Grupos

A vida acontece em grupos.

Nossa adorável professora de Dramaturgia, a sempre disponível e sorridente Lucinha (apesar de preferir que a chamemos de Lucia, o carinhosos diminutivo não pode faltar, ao nos referirmos a ela!) nos escreveu essas linhas fabulosas:

        Escrever sobre a montagem de Woyzeck a que assisti no Teatro Ruth Escobar é ao mesmo tempo desafiador e prazeroso.         

O prazer vem da possibilidade de falar do lirismo em cena, tarefa tão difícil, pois sempre trata-se de Teatro, de ação dramática, e o lirismo vem da terra da poesia, da palavra buscada e escrita, mesmo em sua forma oral, é palavra ainda. Para a cena a palavra é mais um instrumento do ator, tal qual seu corpo, sua emoção.Mas nesta montagem tudo se fundiu completamente!

       Quanto mais delicada e cuidadosa era a estética do espetáculo, mais a cena se impunha lírica e contundente. Um grupo de jovens atores que entusiasmaram-se ao entender o mais profundamente possível o olhar de Buchner a seu tempo, conseguiram trazer para a vida de hoje, na caótica cidade em que vivemos esta ingenuidade escolhida do jovem Woyzeck.
 
      O espetáculo transcorre sem que nada interrompa um delicado e ao mesmo tempo vigoroso pacto estabelecido pelo elenco com a platéia: vamos nos permitir a sensibilidade melhor do - humano- não importa o tempo nem o lugar real em que tudo se dá, importa o como os humanos poderiam viver, vibrar, etc. Todos os personagens, por mais diferentes que sejam seus objetivos, suas condições sociais, seus dramas específicos, etc, estavam protegidos por uma forte carga lírica de envolvente expressão.
 
      Quando você se dá conta tudo já foi dito, e tudo já aconteceu, assim como uma poesia dita com a segurança de quem sabe até onde o lírico pode chegar, inclusive no Teatro. E tudo foi conduzido por Woyzeck, o mais puro, o mais perdido, o mais subversivo de todos, quase que uma anti-luz que quanto mais sombria, mais contagia a todos com a iluminação diáfona e penetrante ao mesmo tempo.
 
    Este era o desafio; tentar, apenas tentar, expressar o que é a experiência de assistir a essa singela e poderosa montagem dos - mais que justamente auto denominados Woyzeckianos!
Eles realmente mergulharam.
 
 
De novo parabéns,
abraços da Lucia Capuani.