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De: "Gerhard Erich Boehme" <ger...@boehme.com.br>
Assunto: Princípio da Subsidiariedade e a Campanha da Fraternidade de 201 0 - Conflito ou alinhamento?
Data: Thu, 26 Nov 2009 21:15:10 -0200


 

 

O Princípio da subsidiariedade


Gerhard Erich Boehme
boe...@folha.com.br
boe...@globo.com

 

 

O Princípio da Subsidiariedade, exigido pelos Reformadores e mais recentemente reconhecido e resgatado nos ensinos da Igreja Católica busca a valorização da sociedade e tem como pressupostos a liberdade, a iniciativa e a responsabilidade dos indivíduos e dos grupos no exercício de seus direitos e obrigações e fundamentalmente do ser e agir como cristãos. Obviamente que este principio conflita com a "Teologia da Libertação", posta em prática pela CNBB, que supervaloriza a teoria da vitimização e muitas vezes endossada por entidades ecumênicas, como poderá ser o caso da Campanha da Fraternidade de 2010. O Princípio da Subsidiariedade tenta estabelecer uma relação equilibrada entre o poder público (o Estado) e os cidadãos, visando ao atendimento das demandas sociais de modo mais eficiente, observando sempre os valores e vontades da sociedade e antes de tudo do indivíduo e sua interação com os demais, que na atividade econômica encontra espaço de forma eficaz, eficiente e ética através do mercado, mas como é realizada pelas pessoas, também incorrendo em erros.

 

A função do Estado é servir ao povo, servir à sociedade dos homens. Servir significa sustentar, valorizar e tornar cada vez mais equilibrada a realidade do povo, não retirando dela sua autonomia, mas sim realizando aquilo que as Províncias, Cidades, Comunidades, Famílias e finalmente o indivíduo pode fazer ou não é desejável que o faça. Na sociedade, as pessoas se organizam em grupos e movimentos dentro de um contexto de comunhão e afinidades, para responder às necessidades profundas e às exigências originárias de cada pessoa. Esses grupos e movimentos são o fenômeno que se costuma chamar "associações comunitárias ou intermediárias". Preferimos o termo intermediária, devido ao mau uso do termo comunitário efetuado nos últimos dois séculos.

 

As associações intermediárias vivem diretamente a experiência da solidariedade e do bem comum e criam iniciativas e obras para responder às suas necessidades. Tais iniciativas são fundamentais para manter vivo o dinamismo social, uma vez que o movimento que as gera está ligado às circunstâncias concretas da vida e, portanto, estará sempre aberto à reformulação, mudando, corrigindo e renovando a forma de sua resposta.

 

 

Desconhecido da maioria dos brasileiros ou propositadamente ignorado por aqueles que desejam transferir responsabilidades, seja por incompetência ou má fé, em especial ao Estado, por aqueles que o julgam com capacidade para solucionar a maioria dos problemas que afligem os brasileiros.

 

O princípio de subsidiariedade é um princípio fundamental da filosofia social, senão um dos mais importantes, segundo o qual toda a atividade deve ter por objetivo ajudar a favorecer a autonomia e realização responsável dos indivíduos. E isso nos faz lembrar do conflito entre gerações, muito bem lembrado por Raul Seixas, em sua canção “Sapato 36â€.

 

Eu particularmente divido os jovens, que se sucedem ao longo do tempo, nas novas gerações, e confesso,  dividir  não é uma boa prática, pois nos limita a uma dicotomia, quando na realidade temos um gradiente e algo dinâmico. Mas ao menos vale como exemplo.

 

Temos os jovens formando dois grupos, nem sempre distintos, um busca a autonomia, deseja realizar, formado por jovens que aspiram ser empreendedores, valorizam a criatividade, a inovação, o talento e fundamentalmente o estudo e o trabalho, reconhecem como fundamental o mérito. São jovens que reconhecem nos mais velhos a sabedoria e no continuum do aprender uma das razões para se viver.

 

São jovens que não querem ser dependentes, principalmente de outros, querem a liberdade, até mesmo de uma entidade virtual que é o Estado, a qual tem somente a capacidade de promover, e o faz de forma ineficaz e ineficiente, a transferência de responsabilidades.

