Grupos

 

A PLEBE nº54/Maio 2008 A.C.A.T. - A.I.T.-I.W.A.
Órgão de Divulgação do SINDIVÁRIOS/Federação Operária de São Paulo
(FOSP/COB - Fundada em 1905 )
SEM ESTADO, SEM PARTIDO, SEM PATRÃO!
@ Ligada a Associação Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.-I.W.A.)
*Caixa Postal: 1933/CEP: 01009-972/São Paulo-SP*(fospcobait@yahoo.co.uk)
@ 40 ANOS DA MORTE DE EDGARD LEUENROTH
@** 40 ANOS DO ASSASSINATO DE EDSON LUÍS **@
@ 40 ANOS DO MAIO DE 68

PREPARANDO O XXIV CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES [AIT-IWA]
(Rio Grande do Sul-Brasil- Dezembro de 2008)

Filha dileta da Era das Revoluções do século XIX, resultado direto de uma reunião de trabalhadores na Inglaterra em 1864, estava lançada a semente da grande Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-IWA). Apenas 7 anos após ela já protagonizava na França, com a Comuna de Paris de 1871, o primeiro grande ensaio de uma revolução social apartidária dentro dos lemas centrais da AIT: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores!” e “Deveres Iguais, Direitos Iguais!” Após a derrota da Comuna a AIT foi perseguida em toda Europa, mesmo por que não parava de atuar: em 1873, insurreição espanhola, com a participação da Federação ligada a AIT; 1875, insurreição e Comuna de Lyon, exige a anistia aos comunardos presos, proscritos e exilados; em 1876 são reconhecidas a Seção Mexicana (primeira do Continente Americano) e a Seção Eslava. Cai na completa clandestinidade após isso. Mas nessas sombras esteve presente na grande Greve Geral pelas 8 horas de trabalho de 1886, em Chicago/U$A, que deu origem as grandes Jornadas de 1º de Maio – como dias de luta internacionalista pela Redução da Jornada de Trabalho. (A própria bandeira de luta “8 hs de trabalho, 8 de descanso, 8 de estudo!” foi uma das decisões do Congresso de Fundação da AIT!!!) Depois esteve na origem do sindicalismo revolucionário, em todo o mundo. Exemplo disso é que a referência para a formalização do sindicalismo revolucionário é considerada o Congresso de Amiens, que fundada a CGT-francesa, em 1906, mesmo ano da fundacão da COB, no Brasil!!!

Existem documentos que mostram que a COB participou de atividades ligadas a AIT na clandestinidade ainda em 1910, quando seus estatutos foram considerados os mais avançados do mundo! Em 1915 foi responsável pela realização da Conferência Internacional Pela Paz, em São Paulo, a cargo da FOSP/COB. Em 1929, na clandestinidade forçada pelas ditaduras da república velha na década de 20, ainda assim participou do Congresso de fundação da Associação Continental Americana dos Trabalhadores (ACAT), proposta pelos revolucionários mexicanos aos trabalhadores de todo o continente em 1910.

Em pleno século XXI, pela primeira vez em seus 144 anos de lutas revolucionárias, em todo o mundo, a AIT-IWA irá realizar seu primeiro Congresso no Brasil, a cargo da Seção Brasileira da AIT, a COB/AIT, a se realizar em dezembro de 2008. Em função disso aumentamos a dinâmica de nossas discussões, visando a boa preparação para o XXIV Congresso da AIT-IWA*. Por isso acabamos de realizar uma rodada de Plenárias do Movimento Pela Reativação da COB/AIT, abrindo as discussões nos núcleos do movimento, a se fechar – com a discussão de todas as Seções de todo o mundo – na segunda rodada de Plenos – a ser realizada no final de JUNHO de 2008*.

FORGS/COB-ACAT/AIT (cobforgs@yahoo.com.br)

FOSP - Federação Operária de São Paulo.
E-mail: fospcobait@yahoo.co.uk
http://fospcob.blogspot.com/
Filiada a:
COB - Confederação Operária Brasileira.
E-mail: cobforgs@yahoo.com.br
http://osyndicalista.blogspot.com/
http://cob-ait.revolt.org/

ACAT - Associação Continental Americana dos Trabalhadores.
AIT - Associação Internacional dos Trabalhadores.

