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A cura ainda está distante, mas os portadores de psoríase já dispõem de uma nova geração de medicamentos e de aparelhos de radiação ultravioleta que prolongam a remissão da doença de pele que atinge de 2% a 3% da população mundial e pode estar associada à artrite. Câmaras e pistolas de raios ultravioleta-B (UVB) e remédios biológicos, que atuam no sistema imunológico, estão ajudando pessoas como o microempresário Luiz Carlos Cortez, de 45 anos, que luta para conter a descamação que atinge todo o corpo.
“Há um ano apareceram as primeiras lesões e a coceira. De repente, eu estava tomado por bolhas e escamas. Passei a mandar um funcionário me representar nas minhas reuniões de negócio. Por onde andava, o chão ficava cheio de casquinhas. Sentia muita vergonha”, diz ele, que há dois meses faz duas sessões semanais de 15 minutos de banho de luz UVB narrow band (faixa de freqüência estreita) e, em breve, poderá tratar lesões localizadas, como as do cotovelo, com uma ponteira.
Segundo a dermatologista Paula Bellotti, o tratamento é indicado a pacientes com intolerância à substância psoraleno, usada no tratamento com UVA (Puva), método consagrado.
“A radiação é emitida com freqüência baixa e picos de 318 nanômetros”, diz a médica, enfatizando que há efeitos colaterais. “Como qualquer fototerapia, estamos atentos ao risco de câncer de pele, sobretudo em pessoas de pele clara. A exposição ao sol também deve ser analisada. O uso de óculos de proteção é obrigatório. A ponteira representa um avanço porque não é preciso expor o corpo todo ao UVB.”
O dermatologista Absalom Filgueira, coordenador do programa de pós-graduação em dermatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ -, explica que o método induz a apoptose, uma espécie de suicídio das células que atuam na inflamação.
“A adesão ao narrow band é maior porque não há associação com medicação oral. No caso do Puva, o paciente tem de se expor à radiação num período determinado após usar o medicamento. Isso engessa o tratamento”, diz o professor, explicando que a irradiação corporal tem a vantagem de atingir todas as células inflamatórias.
Segundo o dermatologista rio-pretense João Roberto Antônio, dois novos medicamentos tópicos, o calcipotrieno (análogo da vitamina D) e o tazaroteno (retinóide) têm demonstrado eficácia em pacientes com psoríase leve ou moderada.
Ele diz que os tratamentos mais comuns são feitos à base de medicamentos de uso local, fototerapia e de uso sistêmico. Pacientes com doença em graus leve ou moderado são tratados com remédios de uso local. Os mais usados são os glicocorticóides, o coaltar e a antralina. “Os queratolíticos podem ser indicados para ajudar a remover placas e melhorar a absorção dos corticóides ou do alcatrão”, informa o médico.
Mas, de acordo com ele, há alguns obstáculos como perda de eficácia e efeitos colaterais, que limitam o uso de corticóides tópicos a longo prazo. “O uso das alternativas, alcatrões tópicos e antralina, pode ser limitado por desconforto do paciente, inconveniência e falta de eficácia”, explica.
Outra opção, adotada por 20% dos portadores de psoríase, é a fototerapia ou terapêutica sistêmica para casos em que a doença não é controlada pelos medicamentos tópicos. Segundo o médico, a fototerapia é feita com a exposição à luz ultravioleta (UVB ou UVA) isolada ou combinada com um fármaco tópico ou psoraleno (PUVA).
Os fármacos sistêmicos usados em psoríase disseminada ou grave são o metotrexato e etretinato. “O metotrexato é eficaz na psoríase em virtude de seus efeitos antiinflamatório e antimicótico. E necessário controle hepático para evitar efeitos colaterais sérios do metotrexato como a depressão da medula óssea e a hepatotoxicidade”, detalha Antonio.
Já o etretinato promove a diferenciação dos queratinócitos e pode modular a resposta inflamatória na psoríase. Os efeitos colaterais sérios do etretinato, como teratogenicidade, hepatotoxicidade e calcificação de tendões e ligamentos extraespinhais limitam o uso da droga a casos de psoríase grave recalcitrante. Corticosteróides sistêmicos e sulfassalazina não são indicados em psoríase grave, mas têm sido utilizados em raros casos.

Doença requer controle permanente

A fidelidade ao procedimento adotado contra a psoríase, aliás, é fundamental. Por terem uma doença crônica, os psoriáticos não podem desistir na primeira tentativa, afirma o dermatologista Celso Sodré, um dos coordenadores do curso de atualização em psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
“E como se tivessem diabetes ou hipertensão. O controle é permanente e um rodízio de tratamentos pode evitar efeitos colaterais.”
Enquanto a primeira geração de drogas contra a psoríase - corticóide, coaltar, metrotexato, entre outros - atua no controle dos sintomas, os medicamentos biológicos agem na fase inicial da doença, impedindo a transmissão das mensagens químicas que desencadeiam a escamação da pele. Diferentemente das substâncias convencionais cuja eficiência é suspensa com a interrupção do uso, os medicamentos biológicos propõem a ausência de sintomas sem o emprego das substâncias por até um ano.
Indicadas para casos moderados e graves ou de intolerância aos medicamentos tradicionais, drogas como infliximab, alefacept, efalizumab e etanercept - nem todas disponíveis ainda no Brasil - são ministradas de três maneiras: infusão intravenosa, injeção intravenosa ou injeção subcutânea. Nesse último caso, o uso é igual ao da insulina: o paciente usa uma pistola para aplicar o medicamento em casa. (AG)