 

São jovens que reconhecem que não é legítimo e muito menos lícito fazer uso do que foi conquistado por outros, outros que não seus pais, avós, etc., pois sabem que um dos papeis que deverão desempenhar está também relacionado com o legado que deixarão, incluindo a herança. São jovens que rejeitam  o materialismo e o consumismo, a ganância e a avareza, o mercantilismo religioso e a idolatria do dinheiro, a falta de consciência ambiental. São jovens que servem de exemplo à sociedade na sua forma de agir.

São confiantes em si. Sabem da importância de se realizar como pessoas, na família, na sociedade e no trabalho. Sabem da importância de uma maternidade ou paternidade responsável. Sabem a importância da responsabilidade individual, sabem a importância da conquista através do mérito.

 

"Quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos: transferência ou redistribuição de renda." (Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.)

 

São jovens que sabem e reconhecem suas responsabilidades. São jovens que sabem desenvolver o seu potencial, assim como são inconformados com suas limitações, buscam superá-las. São jovens que sabem que a liberdade é fundamental, com limites e que a interação das pessoas apresenta falhas, pois o homem e a mulher são falhos, mas que entendem que devem privilegiar a livre iniciativa, pois a livre iniciativa é a iniciativa espontânea, autônoma e, portanto, isenta de coerção ou de restrição, a não ser as da moral, dos bons costumes e das leis compatíveis com seus três atributos fundamentais: universalidade, abstração e prospecção. É a atividade econômica típica de uma economia de mercado e, portanto, se encarrega da solução de todos os problemas econômicos que não envolvam bens públicos, externalidades e monopólios técnicos.

 

Em outro grupo encontramos jovens que se revoltam com a injustiça que é o nosso mundo, com a qual nenhuma pessoa munida de uma consciência crítica pode concordar ou aceitar. São jovens que se indignam com exernalidades negativas como a baixa escolaridade e a falta de saúde.

 

Mas o grande problema neste segundo grupo, quando se afasta do primeiro grupo, não assumindo responsabilidades, é o de se julgar possuidor da razão e endossar ideologias e "teologias"  que pregam como solução dos problemas uma maior presença do Estado ou falsas esperanças. Optam pela via mais facial, fogem da responsabilidade. São jovens que buscam transferir responsabilidades.

 

Na sua maioria apóiam e se encantam com as chamadas "teologias" ou ideologias de esquerda, buscam ressuscitá-las admirando Marx, Che, Fidel, Boff, Frei Betto, Emir Sader, Hugo Chávez, usw.. são jovens que envelheceram antes de aceitarem os desafios de sua geração, são jovens que se encantam com ideologias, e mesmo teologias, que possuem um espectro que vai do comunismo, passa pelo internacional e nacional-socialismo (nazismo ou fascismo), e alcançam àqueles que se denominam social-democratas, numa alusão a serem assim democratas, como se a democracia não fosse almejada por todos, obviamente que não aqueles que defendem políticas que venham a privilegiar a oclocracia, a qual se alimenta dos chamados movimentos sociais, na realidade movimentos antissociais e servem de campo para a demagogia, paternalismo, populismo e clientelismo político, com seu capitalismo de comparsas e agora com se socialismo de privilegiados.

 

Muitas vezes também apoiam outras ideologias ou propostas que de uma maneira ou outra, pautadas por cientistas sociais ou até mesmo teólogos, “pregam†maior presença do Estado na solução dos problemas. São orientados com base na cobiça, na falta de despreendimento para darem exemplo e não apenas exigirem que os outros, mas não eles, lutem contra o materialismo e o consumismo, a ganância e a avareza, o mercantilismo religioso e a idolatria do dinheiro, ou a falta de consicência ambiental.  Protestam, levantam bandeiras vermelhas, mas não dão exemplo, não servem de referencial. São jovens que citam, gritam, protestam contra o mercado, como se o mercado pudesse ser um peso  em nossas vidas. Desconsideram que o mercado somos nós, os cidadãos, no nosso exercício diário da liberdade de poder adquirir este ou aquele produto ou serviço, em nos esforçarmos, sem proteção indevida para prestar nele nosso trabalho, colocar nossos produtos ou serviços.

