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De: "Gerhard Erich Boehme" <ger...@boehme.com.br>
Assunto: Cr√≠ticas aos coment√°rios/manifesto do MRLB ‚Äď Movimento de Resis t√™ncia Leonel Brizola sobre os bombeiros no Rio de Janeiro.
Data: Fri, 10 Jun 2011 13:15:53 -0300
ÔĽŅ
 
Caros do Grupo,

a idiotia e o descaso com a hist√≥ria toma conta de nosso Brasil, como as tais propostas e coment√°rios deste chamado "Movimento de Resist√™ncia Leonel Brizola", que traz consigo o termo "movimento", algo muito mais associado √† oclocracia que a democracia e como se isso n√£o bastasse ainda faz homenagem a um dos piores pol√≠ticos brasieliros, um dos principais respons√°veis pela escalada da viol√™ncia no Rio de Janeiro por conta de sua leni√™ncia ou mesmo envolvimento com o tr√°fico de drogas e principalmente pela sua incompet√™ncia em n√£o saber avaliar a conjuntura internacional e o crescimento do tr√°fico internacional enquanto governava um dos mais importantes estados do Brasil.

Recomendo que leiam:
1. A diferença entre a democracia e a oclocracia pregada pelo MRLB
2. O impacto econ√īmico da viol√™ncia no Brasil
Brizola foi incompetente, n√£o soube conduzir o processo de transi√ß√£o, muito menos entender as raz√Ķes que levavam a derrota do internacional-socialismo e que resultaram no fim das restri√ß√Ķes de liberdade que eram impostas a uma parte expressiva dos alem√£es, ainda sob o jugo do internacional-socialismo, do ent√£o regime da DDR e que se estendia por detr√°s da "Cortina de Ferro". Felizmente o muro caiu. Mas no Brasil temos as v√≠√ļvas de L√™nin.
 
Brizola n√£o soube se aproximar de forma competente com os militares e fazer uma boa gest√£o com suas pol√≠cias, tanto a que √© subsidia√°ria ao cidad√£o, que trata da preven√ß√£o e tem igualmente fun√ß√Ķes de ordem p√ļblica, a pl√≠licia militar, quanto a pol√≠cia judici√°ria, que d√° os primeiros passos no que se refere a justi√ßa.
 
Foi igualmente em seu governo que estas institui√ß√£o passaram a assustar a popula√ß√£o dada a corrup√ß√£o de que foi alvo. Foi durante seu governo que se iniciou todo um emaranhado entre fac√ß√Ķes criminosas com diversos interesses, que somada √† corrup√ß√£o policial e falhas em pol√≠ticas de seguran√ßa p√ļblica no Estado agravaram a quest√£o. Mas n√£o de todo estava errado, ele trouxe com seu governo transpar√™ncia para esta quest√£o, mas n√£o soube desenvolver pl√≠ticas p√ļblicas que viessem a eliminar a principal forma de discrimina√ß√£o que se tem no Brasil, a discrimina√ß√£o espacial. Na sua incompet√™ncia n√£o soube dar direito de propreidade aos moradores de √°reas n√£o regularizadas, agravando um velho probelema que temos no Brasil, o pobre tem a propriedade, faz uso dela, mas n√£o tem direito econ√īmico sobre ela, ficando assim impossibilitado de trat√°-la no mercado imobili√°rio, o qual poderia fazer press√£o para uma melhor urbaniza√ß√£o.

Na sua incompetência desconsiderou o pouco que se tinha de organização no Estado quanto aos planos diretores. E ele tinha como um dos principais aliados o Engenherio e Arquiteto Jaime Lerner, que inclusive chegou a tomar parte de seu governo.
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/programa/PGM0289

Mas n√£o podemos de todo apont√°-lo como o m√°ximo de incompet√™ncia, pois apontar o ex-governador Leonel Brizola como respons√°vel pelo desenvolvimento do tr√°fico ou pelo surgimento do Comando Vermelho (fac√ß√£o criminosa majorit√°ria no tr√°fico de drogas no per√≠odo pesquisado) √© ter uma vis√£o limitada sobre o que aconteceu no per√≠odo. As falhas ocorridas na pol√≠tica de seguran√ßa de Brizola foram t√£o graves quanto as de seus sucessores, sendo que ele foi o primeiro a lidar com o fen√īmeno do tr√°fico em propor√ß√Ķes internacionais. Infelizmente ele nadou no mar de incompet√™ncia, o que ocorre at√© hoje.