Movimento Pela Reativação da COB/ACAT/AIT-IWA
 

MANIFESTO EM REPÚDIO À VIOLÊNCIA POLICIAL

CONTRA TRABALHADORES LIBERTÁRIOS NO 1º DE MAIO EM SÃO PAULO

 

Todos souberam! Na quinta-feira, 1º de Maio desse ano, Dia Mundial de Luta do Trabalhador, para lembrar os Mártires de Chicago, várias manifestações ocorreram em toda a cidade. São Paulo já convivia com essas manifestações há anos! Para algumas, ligadas as Centrais Sindicais Oficiais, os holofotes se acendiam, mas para as manifestações espontâneas e de grupos independentes a mídia se calou. Entre outras isso aconteceria também com a Manifestação chamada pela Federação Operária de São Paulo, a Confederação Operária Brasileira e a Associação Internacional dos Trabalhadores (FOSP/COB-AIT). Mas a própria truculência policial corrigiria essa omissão da imprensa. Algumas emissoras de rádio falaram do fato enquanto ocorria. Nos noticiários noturnos, em todas as emissoras, se divulgava: manifestantes entram em choque com a PM, mais de 50 detidos! No dia seguinte todos os jornais estampavam a notícia: PROTESTOS VIOLENTOS, CONFRONTO COM A PM, MAIS DE 50 DETIDOS, PUNKS EM CONFRONTO COM A PM, 14 MENORES DETIDOS, 5 MANIFESTANTES PROCESSADOS – ENTRE ELES 2 MEMBROS DA COORDENAÇÃO ESTADUAL DA FOSP/COB-ACAT/AIT. Na maioria nas colunas policiais, tratando o fato como briga de gangs, assunto de polícia – como têm tratado a questão social.

 

O que poucos souberam é que a Manifestação chamada pela FOSP/COB-ACAT/AIT,  e que se tornou a manifestação do movimento libertário de São Paulo, é uma das genuínas tradições de São Paulo! A Desse ano começou nos bairros da periferia desde as 8 da manhã, com mini-comícios e panfletagens. De que a Manifestação se iniciou no centro da cidade a partir de uma Concentração na Ladeira da Memória/Rua Xavier de Toledo a partir das 11:00 hs, depois se dirigiu até as escadarias do Teatro Municipal, onde ficou realizando Comício e panfletagens até as 14:00 hs, quando saiu em Passeata, em direção a Praça da Sé, cruzando com a Passeata da CONLUTAS e da INTERSINDICAL na Praça do Patriarca, sem que houvesse atritos. Prosseguindo a Passeata até a Praça da Sé, onde realizou Comício e panfletagens até as 16:00 hs. Decidimos então retornar até a Praça da República, para onde seguiu em Passeata. Até então a Policia Militar (PM) acompanhava todas as movimentações, mas não houve atritos que justificasse qualquer ação da PM – o próprio comando da PM atesta isso, após acompanhar a manifestação por mais de 4 horas!

 

Ao chegar no Viaduto do Chá, seguindo rumo a Praça da República, a passeata da FOSP cruzou com a passeata promovida pelo PCO e pelas Liga Operária e dos Camponeses Pobres, que seguia na mesma direção. Como a passeata da FOSP e do movimento libertário eram apartidárias, resolveram não seguir junto, para não haver confusão entre as duas manifestações. Durante a passagem da passeata do PCO/LO os manifestantes ligados a FOSP ficaram concentrados em frente a sede da Prefeitura. Houve uma discussão entre os manifestantes e troca de palavras-de-ordem, denunciando a ação dos partidos políticos no movimento social. A PM manteve um cordão separando os manifestantes de ambas manifestações, mas houve até certa confraternização. Após a passagem da passeata do PCO/LO a PM manteve um cordão de isolamento, não permitindo que os manifestantes libertários atravessassem o Viaduto do Chá, nem mesmo pela calçada! Numa tentativa de resolver o impasse os manifestantes libertários mudaram os planos e decidiram pegar um pequeno trecho da Rua Libero Badaró, descer a R. do Ouvidor e atravessar a Passarela sobre a Pça das Bandeiras, encerrando a Manifestação na Ladeira da Memória.