 

São joven que desconsideram o mérito e que quanto menos liberdade econômica, temos menos mercado livre, menos concorrência, temos também menos eficiência e menos eficácia. Tornam a atividade econômica pesada ou inviável aos que trabalham, empreendem, inovam, criam, pesquisam, estudam, usw.. Criam, sustentam ou fazem vistas grossas ao que, repito, chamamos de capitalismo de comparsas ou o socialismo de privilegiados, o clientelismo político.

 

Não reconhecem sua insignificância, mas agem neste sentido. Buscam a contramão ou nos impõe a lombada, pois entre a causa e o efeito, acreditam que devem atuar no efeito e isto seja suficiente. São jovens que sem conhecer, por conta de uma doutrinação, já aprenderam a ofender pessoas como Roberto de Oliveira Campos, um dos poucos brasileiros que soube defender como ninguém a liberdade e a responsabilidade, principalmente a responsabilidade fiscal, denunciando economistas, que Kanitz definu como economistas governamentais.

 

Acesse: http://www.kanitz.com.br/veja/faltam_engenheiros_governo.asp

 

 

"Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado." (Roberto de Oliveira Campos) 

 

Entenda melhor: http://www.youtube.com/watch?v=SYgGZ_4riOc&feature=related

 

São jovens que se limitam, buscam alternativas para transferir responsabilidades, sempre com propostas afastadas do princípio da subsidiariedade.

Sempre com propostas afastadas do princípio da subsidiariedade. São jovens sonhadores, mas que endossam o pesadelo.

 

A questão é que quando entendemos e respeitamos este princípio, passamos a entender que antes de tudo é fundamental não aceitar a injustiça, como quando alguém ou um grupo de pessoas tem por objetivo subtrair do indivíduo o que ele pode realizar a partir de sua própria iniciativa e capacidade, para o confiar a uma outra pessoa ou a um grupo. Começa na família quando os pais impedem que seus filhos tenham a autonomia com responsabilidade, ou criam situações para limitar o seu desenvolvimento e sua independência.

Assim também é injusto conferir a autoridade e responsabilidade para a municipalidade, quando uma comunidade ou freguesia pode realizar e decidir por si.

 

O mesmo vale quando passamos para uma província ou estado o que poderia ser realizado e decidido com autonomia pelos burgos ou pela municipalidade. Ou quando transferimos o poder a um reino ou país quando seus desígnios são próprios das províncias ou estados.

 

É uma injustiça, um grave dano e perturbação da boa ordem social. O resultado é a centralização, e assim jovens e velhos, ou jovens já velhos, superados pela falta de desafios ou vontade para superá-los, passam a dar credibilidade a falsos líderes, “salvadores da pátriaâ€.

 

O fim natural da sociedade e da sua ação é subsidiar os seus membros, não destruí-los nem absorvê-los através de políticas demagógicas e paternalistas, ou mesmo teologias pautadas pela desresponsabilização ou atribuindo ao Estado deveres e direitos que cabem ao indivíduo e à sociedade de forma livre empreender. E muito menos subjugá-los como o fazem os regimes submetidos às ideologias de esquerda, direita e os totalitários.  E muito menos dar ao cidadão total liberdade como pregam os anarquistas, que não se submetem ao poder da lei, do Estado de Direito, aos princípios democráticos e até mesmo a responsabilidade social e fundamentalmente a individual.

 

A ordem social será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este fato e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação, de forma que seja eficaz e produtiva.

 

Se observarmos atentamente a história da humanidade, sempre onde o interesse individual foi violentamente suprimido, acabou sendo substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade.

 

E esse é o retrato atual do Brasil, da América Latina, com seu domínio, subjugando países a uma doutrina que nos é exótica, ou ditames de um Foro San Pablo que nos retira a autonomia e liberdade. Mas não deve ser, pois o brasileiro possui uma herança de conquistas e glórias, de integração, quando o mundo ainda não o era. Foi uma monarquia constitucional quando no velho mundo ainda havia monarquias absolutistas. Um país marcado por injustiças, tal qual muitos outros, mas não criador de injustiças. Assim foi com as monarquias absolutistas, assim foi com os países que se submeteram ao socialismo, seja ele o internacional ou o nacional-socialismo, ao comunismo, ou mesmo a regimes totalitários, muitas vezes denominados erroneamente de direita.