De Brizola e de sua ideologia temos o pior legado, pois foi de Vargas, Jango, Brizola e tantos outros o principal fator que concorre para colocar na informalidade mais da metade dos trabalhadores brasieliros. √© cria deles a atual legisla√ß√£o trabalhista e a forma de solu√ß√£o dos conflitos trabalhistas. O √īnus imposto aos empregadores do mercado de trabalho formal desestimula novas contrata√ß√Ķes. A evolu√ß√£o tecnol√≥gica e das rela√ß√Ķes interpessoais tornou obsoleta a legisla√ß√£o fascista brasileira, imposta ainda durante a ditadura Vargas. Nem ela, nem a Justi√ßa do Trabalho, criada na mesma ocasi√£o, atendem √†s necessidades de arranjos mais flex√≠veis entre patr√Ķes e empregados, em que todas as partes sairiam ganhando. Os milh√Ķes de processos trabalhistas que se arrastam por anos tamb√©m representam um custo injustific√°vel, tanto para a Uni√£o, que tem a obriga√ß√£o de manter essa onerosa estrutura, como para os empregadores. O resultado √© que mais da metade da popula√ß√£o brasileira trabalha hoje na informalidade, sem contar os excessos como o trabalho escravo, que √© ainda verificado no Brasil, at√© mesmo na cidade de S√£o Paulo, com o trabalho ilegal de imigrantes bolivianos e asi√°ticos e o pior deles, a press√£o para a prostitui√ß√£o, inclusive a infantil. Sem perspectivas de emprego centenas de milhares de jovens s√£o empurrados para a criminalidade e prostitui√ß√£o, inclusive em outros pa√≠ses.


Para conhecer melhor o que siginificou Brizola, recomendo a leitura do texto abaixo: "Brizola, o √ļltimo dos maragatos", no qual F√©lix Maier nos mostra os erros dentro do cen√°rio da √©poca, permitindo assim uma melhor interpreta√ß√£o, pois nada mais falso do que intyerpretar o passado com os olhos de hoje.

Mas vamos às críticas a esse tal MRLB:

Citam que "a origem da crise √© a errada militariza√ß√£o dos bombeiros que visa exclusivamente a manter o conjunto de trabalhadores permanentemente mobilizados, sempre √† disposi√ß√£o, sem lhes conceder os direitos trabalhistas inerentes √† periculosidade das tarefas e sal√°rios compat√≠veis com a import√Ęncia e a nobreza da fun√ß√£o. √Č uma categoria p√ļblica especial e, como tal, tem que ser tratada."

Nada mais falso, pois os corpos de bombeiros exigem o m√°ximo do profissionalismo, que com a militariza√ß√£o se obt√©m a disciplina e a ordem, al√©m de trazer consigo os melhores valores para que possamos ter um servi√ßo p√ļblico digno, desempenhado por profissionais igualmente dignos.

Quanto aos direitos, estes devem ser avaliados, a começar pela jornada de trabalho que constitucionalmente foi definida como de 36h semanais para turnos de revezamento, cabendo ainda o pagamento que todo polícial deve fazer jus, o adicional de periculosidade, além do aplicado ao regime de revezamento de turnos, tal qual fazem jus os petroleiros e petroquímicos.

Quanto ao sal√°rio, este retrata a incompet√™ncia de nossos governadores, os quais n√£o remuneram adequadamente seus pol√≠ciais. Mas este resultado √© fruto da forma como est√° organizada a estrutura policial, vinculada ao executivo, sendo o quadro mais grave o caso da pol√≠cia judici√°ria (Pol√≠cias Civis e Pol√≠cias T√©cnico-cient√≠ficas) administradas politicamente, mais grave, pois s√£o atribui√ß√Ķes essencialmente p√ļblicas ao contr√°rio da Pol√≠cia Militar e do Corpo de Bombeiros, que s√£o subsidi√°rias ao cidad√£o. E para entender a quest√£o da subsidiariedade √© fundamental entender este que √© um dos princ√≠pios fundamentais para uma sociedade virtuosa: O princ√≠pio da Subsidiariedade.

