Transformando Estratégia em Execução
11:52 @ 22/03/2008
Já são bastante conhecidas pela
sociedade as pesquisas do SEBRAE que demonstram que 50% das pequenas empresas
iniciadas no Brasil quebram nos dois primeiros anos de vida, e 70% fecham as
portas em até cinco anos. Temos muitas causas para esse fato, como o
desconhecimento do mercado por parte dos empresários, falta de capital de giro,
carga tributária, concorrência acirrada dentre outros motivos. No entanto,
muitas empresas também sobrevivem e nas últimas décadas, no Brasil,
organizações empresariais cresceram, tornaram-se grandes, e deram muitos
frutos, conquistando mercados, fidelizando clientes e tornando seus produtos e
serviços diferenciados e inovadores.
O planejamento estratégico é uma
das grandes bases das empresas que sobrevivem e alcançam o sucesso em qualquer
lugar do mundo. Na gestão moderna, é preciso necessariamente que os líderes
estejam sempre pensando estrategicamente, definindo seus planos de negócios,
suas estratégias para todas as áreas da empresa e para a organização como um
todo. As perguntas básicas devem ser: onde queremos estar no futuro e como
trabalharemos para chegar lá? Qual a nossa proposição de valor para o cliente?
Quais os possíveis cenários para os próximos meses, para os próximos anos? Quem
são os nossos concorrentes? Quais as pessoas que nós precisamos? Como devemos
executar a estratégia?
Dessa maneira, o objetivo básico
da estratégia é ganhar a preferência dos clientes e criar uma vantagem
competitiva sustentável, gerando lucro suficiente para os acionistas e para o
desenvolvimento contínuo da organização. Define uma direção para o negócio e o
posiciona para seguir nessa direção (Bossidy e Charan, 2004). É nesse momento
que a empresa busca compreender realmente o seu negócio, e definir como ela
oferecerá com lucratividade valor superior sustentável aos seus clientes.
A pesquisa com as pequenas e
médias empresas que mais crescem no Brasil realizada pela Deloitte e a Revista
Exame também indica a importância do planejamento para o crescimento e sucesso
empresarial. A maioria das empresas que participou da pesquisa possui um plano
formal de negócios – 60% delas – porém esse índice sobe para 71% quando
consideramos as organizações que registraram uma expansão de mais de 100% nos
últimos anos (2003-2005), dentro do grupo das 100 empresas que mais cresceram
no país.
No entanto, o processo não deverá
parar por ai. Além de definir uma direção para a organização, precisamos ter em
mente a prática da disciplina da execução,
com a realização do planejamento enfocando os “comos” da execução da
estratégia, ou seja, focando a execução dos planos propostos, acompanhando de
perto as ações dos grupos de trabalho e os resultados que surgem. O alinhamento
da estratégia com todas as pessoas que colaboram com a organização, é
fundamental para a realização de uma execução bem feita.
A cultura de execução é a base dos
modernos modelos de gestão empresarial. Ela tem a finalidade de interligar os
três processos-chave de uma organização, que são o processo da estratégia, de
pessoas e operações. A essência do funcionamento de um negócio é a forma como
são interligados os três processos e os líderes precisam dominar completamente
os processos individuais e a maneira como eles funcionam como um todo.
Como enfatizam Bossidy e Charan no
livro Execução, os líderes das empresas de sucesso precisam colocar em prática
a disciplina da execução, o que significa estar envolvidos intimamente nos três
processos-chave e, consequentemente, ter o conhecimento aprofundado do negócio
da empresa. De acordo com o professor de
gestão da London Business School, Patrick Barwise, “não existem empresas de
fato bem-sucedidas que não sejam muito boas na execução, e nós acreditamos que
esse aspecto quase sempre é mais determinante do que a estratégia (Barwise,
2006)”.
A execução é um processo
sistemático de discussão exaustiva de como colocar em prática as estratégias da
organização, questionando e levando adiante o que foi decidido e assegurando
que as pessoas terão sua responsabilidade específica pela execução. Isso inclui
elaborar hipóteses sobre o ambiente de negócios, avaliar as habilidades da
empresa, ligar estratégia a operações e às pessoas que irão implementá-la,
sincronizando essas pessoas e suas várias disciplinas e atrelando incentivos à
resultados. É uma forma de expor a realidade e agir sobre ela (Bossidy &
Charan, 2004). Dessa maneira, os líderes que praticam a cultura da execução
conseguem colocar em prática – executar – todos os planos propostos para a
empresa, fazendo com que a estratégia da organização possa ser cumprida,
gerando, consequentemente, os resultados esperados.
E na sua empresa? As pessoas estão transformando estratégia em execução? Os líderes estão literalmente colocando a “mão na massa”? O que está faltando?
José Guilherme Said