 

Se olharmos estes dois grupos, que servem hoje de opção aos jovens, os quais felizmente possuem sobreposições, vemos como fundamental primeiro acreditar em si, desenvolver o seu potencial. É a forma inteligente de mudar o mundo, começando ao que está ao nosso alcance e não transferindo poder a políticos ou líderes demagogos, paternalistas, populistas ou clientelistas, estes caracterizados pelo seu capitalismo de comparsas ou socialismo de privilegiados. Estes preocupados em formar uma base para a oclocracia e não para a democracia, que inclui a alternância do poder. Já o disse o Dr. Martin Luther, no início da Reforma, e o mesmo foi dito por Karol Józef Wojtyła - Johannes Paulus II, que foi por nós conhecido como Papa João Paulo II.

 

Dr. Martin Luther mencionou que o exemplo do cristão deve começar por ele mesmo, colocando os assuntos terrenos em primeiro plano sob sua responsabilidade, depois da família e saber viver em comunidade. Lançou o desafio que hoje é próprio dos luteranos: Cada cristão deve viver sua comunidade, em cada comunidade edificar uma igreja e ao lado desta uma  escola.

 

Já Wojtyła nos alertou, quando empenhado em por fim aos regimes opressores, que a exemplo do que ocorreu em seu país, com seu povo, que passou pelo jugo e divisão imposta pelos nacional-socialistas, perdeu partes de seu território e ganhou outras no final da Segunda Grande Guerra, passando depois da destruição imposta pelos nacional-socialistas, por mais de cinquenta anos sob o jugo dos internacional-socialistas. Wojtyła soube viver seu tempo, deixou seu legado como Papa, mas de minha parte, como luterano, reconheço nele seus valores, soube aproximar as igrejas, e soube ser um grande líder espiritual e moral que trabalhou incansavelmente pela paz e pela justiça social, viajando mundo afora em prol da unidade da igreja e do compromisso da fé. Como professor, foi docente de Ética na Universidade Jaguelónica e posteriormente na Universidade Católica de Lublin.

 

E merece ser destacada a sua passagem por esta cidade, pelo seu significado na história, Desde a segunda a metade do século XVI, movimentos da Reforma surgiram em Lublin, e uma grande congregação de irmãos poloneses esteve presente na cidade. Uma das mais importantes comunidades judaicas da Polônia também se estabeleceu em Lublin neste período. Ela continuou sendo uma parte vital da vida da cidade até quando deixou de existir durante o Holocausto promovido pelos nacional-socialistas (nazistas).

 

Ele nos deixou o alerta, sobre o qual devemos refletir, principalmente quando lhes trago a reflexão à importância da observação do princípio da subsidiariedade:

 

“Quando os homens julgam possuir o segredo de uma organização social perfeita que torne o mal impossível, consideram também poder usar todos os meios, inclusive a violência e a mentira, para a realizarâ€. (Karol Józef WojtyÅ‚a - Johannes Paulus II)

 

 

Infelizmente isso nos remete para América Latina da atualidade, agora submetida aos ditames de um Foro San Pablo, com seu bolivarianismo, chavismo ou lulismo, que alia narco-traficantes a líderes carismáticos e populistas, que em nada se afasta do que existiu de pior entre os latino-americanos, que foi, e de certa maneira ainda o é: o castrismo.

Hoje disseminam a violência e adotaram a mentira como praxis diária. Seja ele PAC ou piriPAC, Pan, ... Pré- e a discriminação espacial através do Programa “Minha casa, Minha vidaâ€, segregando além das favelas, com bairros apinhados em sem a potencial de urbanização futura, políticas públicas que promovem a segregação, a discriminação e além dos conjuntos populares, criam também os condomínios de luxo, segregando, dividindo. É um tema interessante, posso explicar melhor.