 

Porem mal a Passeata, então com cerca de 200 pessoas, percorre 100 metros a ROCAM (Tropa Motorizada) ataca por trás e pelos flancos – inclusive subindo pelas calçadas e atropelando pessoas que passavam na rua. Em segundos, bombas de gás e uma violência selvagem dispersa os manifestantes. Meia hora depois a PM perseguia manifestantes na região da Praça da Sé, Praça do Patriarca e Praça das Bandeiras – num raio de 300 metros. Como saldo dezenas de feridos, mais de 60 pessoas detidas e humilhadas e, se sabe agora, são 18 os processados por ter tido a audácia de ir às ruas se manifestar contra a exploração e o desemprego, que assolam o lar do trabalhador.

 

Não podemos permitir que, em pleno século XXI, os protestos sociais sejam tratados como caso de policia!  As pesoas tiveram seus direiots básicos desrespeitados, espancadas, torturadas psicologicamente e ameaçadas por PMs que se indentificavam como skinheads. A manifestação foi falsamente configurada como conflito de gangs, deturpando seu objetivo. Somos trabalhadores, não bandidos! Exigimos nossos direitos. Temos o direito assegurado, pelas próprias leis do Estado, a manifestação e a livre expressão do pensamento. Se houveram excessos foram os da PM. Nenhum manifestante agrediu ou destruiu qualquer coisa, ou que merecesse uma intervenção da força policial.

 

- CONTRA A REPRESSÃO POLICIAL A MANIFESTAÇÃO DE 1º DE MAIO DA FOSP/COB-ACAT/AIT!

- PELO IMEDIATO ARQUIVAMENTO DO PROCESSO!

- PELA DEVOLUÇÃO DE TODAS AS FAIXAS, BANDEIRAS E MATERIAIS IRREGULARMENTE APREENDIDOS!

- PELA IMEDIATA ABSOVIÇÃO DE TODOS OS PROCESSADOS NESSE CASO!

- PELA LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO, MANIFESTAÇÃO E EXPRESSÃO!

 

Comitê de Solidariedade e Auto-Defesa Anti-Fascista/FOSP

Um dos PMs que se declararam skinhead acompanha parte dos                  detidos até a Delegacia.

MEMÓRIA PROLETÁRIA

AIT-IWA
Faz 85 anos:

O CONGRESSO FUNDACIONAL DA IWMA É INTERROMPIDO DUAS VEZES POR INVASÕES DA POLÍCIA

 

Quando a Internacional sindicalista IWMA (hoje IWA-AIT) celebrou seu Congresso fundacional, na passagem dos anos 1922 a 1923, o fez sob um pano de fundo de grandes convulsões. A Primeira Guerra Mundial havia terminado poucos anos antes, uma Guerra que foi seguida de imediato pela disseminação dos movimentos revolucionários em uma série de países, estabelecendo tendências duradouras no desenvolvimento do mundo.

 

Durante a Guerra a internacional social-democrata colapsou e seus partidos afiliados deixaram o internacionalismo de lado. Sob a liderança de seu presidente belga, Emile Vandervelde, deram apoio ativo à Guerra, cada partido defendendo seu próprio país. O sindicato internacional reformista entrou em falência pouco após, mais ou menos ao mesmo tempo.

 

Após o final da Guerra, começaram as tentativas de reconstruir as organizações internacionais. A internacional comunista foi organizada em um Congresso em Moscou, em 1919, como continuação da chamada ‘internacional de Zimmerwald’, que havia sido estabelecida durante a Guerra. O sindicato internacional foi restabelecido no mesmo ano, num Congresso em Viena, com o austríaco Friedrich Adler como promotor. Esta organização se fundiu com a internacional social-democrata em 1923.

 

Por iniciativa comunista, o Congresso de Moscou de 1921 fundou o chamado Sindicato Internacional Vermelho. Esta organização fez grandes esforços para atrair membros sindicalistas, porém as organizações sindicalistas a rechaçaram, ao no querer se fechar em um sindicato internacional conduzido por um movimento político, uma organização política, no caso os comunistas.

