sociais, os velhos e doentes morriam as portas das fábricas. O conflito começou na praça Haymarket em Chicago, no 4º dia de paralisação em paz, quando diante uma manifestação de 15 000 pessoas, a polícia foi acionada. Atacou a multidão com armas,  bombas e cassetetes, e o saldo foi de centenas de feridos e mortos. Oito operários, sindicalistas revolucionários, da Federação Americana do Trabalho (AFL), seção local da AIT, falaram a multidão. Com o pretexto de serem anarkistas, foram presos, julgados e condenados. São eles: PARSONS, FISCHER, ENGEL, SPIES (enforcados), e LINGG (enforcado na cela); SHWAB e FIELDEN (prisão perpétua); e NEEBE (15 anos)...


                               

Os trabalhadores desse dia em diante decidiram sair sempre nessa data para lembrar seus mártires e lutar por seus direitos. Vamos nos unir trabalhadores do campo e da cidade, desempregados, estudantes, ambulantes, biscateiros, donas de casa e todos que não concordam com o alto índice de desemprego, carestia da vida, precarização do trabalho, Bancos de Horas, trabalho aos domingos, arrocho salarial, "falência" do sistema de saúde e educacional, ou qualquer forma de exploração.

 

 

                                                                 E HOJE?!?!

A mídia oficial, os governos petistas e tucanos, os sindicatos e as centrais sindicais oficiais falam de ‘Festas’ no dia do Trabalhador. Os políticos profissionais vão usar os palanques para lançar seus candidatos para as eleições... Mas, o que nós, trabalhadores, temos a festejar?!? 

     

Vamos falar sério! Não importa se você é trabalhador braçal, não especializado, profissional técnico ou tenha nível universitário, se você depende de salário ou se está jogado no desemprego, seja no campo ou nas cidades, se você depende do seu trabalho para conseguir a sobrevivência, somos todos irmãos de classe, OPERÁRIOS PRODUTORES DA RIQUEZA SOCIAL. A sociedade se divide claramente, e não por religião, sexo ou cor, mas pelas relações determinadas entre nós e aqueles que são os PROPRIETÁRIOS DOS MEIOS DE PRODUÇÃO, os burgueses donos de latifúndios (terras), de bancos (fundos de capital), de fábricas (máquinas) e que, por isso, detém o controle da informação e o poder político (através dos partidos e do parlamento, legitimados por eleições manipuladas). Assim essa determina uma outra maneira de ver essa divisão: dirigentes e dirigidos, opressores e oprimidos, exploradores e explorados.

 

 

Tendo ou não consciência disso saiba que temos uma longa história de lutas, na defesa de nossa vida, de nossos interesses comuns. A importância do 1º de Maio, como data da luta internacional da classe trabalhadora, foi a afirmação histórica de que a classe operária não se divide entre nações e não reconhece fronteiras. Esse reconhecimento tomado a partir de 1886, teve suas sementes lançadas em 1864, pelos trabalhadores/delegados (franceses, ingleses, belgas e alemães) que fundaram a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-IWA) e lançaram as bandeiras da luta internacional da classe trabalhadora. Entre essas lutas se destacou a LUTA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO, que foi o eixo que uniu os trabalhadores na grande Greve Geral de 1886, na qual pereceram os MÁRTIRES DE CHICAGO, e centenas de trabalhadores em todo o mundo, até que conquistássemos a jornada de 8 horas/dia e os direitos que obrigamos patrões e governos a reconhecer.

 

 

 

 

Mas eles nunca ficaram satisfeitos com isso e sempre tentam descumprir as leis trabalhistas e ainda hoje tentam destruir esses direitos (com seus bancos de horas, terceirizações, precarização do trabalho. aumento de idade para aposentadoria, etc.), assim como comem os salários escorchantes pelo aumento do custo de vida que o governo não vê em suas estatísticas.

 

 

 

 E hoje, mais do que nunca, nossa luta continua, somos cada um e todos nós responsáveis pelo nosso futuro e de nossos filhos. Somos submetidos a condições de vida, transporte, saúde, educação, moradia e de respeito a dignidade – a qual qualquer cidadão deveria ter – aviltantes. Na verdade, atrás de uma película de maquiagem, ainda nos olham de cima e nos tratam como se fossemos escravos. Aos que se revoltam com isso inventam leis e julgam em seus tribunais e condenam, pela televisão, como radicais, bandidos, vândalos e baderneiros e manipulam a opinião pública, buscando nos dividir.

        

Traga seu cartaz, faixa, panela para batucada, avise seus amigos, chame o vizinho, familiares, para protestar contra a exploração e por nossos direitos. Vamos mostrar a eles que não somos mais escravos!

GREVE GERAL ATIVA

- PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 6 HORAS DIÁRIAS, 30 HS SEMANAIS,        

SEMANA INGLESA, SEM REDUÇÃO SALARIAL!

- PELO DIREITO AO TRABALHO! - CONTRA O TRABALHO SEM DIREITOS!

 

 

CARNAVAL REVOLUCIONÁRIO PELO NASCIMENTO DE BAKUNIN

DIA 31 DE MAIO - SÁBADO - 10:OO HS

PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

PELA GREVE GERAL ATIVA!

 

 

A SOLIDARIEDADE É UMA ARMA QUENTE!

O POVO ORGANIZADO GOVERNA SEM ESTADO!