A segunda informa√ß√£o √© falsa, pois assim leva a nossa sociedade a de desresponsabilizar, n√£o elegendo e exigindo destes uma boa gest√£o. E mais grave ainda √© o fato de que assim n√£o se questiona o que de fato deve ser p√ļblico e o que deve ser privado.

"Bens e servi√ßos p√ļblicos t√™m como caracter√≠stica essencial a impossibilidade de limitar o seu uso √†queles que pagam por ele ou a impossibilidade de limitar o acesso a eles atrav√©s de restri√ß√Ķes seletivas, com uma √ļnica exce√ß√£o eticamente aceit√°vel: o privil√©gio ou benef√≠cio dado aos portadores de  defici√™ncia f√≠sica ou mental, incluindo as  advindas com a idade ou aquelas resultantes de sequelas de acidentes ou fruto da viol√™ncia." (Gerhard Erich Boehme)

Mas no todo a afirmativa n√£o est√° errada: "Os respons√°veis pela atual situa√ß√£o s√£o, exclusivamente, os governantes, especialmente o governador Sergio Cabral, autorit√°rios e insens√≠veis para com a justeza das reivindica√ß√Ķes da laboriosa e altru√≠sta categoria profissional. O Rio de Janeiro √© o segundo estado com maior arrecada√ß√£o e paga a esses profissionais o pior sal√°rio do pa√≠s".

Outro absurdo √© colocar nomes de covardes e vendilh√Ķes ao internacional-socialismo ou her√≥is de fantasia com verdadeiros her√≥is. Eu vejo como uma imbecilidade sem tamanho a rever√™ncia ao "heroi" Zumbi dos Palmares, cuja critica foi brilhanetemente feita por Leandro Narloch em seu livro Guia Politicamente Incorreto da Hist√≥ria do Brasil. Neste sentido recomendo a leitura do texto abaixo.  Tivemos pessoas brilhantes como o Engenheiro Andr√© Pinto Rebu√ßas, este sim pode ser apontado como um dos mais dignos brasileiros, no seu tempo, ainda no Imp√©rio era brasileiro, hoje seria citado como afrodescendente. Recomendo que leiam os livros citadaos no texto:
www.boehme.com.br/andrereboucas.pdf
 
E para fechar este assunto, nada mais recomendado que lerem o artigo anexo de Gast√£o Reis  (Tel. (24) 9272-8586 www.gastaoreis.com.br, cujo artigo foi publicado na Tribuna de Petr√≥polis, em 28/05/2011, intitulado OBAMA E O BAR√ÉO DE COTEJIPE.
 
Trata-se de um fato hist√≥rico da maior relev√Ęncia em boa parte desconhecido pela opini√£o p√ļblica brasileira. Principalmente aos idiotas que hoje criticam um dos per√≠odos mais brilhantes da hist√≥ria brasileira que foi o II Imp√©rio.
 
Mas o tal MRLB n√£o erra no todo, acertam quanto √†s cr√≠ticas ao Governador carioca, quando este menciona o termo v√Ęndalos, o qual foi sen√£o o principal respons√°vel por esta crise, foi seguramente o que mais contribui para que chegasse a este impasse. Esqueceu ele que estava lidando com homens.

Outro erro é citar a Contra-revolução de 1964, quando deveria citar os erros do Estado Novo, que juntamente com o nosso pior período de exceção nos levaram a graves crises internas.

No mais é acertada a iniciativa de se conclamar a população para apoiar a imediata libertação dos bombeiros injustamente presos. E igualmente é acertada a afirmativa: "Se ainda houver um pingo de bom senso e sentimento de humanidade em nossos governantes, os bombeiros presos serão imediatamente libertados, conforme exige a sociedade civil e se instalará uma negociação séria."

Se tivermos um pouco de bom senso e intelig√™ncia vemos que s√£o in√ļmeros os erros de como s√£o tratadas as quest√Ķes da justi√ßa e da seguran√ßa p√ļblica, que, como sabemos, exige de todos uma compreens√£o clara das limita√ß√Ķes, em especial o descaso com que entidades p√ļblicas gerenciam a quest√£o neste nosso vasto Brasil. A come√ßar pela confus√£o entre a justi√ßa e a preven√ß√£o, muitos de forma irrespons√°vel se posicionando pela unifica√ß√£o das pol√≠cias, pela desmilitariza√ß√£o das organiza√ß√Ķes militares policiais e o que √© mais grave, propondo a√ß√Ķes de combate aos criminosos ou √† criminalidade.

