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Ensaio sobre a Atemporalidade

13:44 @ 25/04/2008

Eis que publico o texto de desabafo da Leyde, de gaito vai uma das belíssimas imagens que ela mandou:

Comfort, Eduard Munch, o pai expressionista de todos nós.

 

Caros Woyzechianos, algo me perturba, rsrs...

Tentarei em breves linhas passar um geral do motivo dessa perturbação, não tenho um poder de síntese tão bom quanto nossa querida Jack, e inclusive inicio a discussão pelo texto escrito pela própria, aliás, um ótimo texto como já foi dito, mas o mais interessante do texto é o levantamento que ele faz e que inclusive hoje passamos um pouco por cima e não nos aprofundamos tanto na discussão dos fatos que ele levanta, como por exemplo como transpor para o espetáculo toda nossa vivencia de conversas e estudos sobre o texto, como transmitir para o espectador tudo que sentimos, discutimos e pensamos a respeito do texto, hoje (sou extremista, saibam interpretar) inclusive de minha parte, senti que ao “materializar” as cenas estamos partindo exatamente para o caminho que Jack e acho que todos nós tememos, não me parece tão homogênea a “concretização” de Woyzeck(o texto) enquanto cenas, como é claro e bem definido Woyzeck enquanto discussão de mesa e entendimento. Entendam, não estou julgando as cenas, até mesmo porque estamos construindo-as ainda.. E é também nesse ponto que quero chegar:

Da construção dos personagens:

Chegamos ao consenso de que nosso Woyzeck  é atemporal. Mas essa afirmação hoje me parece vaga, pois visto  que o texto e a reflexão que ele levanta é atemporal hoje me parece até obvio, mas encarar todo o universo que estamos criando (enquanto contexto histórico, localização, enfim, como costumo dizer: hora, local e razão) como atemporal, ao invés de nos oferecer possibilidades criadoras, ao contrário, nos limita. Como construir um personagem (interior e exteriormente) que seja atemporal, tudo bem, a essência de determinadas “personas” pode ser atemporal (ex: Woyzeck pode possuir a mesma “essência” de um trabalhador de campo), mas Woyzeck é um soldado, tem modo de falar, de vestir, de andar, diferente do trabalhador rural, e acho que isso tem que ser levado em conta.

Quando penso em objetos para levar por exemplo, me pergunto se levo um espelho quebrado em que Marie se olha, ou Marie se olha apenas no reflexo da água? Woyzeck barbeia o capitão com navalha ou com um “prestobarba sensor plus gel”, rs (exagerei)?

É nesse sentido que acredito que a palavra atemporal precisa ser discutida.

É chegado momento de agilizarmos figurino, cenário, e precisamos pensar, que roupa essas pessoas usam? Que época? Como são as casas? A Rua? Chegamos ao consenso de “um lugar em ruínas”, terra e etc, mas porque, que lugar é esse? Porque está em ruínas? É o Largo São Francisco com seus mendigos durante à noite, é uma cidade com poucos recursos por descaso e “esquecimento” como vemos no nordeste por exemplo, é uma cidade que sofreu as conseqüências e privações do pós-guerra? Que lugar é esse?

Enfim, estou levantando a questão para ser discutida, contestada, derrubada, mas que não seja ignorada.

                                                                      ***

(e agora Josés?)

Comentários

(11:04 @ 06/05/2008) Pequena disse:
Jczinhaaa a dos bonecos lindosssss, aiai adoro