 

Olhando esta triste realidade, fica a certeza de que o primeiro grupo de jovens, não importando a sua verdadeira idade, são os que efetivamente apresentam a melhor proposta, mas isso não os devem afastar daqueles que não concordam com a injustiça que nos salta aos olhos no nosso dia a dia. Nos agride em nosso coração.

 

O que não podemos fazer é tentarmos impor a nossa felicidade aos outros, antes devemos entender e observar o princípio da subsidiariedade e sermos exemplo, entendendo a importância da nossa responsabilidade individual e cobrarmos dos outros também a responsabilidade.

 

E para concluir deixo a pergunta:

 

Quer isto dizer que a questão toca a todos... sim, a nós também.

 

Se estamos próximos de uma realidade e se temos meios ou sugestões para melhorar essa realidade porque não arregaçar mangas?

 

Devemos esperar, por exemplo, que sejam as instituições oficiais, transferindo responsabilidades, a solucionar todos os problemas da freguesia ou comunidade onde vivemos?

 

Um dos resultados da aplicação do princípio da subsidiariedade é o voto distrital, causa que concorre para o desenvolvimento de um país.

 

"Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." (Lucas 16:13)

 

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." (Mateus 6:24)

 

Mamom vem do Aramaico e significa riqueza que se opõe a Deus.

 

"E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos."  (Salmos 119:45)

 

Devemos entender que servir a Deus nos coloca no plano espiritual, cria em nós a responsabilidade, de agirmos comprometidos com a liberdade e não nos subjugarmos ao "dinheiro". Se nos subjugarmos ao "dinheiro", agindo não como se ele não fosse sinônimo do fruto de nosso trabalho, de nossos talentos, de nosso mérito, da nossa dedicação em colocar produtos e serviços no mercado de forma livre e pautada pela honestidade, pelos valores, pela lei, pela responsabilidade individual, usw.., passamos a empregá-lo de forma indevida, não respeitando como ele deve ser utilizado a serviço do homem e da sociedade, mas fazendo com que venha a produzir a cobiça, a apropriação indébita, o lucro injustificado, a tributação excessiva, a caridade com o bolso alheio, ...  Cria assim a degeneração dentro de nossa sociedade.

 

 

"Quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos: transferência ou redistribuição de renda." (Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.)

 

Muitas pessoas pensam que dinheiro não é algo muito espiritual. Todavia, a Bíblia fala muito a respeito de dinheiro. Existe uma estatística muito interessante que comprova esse fato. No Novo Testamento existem 215 versículos que falam a respeito de fé, 218 versículos que falam de salvação e 2084 versículos a respeito de finanças e dinheiro.

 

Em outras palavras, o Novo Testamento fala dez vezes mais de dinheiro do que de salvação. As pessoas concordam que a salvação é um tópico muito importante, mas, das 28 parábolas de Jesus 16 falam sobre dinheiro. Ele busca nos orientar como trabalhar com ele, pois ele é e deve ser resultado do que herdamos de nossos pais ou dos que nos amam  ou de nosso trabalho, de nosso talento, de nossos dons, de nosso emprendedorismo, de nosso mérito, de nossa criatividade, de nossa capacidade em inovar, de nossa dedicação, usw..

 

Porque Jesus falou tanto a respeito de dinheiro? Será que Jesus estava atrás de dinheiro? Será que ele veio a esta Terra a procura de dinheiro? É claro que a resposta é não. Jesus não está interessado em dinheiro. Ele está interessado em nossos corações.

 

Se ele está interessado em nossos corações, então porque ele falou tanto de dinheiro? Simplesmente porque as pessoas possuem muitos tesouros e riquezas. E Jesus disse que onde estiver o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração. O coração sempre vai atrás do tesouro. Se existe algo que valorizamos e que é importante para nós, não importa o que seja, o nosso coração vai atrás dele.

 

A questão do ofertar não está em absoluto ligado apenas a prosperidade e a bênção, mas acima de tudo é uma questão de quem governa a nossa vida, quem é dono de nosso coração.

 

Jesus disse que não podemos servir a Deus e a Mamom. "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt. 6:24)".