Entendo como irrespons√°vel por diversas raz√Ķes, dentre elas destaco:

i. A unifica√ß√£o ir√° promover a centraliza√ß√£o do poder e a consequente corrup√ß√£o dela decorrente ‚Äď n√£o podemos desconsiderar o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente, bem como que as pol√≠cias s√£o instrumentos do poder de coer√ß√£o do Estado, assim como a tributa√ß√£o, e portanto s√£o muitas vezes mal vistas quando n√£o s√£o disponibilizados recursos adequados, o que inclui profissionais capacitados;

ii. O risco com desmilitarização das Brigadas ou Polícias Militares, ou mesmos das Guardas Municiaipais, quando se pode ter a perda dos valores que lhe são próprias, em especial a ordem, disciplina e eficácia - valores que são fundamentais aos profissionais que diariamente estão em contato com o que há de pior em nossa sociedade;

iii. Com a integra√ß√£o das pol√≠cias deixamos de ter a pluralidade dos √≥rg√£os policiais voltados √† seguran√ßa, pois a pluralidade retira sua for√ßa de press√£o interna, j√° que, como temos, separadas se estabelece um sistema de vasos comunicantes que permite um melhor sigilo das investiga√ß√Ķes e uma barreira eficaz √† corrup√ß√£o, sempre poss√≠vel e tem√≠vel num servi√ßo policial;

iv. Evita-se a sobreposi√ß√£o de processos voltados √† justi√ßa - os realizados pela pol√≠cia judici√°ria - com os processos de ordem p√ļblica e de preven√ß√£o, que s√£o ¬Ļsubsidi√°rios ao cidad√£o e √† iniciativa privada.

v. O desarmamento não visa desarmar a população, mas sim desarmar as pessoas de bem.
 
‚ÄúO controle das armas com a popula√ß√£o n√£o tem como objetivo o controle das armas, mas sim o controle da popula√ß√£o‚ÄĚ (Gerhard Erich Boehme)

A preven√ß√£o ao crime est√° no campo em que o Estado entra com o papel ¬Ļsubsidi√°rio, pois a preven√ß√£o ao crime √© de atribui√ß√£o inicial do cidad√£o ‚Äď come√ßa com ele colocando a tranca na porta de casa, educando seus filhos de forma exemplar, etc. e a preven√ß√£o tem sua atua√ß√£o mais forte no campo privado, como junto √†s fam√≠lias e empresas, onde temos a atua√ß√£o das entidades de seguran√ßa patrimonial, vigil√Ęncia comunit√°ria, escolta, prote√ß√£o a executivos, etc. E na impossibilidade destes agentes atuarem ou quando n√£o √© interessante que a iniciativa privada atue, deve entrar o Estado, o que deve ocorrer ¬Ļsubsidiariamente, com destaque a participa√ß√£o comunit√°ria atrav√©s dos chamados CONSEG - Conselhos Comunit√°rios de Seguran√ßa, para os quais, no meu entender, deveria contemplar um Guia para sua forma√ß√£o, implementa√ß√£o e manuten√ß√£o e assim os CONSEGs serem certificados segundo a conformidade com os requisitos da ABNT NBR ISO 9001:2008.
 
A preven√ß√£o, esta realizada pela Brigada Militar ou Pol√≠cia Militar, al√©m da ordem p√ļblica, tamb√©m deve realizar o policiamento ostensivo e assim assegurar a prote√ß√£o ao cidad√£o, a sua vida, liberdade e seu patrim√īnio.
A atua√ß√£o do Estado atrav√©s das Guardas Municipais e da Brigada ou Pol√≠cia Militar √© ¬Ļsubsidi√°ria e assim deve ser, mas cabe a sociedade atuar em todas as frentes n√£o contra o crime, mas na preven√ß√£o ao crime e neste ponto passa a ser fundamental entendermos as falhas, os erros e v√≠cios de nossa sociedade que est√£o concorrendo para a escalada da viol√™ncia, que assim leva o Brasil a ocupar as primeiras posi√ß√Ķes no mundo como um dos pa√≠ses mais violentos, sem contar a perda de recursos, que segundo o IPEA, isto subestimado, representa 5% do PIB, segundo o Banco Mundial 7,5% e eu estimo seguramente em mais de 10% do PIB. Uma prova disso √© como a viol√™ncia afasta o turista de um Brasil com enorme potencial, o que inclui a gera√ß√£o de empregos, riqueza e renda.
Uma delas é a perda do direito de defesa, que retira responsabilidades do cidadão e as transfere ao Estado, que infelizmente se mostra incompetente, pois não consegue desarmar os bandidos e o que é pior, dá sustentação a déspotas e ingenuos que buscam desarmar as pessoas de bem.
As principais causas da violência são decorrentes:

1. da discriminação espacial (A primeira favella e a discriminação espacial como causa da violência);
2. do baixo investimento, baixa qualidade e falhas na gest√£o p√ļblica da educa√ß√£o fundamental;
3. da pouca valoriza√ß√£o da fam√≠lia dentro da sociedade brasileira ‚Äď em muitos Estados brasileiros a grande maioria tem hoje as fam√≠lias sustentadas por mulheres, sendo a Bahia o caso mais triste, pois supera 60% dos lares ‚Äď desconsidera-se l√° a paternidade respons√°vel, uma sociedade formada por homens que n√£o honram as cal√ßas que vestem;
4. da condução política-ideológica de nossa política externa que privilegiou o narcotráfico, estas decorrentes do apoio e submissão do Brasil ao Foro San Pablo (Veja as perguntas que deveríamos ter feito aos candidatos);
5. vulgariza√ß√£o da viol√™ncia, em especial junto √† m√≠dia devido a programas policiais ou document√°rios fora do hor√°rio e os desenhos animados e programas infantis que apresentam normalmente a viol√™ncia como tema central, os quais funcionam no Brasil como bab√° eletr√īnica (A falta de √©tica da m√≠dia no caso do Realengo);
6. da falta do entendimento, valoriza√ß√£o e recursos √†s pol√≠cias judici√°rias e √†quelas que se dedicam √† preven√ß√£o ao crime e a ordem p√ļblica, a remunera√ß√£o de seus profissionais em especial.
 
E √© bom que se diga que a escalada da viol√™ncia n√£o tem como causa a pobreza ou as diferen√ßas de classes como querem nos fazer acreditar, os ideologicamente estressados em especial, pois assim dito justifica t√£o somente a desresponsabiliza√ß√£o por parte do poder p√ļblico, ou melhor, de toda a sociedade e passa a atribuir aos mais pobres a perda de valores, o que √© obviamente falso. Assim nos afastamos das causas que levam a viol√™ncia, a discrimina√ß√£o espacial principalmente.
Esta argumentação acima seguramente não invalida a questão de que os mais pobres ficam mais vulneráveis frente à violência, principalmente devido à discriminação espacial, o que é uma verdade. Neste ponto é importante a leitura dos textos em anexo, em especial para entendermos a questão da discriminação espacial, esta sim que se faz presente em nossa sociedade e necessita ser combatida.
 
Tivemos um presidente que foi irresponsável dividindo a sociedade segundo o sabor das etnias da qual descendemos, o fez buscando apoio político, mas deixou um triste legado, um legado que desconsidera o Engenheiro André Pinto Rebouças, ele que foi um dos mais dignos brasileiros, hoje seria apenas considerado um afrodescendente.
Outra quest√£o √© o crime cometido ou sendo articulado, quando se requer a atua√ß√£o do Estado, no sentido de se fazer justi√ßa, quando se pune tamb√©m para servir de referencial, o que muitas vezes √© deixado de lado devido a ‚ÄúS√≠ndrome do coitadinho‚ÄĚ que √© pr√≥pria do brasileiro. A pol√≠cia judici√°ria (Pol√≠cia Federal, Pol√≠cia Civil e Pol√≠cia T√©cnica) deve exercer seu papel de forma exemplar, e esta √© uma quest√£o ent√£o p√ļblica, pois n√£o cabe e nem se pode deixar que o cidad√£o venha a querer fazer justi√ßa. Neste campo se requer a atua√ß√£o forte e exemplar do Estado.
Isso n√£o quer dizer que a justi√ßa criminal tamb√©m n√£o possa ser privada, mas a quest√£o √© que estamos muito longe disso, a nossa sociedade teria que se livrar dos ran√ßos ideol√≥gicos e ter muita maturidade para abra√ßar propostas como a de Bruce L. Benson apresentadas em seu livro ‚ÄúTo serve and protect‚ÄĚ (http://www.institutoliberal.org.br/revista.asp?cds=113) . Entendo que estamos muito longe disso, ainda mais quando, passados mais de 30 anos, ainda encontramos pessoas doutrinadas berrando ‚ÄúAbaixo a Ditadura!‚ÄĚ e assim tomando parte de uma ‚Äúdemocracia‚ÄĚ que na realidade √© uma oclocracia e n√£o se d√£o conta disso.
 
