MANIFESTO DE 1º DE MAIO DA FOSP/COB-ACAT/AIT
18:27 @ 30/04/2010
1º DE MAIO: 124 ANOS DE LUTA POR LIBERDADE E PÃO
Chegamos a mais um 1º de Maio, desfigurado pelas centrais sindicais oficiais pelegas. Infelizmente esse dia histórico, que nos traz a memória os trabalhadores mortos por lutar pela Redução da Jornada de Trabalho, por direitos e dignidade para o trabalhador e Contra a Carestia da Vida, tentam reduzir a festas e discursos oficiais para lançar candidaturas do circo eleitoral. As festas, pagas com o dinheiro do Imposto Sindical e do Fundo de Amparo ao Trabalhador, querem colocar a classe trabalhadora massificada em um dia de festas e sorteios, enquanto para trabalhadores lançam as migalhas das riquezas que nós mesmos produzimos. Mas 1 de Maio não é dia de festa, é dia de luta e de luto!
O 1º de Maio, como Dia de Luta dos Trabalhadores, tem sua origem na luta pela Redução da Jornada de Trabalho para 8 hs/dia. Para o dia 1º de Maio de 1886 os trabalhadores de Chicago chamaram uma Greve Geral pelas 8 horas - na época a Jornada de Trabalho era de 15 horas diárias para homens, mulheres e crianças – sem assistência médica, aposentadoria, enfim: nenhum direito. A repressão patronal apela ao Estado que reprime violentamente uma manifestação operárias na Praça Haymarket, levando a um enfrentamento entre os trabalhadores e a policia e a morte de mais de 100 trabalhadores. Nove operários são responsabilizados pela polícia e condenados a morte, sem provas, sendo até hoje conhecidos como os “Mártires de Chicago”. Assim estamos nas ruas para a 124ª Jornada de Protestos Proletários no 1º de Maio Contra o Arrocho Salarial, o Desemprego e Pela Redução da Jornada de Trabalho sem redução salarial e por uma sociedade socialista libertária.
Hoje a situação não se apresenta tão diferente: apesar da Jornada legal ser de 8 horas/dia, ainda não conquistamos a semana inglesa e a Jornada semanla oficial é de 44 horas. Mas sabemos que isso é nominal já que nem no trabalho os chefes obedecem os horários dos operários, pois, devido ao arrocho salarial e a alta do custo de vida , o trabalhador tem que fazer extra, pegar bicos e até a ter 2 empregos, o que leva sua Jornada diária a 10-16 horas dia. Da mesma forma o Estado e a patronal tudo fazem para impedir a livre organização dos trabalhadores. No Brasil a COB não é reconhecida pelo Estado, e os seus sindicatos livres não encontram respaldo nas leis de excessão criados pela ditadura de Getúlio Vargas (1930-1937-1946). No mundo a situação se repete de forma dramática.
Recentemente a AIT-IWA, organização internacional a qual a COB está ligada, tão perseguida desde sua refundação, em 1922-1923, foram dados dois novos golpes que visam inviabilizá-la num momento de crise econômica para a classe trabalhadora no qual uma feramenta de luta a nível internacional torna-se mais perigosa do que nunca para a burguesia. Já em setembro de 2009, seis trabalhadores foram presos, em Belgrado/Sérvia, pelo Poder Judiciário Sérvio sob acusações de terrorismo internacional, apesar da falta de prova legal para comprovar a denúncia. Como nos tempos da Inquisição, as provas se iam fabricando a partir da prisão, violando o princípio da presunção de inocência. A afiliação desses trabalhadores ao movimento libertário, especialmente de 5 deles afiliados ao sindicato ’Iniciativa Anarco-Sindicalista’ (ASI), por sua vez ligada a AIT, levou a mídia e os relatórios da polícia a apresentá-los como uma verdadeira praga, apresentando-os como criminosos suspeitos meses antes de se abrir o processo. Depois, em 11 de dezembro de 2009 um Tribunal do Estado alemão proibiu o Sindicato Livre dos Trabalhadores (FAU, em sua sigla alemã) em Berlim, também ligado a AIT, para não continuar seu trabalho sindical e a chamar sua organização de ‘sindicato’. Esta decisão, tomada sem revisão oral e pelas costas do sindicato em questão e, posteriormente, confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Berlim, tem a ver com as medidas legais tomadas pelo ‘Babylon Cinemas Berlim’ depois que seus trabalhadores se organizarem e aderirem a FAU/AIT e ao iniciar-se uma mobilização bem sucedida do sindicato em favor de um acordo coletivo.
Dois casos aparentemente diferentes, mas, como dizemos, têm em comum a adoção de medidas preventivas contra a introdução da união que se encarna na AIT: o anarco-sindicalismo, um sindicalismo de caráter assembleário, horizontal, federalista e autogestionario, além de internacionalista, dentro do qual los trabalhadores recorremos ao apoio-mútuo e a ação direta para defendermo-nos das agressões da classe dominante e para ir construindo uma sociedade igualitária. Estamos conscientes de que as democracias de mercado só permitem a liberdade e o direito no âmbito do intercâmbio de mercadorias.
Não podemos deixar que nos classifiquem como meras mercadorias ou eleitores, pois seres humanos é o que somos! Nossa dignidade exige mais: direito a vida (habitação, saúde, educação, trabalho) e direito a liberdade de ir e vir e se auto-organizar para lutar pelos nossos interesses econômicos imediatos e por uma sociedade socialista autogerida.
- VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS NO PODER!
(Contra a exploração capitalista se una a FOSP/COB-AIT: Organize-se e lute!)
- CONTRA O DESEMPREGO: REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 6 Hs/DIA, 30 Hs Semanais, SEM REDUÇÃO SALARIAL!
- PELO DIREITO AO TRABALHO: REFORMA URBANA E AGRÁRIA RADICAL E IMEDIATA!
- CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA QUESTÃO SOCIAL: LIBERDADE PARA OS SEM-TERRA CLAUDEMIR E CÍCERO!
- VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!
- VIVA O 1º DE MAIO DE LUTA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO!
- VIDA LONGA À COB-AIT!
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