 

A Palavra "Mamom" ou "Mammon" traduz o termo demônio, vem do aramaico, siginifica avareza, riquezas e iniquidades. Ela não significa literalmente riqueza ou dinheiro, mas sim uma riqueza ou dinheiro adquirido de forma que não seja fruto, de uma atuação de pessoas sob a liberdade, dentro do mercado livre, pautado pelo respeito às leis e ao princípio da subsidiariedade, mas  ao contrário sob o jugo de pessoas ou interesses, que se afastam de como funciona e deve funcionar a sociedade a partir do momento em que o indivíduo se insere nela, como bem nos lembrou também Karol Józef WojtyÅ‚a - Johannes Paulus II, quando alertava os teólogos latino-americanos que se deixaram encantar por uma profanação, aceitando como verdadeiros conceitos e teorias socialistas, as quais inseriram no que denominaram de "Teologia da Libertação'. Em especial quando ele cita que quando  "interesse individual é violentamente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividadeâ€.

 

Jesus, neste textos relatados por Mateus e Lucas, está falando sobre duas coisas opostas: de um lado Deus e do outro lado Mamom. Desta forma, se você serve a Deus; não pode servir a Mamom, e se você serve a Mamom; não poderá servir a Deus. São dois pólos antagônicos, opostos entre si.

 

Assim, se Mamom significasse dinheiro, não poderíamos servir a Deus e ter dinheiro. Ter dinheiro ou uma conta no banco seria algo pecaminoso. Jesus nunca nos proibiu de ter dinheiro, por isso não penso que Mamom significa dinheiro.

 

Nos dias de Jesus existia o povo filisteu. Sabemos que todos os povos que viviam em Canaã adoravam muitos deuses falsos e os filisteus eram um deles. Os moabitas adoravam a Moloque, outros a Dagon, e ainda outros a Baal e a Astarote, mas os filisteus adoravam a um deus chamado Mamom. Era o deus a quem eles oravam buscando prosperidade distante da que Deus deseja a nós.

 

Atrás de todos aqueles deuses havia espíritos demoníacos. Esses espíritos trabalhavam por detrás daqueles ídolos para desviarem as pessoas para longe de Deus. Esses espíritos queriam a lealdade do coração das pessoas. É por isso que Jesus disse: você não pode servir a Deus e a Mamom.

 

Mamom é mais que as riquezas, são outras fontes. Mamom é um "deus concorrente" do próprio Deus verdadeiro. Observe como Mamom atua como um deus fazendo aquilo que somente o Senhor Deus poderia fazer em nossas vidas. 

 

Mamom é uma entidade espiritual, adorado como "deus das finanças". Como toda entidade, seu ataque não é direto, ele atua pelo engano, influenciando através do dinheiro, dizendo que este possui poderes inerentes, levando as pessoas a enxergarem-se valorizadas pelo que têm. Aqueles que servem a Mamom, vivem em densas trevas e não sabem, ele possui um grande poder de sedução que vai afetando o coração até a afetar toda a vida daqueles que por ele são influenciados, afetando a dignindade pessoal, afetando a auto-imagem, afetando o relacionamento familiar e até mesmo o relacionamento com Deus. Mamom é chamado de deus, pois atua tomando realmente o lugar de Deus.

 

E para concluir, ainda citando a Biblia, encerro com duas frases, com dois versículos, que merecem de nós a reflexão, e não só ele, mas todos os dois capítulos  onde eles estão inseridos:

 

"E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos."  (Salmos 119:45)

 

"Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito." (Tiago 1:25)

 

Leia também:

http://www.pucsp.br/fecultura/textos/pessoa_sociedade/24_subsidiariedade.html

http://www.duplipensar.net/artigos/2006-Q4/principio-da-subsidiariedade.html

http://www.grupos.com.br/blog/dbcaxanga/permalink/19187.html

http://daleth.cjf.jus.br/revista/numero17/prodacad1.pdf

http://topicospoliticos.blogspot.com/2004/10/princpio-da-subsidiariedade-o-que.html

http://www.iptan.edu.br/revista/artigos/texto4.pdf

http://artedeviver.no.sapo.pt/subsidiariedade.htm

http://www.faculdadesocial.edu.br/dialogospossiveis/artigos/12/artigo_13.pdf

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