 
As Guardas Municipais, a Pol√≠cia Militar ou Brigada Militar, estas atuam ¬Ļsubsidiariamente no campo da preven√ß√£o e devem observar o princ√≠pio da ¬Ļsubsidiariedade para sua melhor atua√ß√£o. A policia judici√°ria (Pol√≠cia Civil, Pol√≠cia T√©cnica e Pol√≠cia Federal) atua no campo da justi√ßa. Este campo √© privativo da justi√ßa, que √© p√ļblica. √Č um bem p√ļblico e assim deve ser entendido por todos n√≥s. E neste ponto poder√≠amos ter uma solu√ß√£o similar a que foi dada ao Minist√©rio P√ļblico, quando este saiu da esfera dos executivos estaduais e Federal, que normalmente relegam fun√ß√Ķes de Estado e privilegiam o clientelismo pol√≠tico, com seu capitalismo de comparsas e seu socialismo de privilegiados, longe das leis de mercado e do compromissos com os bens e servi√ßos p√ļblicos.

"Bens e servi√ßos p√ļblicos t√™m como caracter√≠stica essencial a impossibilidade de limitar o seu uso √†queles que pagam por ele ou a impossibilidade de limitar o acesso a eles atrav√©s de restri√ß√Ķes seletivas, com uma √ļnica exce√ß√£o eticamente aceit√°vel: o privil√©gio ou benef√≠cio dado aos portadores de defici√™ncia f√≠sica ou mental, incluindo as advindas com a idade ou aquelas resultantes de sequelas de acidentes ou fruto da viol√™ncia." (Gerhard Erich Boehme)
E para entenderem a questão da discriminação espacial, recomendo que leiam com atenção ao texto: A primeira favella e a discriminação espacial como causa da violência
 
Abraços,
 
Gerhard Erich Boehme
ger...@boehme.com.br
(41) 8877-6354
Skype: gerhardboehme
Caixa Postal 15019
80530-970 Curitiba - PR
 
"Sempre que criamos algo novo isto requer nosso sincero comprometimento."  (Artur Fischer - O maior inventor de todos os tempos)



Brizola, o √ļltimo dos maragatos

Félix Maier
tta...@hotmail.com
http://www.usinadeletras.com.br
 

Pessoas importantes, ou que se julgam como tais, d√£o um jeito de morrer em uma data especial. Foi assim que ocorreu com o imperador Constantino, que se converteu ao cristianismo e possibilitou a r√°pida expans√£o da nova religi√£o por todo o Imp√©rio Romano: deu um jeito de morrer num glorioso dia de P√°scoa. Com Tancredo Neves n√£o foi diferente: marcou encontro com S√£o Pedro justo no dia 21 de abril, data da morte de seu conterr√Ęneo mais famoso, Tiradentes. Dizem que Tancredo j√° havia morrido dias antes, apenas se escolheu uma data c√≠vica melhor para avisar a imprensa mas isso √© outra hist√≥ria. O certo √© que Tancredo virou santo sem precisar apresentar milagres, como Santa Paulina, romarias levam as massas a seu t√ļmulo em S√£o Jo√£o del Rey a cada feriado da Inconfid√™ncia. J√° Leonel Brizola, o √ļltimo dos maragatos, n√£o escolheu nenhuma data significativa para ser levado pela Senhora da Gadanha. Foi acariciado pelas parcas, de supet√£o, no dia 21 de junho deste ano. Do jeito que imaginava, ainda em atividade pol√≠tica, pois havia profetizado serei como um cavalo ingl√™s: s√≥ vou morrer na cancha. O certo √© que, se tivesse que escolher uma data para chegar √†s canhadas do purgat√≥rio, Brizola ficaria em d√ļvida - 7 de setembro ou 15 de novembro? -, pois, mais nacionalista do que ele, imposs√≠vel.