Os tratamentos

Remissivos
As fototerapias Puva e UVB narrow band impedem o aparecimento das lesões por períodos de seis a 12 meses após três a quatro sessões semanais. No primeiro caso, é preciso tomar uma dose de psoraleno duas horas antes de se submeter à radiação. Os efeitos colaterais são ressecamento da pele, pigmentação, fotoenvelhecimento e risco de câncer de pele em indivíduos propensos.

Biológicos
Infliximab, efalizumab, alefacept e etanercept são as opções mais recentes. São usados por via subcutânea ou venosa.
Oferecem risco de infecções, cefaléia, náusea e até de exacerbação da psoríase.

Supressivos
Foram as primeiras armas contra a psoríase. São tópicas, orais ou injetáveis, como corticóide, coaltar, metotrexato, ciclosporina, acitetrina e mofetilmicofenol. Só fazem efeito enquanto são usadas. Podem causar anemia, doenças de fígado e gastrintestinais, má formação de fetos. Segundo o dermatologista Mark Lebwohl, a associação de acitretina com fototerapia tem boa eficácia. Outra opção é combinar o calcipotriol e o dipropionato de betametasona.

A doença

Características
A psoríase é uma doença inflamatória auto-imune caracterizada pela multiplicação acelerada dos queratinócitos, as células da pele, que chegam à superfície ainda imaturas. Ela causa eritemas, descamação, e em alguns casos, coceira. Não é contagiosa. O diagnóstico é feito por exame clínico, mas o rnédico pode solicitar biópsia.

Incidência
Estima-se que 2% a 3% da população mundial tenham psoríase. Atinge adultos, principalmente entre 30 e 50 anos. Embora raro, crianças podem sofrer. Pode ser localizada em mãos, pés, cotovelos e couro cabeludo. Casos graves atacam todo o corpo e as articulações.

Causas
Sabe-se que a psoríase é agravada pelo estresse e por fatores genéticos, porém ainda não se conhece o elemento desencadeador (antígeno). O pesquisador Absalom Filgueira investiga a relação da doença com bactérias como estreptococos e estafilococos.

Drogas previnem artrite psoriática

O dermatologista Absalom Filgueira explica que os imunomoduladores atuam em diferentes componentes biológicos da doença.
Há os que bloqueiam a ativação do linfócito T (célula de defesa), os que impedem a apresentação do antígeno (agente externo) aos linfócitos ativados e os que modificam as respostas inflamatórias, agindo nas citocinas (substâncias produzidas em resposta). O especialista acrescenta que, por atuarem no sistema imunológico, esses remédios apresentam efeitos colaterais associados à dificuldade de defesa de infecções, como a tuberculose: “E preciso aguardar algum tempo para termos segurança absoluta sobre novas drogas.”
Segundo a médica Christiane Pedreira, do laboratório Serono, dono da patente do efalizumab, que cria uma barreira entre a célula T e a molécula de adesão intracelular, 13 estudos clínicos mostraram que pacientes que usaram o remédio por três anos não desenvolveram doenças malignas ou infecções oportunistas. A substância, já liberada nos Estados Unidos e na Suíça, aguarda o aval do Ministério da Saúde.
Presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro e professora da Uerj, Sueli Carneiro afirma que tanto o sistema UVB narrow band quanto os medicamentos biológicos atuam de alguma maneira no tratamento da artrite psoriática, um desdobramento da psoríase que 20% a 40% dos pacientes apresentam em algum momento da vida.
“O UVB não é o tratamento de escolha para pacientes com artrite, mas a queixa articular diminui quando doentes com lesões na pele são submetidos à radiação. Por outro lado, alguns medicamentos biológicos desenvolvidos para o trato das juntas têm eficácia dermatológica. São sintomas diferentes da mesma doença”, explica a reumatologista. (AG)

 

Fonte: Jornal Diário da Região - São José do Rio Preto-SP, 10/10/2004
Data de publicação: 19/10/2004

 

Comentários

(13:26 @ 23/10/2007) tiago disse:
É um tratamento mental que liberta posoríase experimentem. vejam este site: http://novastecnicasterapeuticas.blog.co.uk/ http://www.blog.co.uk/admin/b2browse.php?blog=472301 tiago

(14:25 @ 08/11/2010) Anônimo disse:
tewnho psoriase ha mais de 45 anos e não consegui durante esse tempo neum um produto que melhorasse. tenho muita coceira principalmente nas pernas, nadegas, cabeça e nas costas. O que fazer para aliviar ou amenizar essa doença?

(21:35 @ 15/09/2012) fabinhu disse:
estou tomando injeção de cortisona , ajudou mto