 

Durante os dias 25 de dezembro de 1922 a 2 de janeiro de 1923, delegados de dez países, representantes de cerca de dois milhões e meio de trabalhadores organizados, celebraram um Congresso em Berlim. Foi neste congresso onde se fundou a Internacional Sindicalista IWMA.

 

O Congresso não pode, é claro, trabalhar sem distúrbios. Todo cuidado era pouco, por que alguns dos delegados tinham que chegar até o local do Congresso de forma ilegal, sem o conhecimento da polícia. No primeiro dia o Congresso teve lugar em um edifício na periferia de Berlim. O plano era continuar o Congresso, no dia seguinte, em outro local, porém a política estava cercando e já na pista dos delegados – que tiveram de receber uma mensagem secreta para reunir-se em um terceiro lugar, em Nieder-Schonweide, em outra região de Berlim. Os trabalhos se iniciaram e prosseguiram até a tarde, num momento em que a policia entrou repentinamente no edifício e quis ver os papéis de identidade de todos os delegados. Os companheiros alemães protestaram fortemente e exigiram que a polícia mostrasse os documentos e as ordens, que permitiam aquela atuação. Como não tinham nenhuma autorização judicial, conseguiram a que a tropa se retirasse, deixando alguns soldados na porta do prédio, enquanto providenciavam os documentos. Os delegados do Congresso então, forçaram a saída do prédio, empurraram e derrubaram os soldados e sumiram.

 

O Congresso se reuniu de novo no dia seguinte, desta vez perto de Alexanderplatz, no centro de Berlim, , não longe dos quartéis da polícia. Neste edifício o Congresso procedeu, sem interrupção, durante várias jornadas. Porém um dia, antes do meio-dia, houve um novo ataque policial. O edifício inteiro estava rodeado de policiais com rifles, revólveres e granadas em seus cinturões. Entraram pela força na sala de reunião, onde os delegados levantaram grande alvoroço e protestaram fortemente. Um delegado sem papéis saltou por uma janela mas foi derrubado por um policial e preso na rua. Um delegado polonês, que também não tinha papéis, resistiu à policia e foi posto fora de combate. Uma delegada francesa se lançou então atingindo com um murro no rosto de um oficial da polícia.  Foi arrastada e transladada, juntamente com outros companheiros, para a prisão de Moabit. Todos e cada u dos delegados foram minuciosamente registrados e fichados. Entre os delegados se encontrava Emil Manus, que representava a Dinamarca e Noruega, e Edvind Lindstam e Frans Severin, que representavam a SAC. Também estiveram presentes outros 2 membros da SAC, não como delegados, senão como membros individuais, passando por Berlim em viagem para Paris. Mais tarde se tornaram conhecidos escritores, Eyvind Jonson e Victor Vinde, o último vários anos depois se tornou no editor do ‘Stockholmstindnigen’.

 

Depois de tudo isso a polícia deixou em paz a reunião e o Congresso continuou. Tendo sido formalmente fundada a “Associação Internacional dos Homens Trabalhadores – IWMA, na sigla inglesa – (desde 1974, Associação Internacional dos Trabalhadores-International Worker’s Association – AIT-IWA), a Internacional Sindicalista continuou funcionando durante a Segunda Guerra Mundial, quando as outras internacionais voltaram a colapsar, e, hoje em dia continua com sua atividade.

 

John Andersson

De “Solidaritet” Agosto-Setembro 1959

* Nota de esclarecimento sobre o nome IWA-AIT (NSF-AIT)
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"A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios tabalhadores!"

FOSP - Federação Operária de São Paulo
E-mail: fospcobait@yahoo.co.uk
http://fospcob.blogspot.com/
Filiada a:
COB - Confederação Operária Brasileira

E-mail: cobforgs@yahoo.com.br
http://osyndicalista.blogspot.com/
http://cob-ait.revolt.org/

ACAT - Associação Continental Americana dos Trabalhadores.
AIT-IWA - Associação Internacional dos Trabalhadores.

Movimento Pela Reativação da COB/AIT - 22 anos de luta autônoma!             (1986-2008)
http://www.grupos.com.br/blog/sindicalista.2001/