Quem foi, afinal, Leonel Brizola, por quem muitos brasileiros, com um lenço vermelho no pescoço, bem à moda maragata, verteram compungidas lágrimas durante o velório e promoveram uma vaia fenomenal ao traidor Lula da Silva quando este tentou se aproximar do defunto no Rio de Janeiro?

Antes de mais nada, Brizola simbolizava como ningu√©m o prot√≥tipo do anarquista espanhol, Don Pepe, que vagueia na trilogia O Tempo e o Vento, de √Črico Ver√≠ssimo: se h√° governo, sou contra!. Prova disso foi o seu r√°pido afastamento de Lula quando este, enfim, se tornou presidente do Brasil. N√£o havia ningu√©m que fazia cr√≠ticas t√£o √°cidas quanto Brizola. Mas, afinal, o que queria o √ļltimo dos maragatos? O que queria o maior de todos os nossos carbon√°rios? Enfim, qual era o tipo de Brasil que existia na imagina√ß√£o do ultranacionalista Leonel de Moura Brizola, o antiamericano n√ļmero um do continente?

Brizola teve uma carreira pol√≠tica mete√≥rica. Nasceu em 22 de janeiro de 1922 com o nome de Itagiba, no povoado de Cruzinha, RS, que pertenceu a Passo Fundo at√© 1931, quando passou √† jurisdi√ß√£o de Carazinho. Adotou o nome do chefe maragato Leonel Rocha, passando a ser conhecido como Leonel Brizola. Em 1939, formou-se t√©cnico agr√≠cola no Instituto Agr√≠cola de Viam√£o, pr√≥ximo de Porto Alegre. Em 1945 come√ßa a estudar engenharia civil na Universidade do Rio Grande do Sul, formando-se em 1949. Ainda em 1945, fundou o primeiro n√ļcleo ga√ļcho do PTB. Um ano depois, foi eleito deputado estadual . Em 1950, Brizola foi reeleito deputado estadual do Rio Grande, e no dia 1¬ļ de mar√ßo do mesmo ano casou-se com Neusa Goulart, irm√£ do ent√£o deputado estadual Jo√£o Goulart, que viria mais tarde a ser presidente do Brasil. O padrinho foi Get√ļlio Vargas, que seria eleito presidente do Pa√≠s no dia 3 de outubro do mesmo ano. Em mar√ßo de 1951, Brizola se torna l√≠der do PTB na Assembl√©ia Legislativa e se candidata a prefeito de Porto Alegre, por√©m perde por um diferen√ßa de apenas 1%, no pleito de 1¬ļ de novembro. Em 1952, foi secret√°rio estadual de Obras P√ļblicas do governo Ernesto Dornelles (PTB) e em 1954 elegeu-se deputado federal, com a maior vota√ß√£o da hist√≥ria ga√ļcha at√© ent√£o. Em 1955 foi eleito prefeito de Porto Alegre e, em 1958, governador do Rio Grande do Sul.

No per√≠odo de 1959 a 1963, Brizola governa o Rio Grande do Sul, √©poca em que come√ßa a desempenhar um papel nacionalista de repercuss√£o nacional. Empossado em janeiro de 1959, criou a Caixa Econ√īmica Estadual e adquiriu o controle acion√°rio do Banco do Rio Grande do Sul. Criou a A√ßos Finos Piratini e a Companhia Riograndense de Telecomunica√ß√Ķes e pressionou o governo federal a instalar uma refinaria no Estado. Encampou a Companhia Telef√īnica Rio-Grandense, uma subsidi√°ria da ITT. No setor de educa√ß√£o, construiu 5.902 escolas prim√°rias, 278 escolas t√©cnicas e 131 gin√°sios e escolas normais (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u61836.shtml).

O presidente J√Ęnio Quadros havia entrado em atrito com os chefes militares, ao conceder a Medalha do Cruzeiro do Sul a Ernesto Che Guevara, em solenidade na capital brasileira. A divis√£o nas For√ßas Armadas aumentou ap√≥s a ren√ļncia de J√Ęnio, em 1961, pois muitas autoridades militares n√£o aceitavam a posse do vice, Jo√£o Goulart, o Jango, visto como comunista. Na ocasi√£o, Jango estava em viagem √† China comunista, acompanhado de l√≠deres trabalhistas, convocados para observa√ß√£o e estudo das comunas populares daquele pa√≠s (AUGUSTO, 2001: 70). Na China, Jango fez um pronunciamento radical, em que revelou sua inten√ß√£o de estabelecer tamb√©m no Brasil uma rep√ļblica popular, acrescentando que, para tanto, seria necess√°rio contar com as pra√ßas para esmagar o quadro de oficiais reacion√°rios (AUGUSTO, 2001: 71) pren√ļncio da Revolta dos Sargentos, em Bras√≠lia, em 1963, e da Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, em 1964.

Em manifesto √† na√ß√£o, os ministros militares afirmaram o perigo que representaria um governo chefiado por Goulart: As pr√≥prias For√ßas Armadas, infiltradas e domesticadas, transformar-se-iam, como tem acontecido noutros pa√≠ses, em simples mil√≠cias comunistas (TAVARES, 1977: 65). Por√©m, o Marechal Henrique Teixeira Lott, candidato derrotado √† presid√™ncia da Rep√ļblica, tendo Goulart como companheiro de chapa, lan√ßou um manifesto exigindo que a presid√™ncia fosse assegurada ao vice-presidente eleito, conforme previa a Constitui√ß√£o (AUGUSTO, 2001: 71). A candidatura Lott havia surgido da Novembrada (11/11/1956), durante o Governo Juscelino Kubitschek, quando o vice Jo√£o Goulart entregou uma espada de ouro ao Marechal Lott, em uma homenagem que seria, aparentemente, o de promover um grande movimento de car√°ter populista de solidariedade ao Ex√©rcito, embora com o prop√≥sito oculto de sensibilizar, apenas, uma parte dele (TAVARES, 1977: 31). Ou seja, criar a figura do general do povo, que durante o Governo Goulart teve outros adeptos fervorosos.

Para defender a posse de Jo√£o Goulart, Brizola criou a Rede da Legalidade. No Rio Grande do Sul, o Governador Leonel Brizola, cunhado de Goulart, mobilizou a Brigada Militar, ganhou o apoio do comandante do III Ex√©rcito, General Machado Lopes, e lan√ßou um movimento legalista pela posse de Jango, que se estendeu a todo o Pa√≠s (AUGUSTO, 2001: 71). Como recentemente se p√īde observar, tanto nos jornais como na TV, durante os funerais de Brizola, comentaristas consideram essa a√ß√£o do maragato como o de mais alto prest√≠gio em toda sua carreira pol√≠tica.

A solução encontrada para o impasse foi o parlamentarismo, aceito por Jango. Porém, o seu Partido Trabalhista, com a força de Leonel Brizola e a mobilização do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), consegue reverter a situação, e a 6 de janeiro de 1963 é restabelecido, por plebiscito popular, o sistema presidencialista.

Um m√™s ap√≥s a posse de Jango, que ocorreu no dia 7 de setembro de 1961, Leonel Brizola e Mauro Borges, governador de Goi√°s, lan√ßam a Frente de Liberta√ß√£o Nacional (FLN). A Frente enfatizava a a√ß√£o exploradora dos capitais estrangeiros e a necessidade de nacionaliza√ß√£o de empresas e efetiva√ß√£o da reforma agr√°ria. Nacionalista, o Manifesto de Goi√Ęnia proclamava que n√£o seremos col√īnia dos EUA, nem sat√©lite da URSS. Compareceram ao ato o Prefeito de Recife, Miguel Arraes, os deputados Francisco Juli√£o, Barbosa Lima Sobrinho e outros esquerdistas. Brizola, com anseios de se tornar o Fidel Castro sul-americano, pretendia criar um grupo armado, o que levou o jornal New York Time a consider√°-lo a maior amea√ßa aos interesses dos EUA depois da Revolu√ß√£o Cubana. Com o major do Ex√©rcito (cassado), Joaquim Pires Cerveira, durante o per√≠odo de governo militar, a Frente agregou remanescentes do Movimento Revolucion√°rio 26 de Mar√ßo (MR-26) - que viria a ser extinto em 1969 -, promovendo a√ß√Ķes terroristas no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, em conjunto com a A√ß√£o Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighela, e a Vanguarda Popular Revolucion√°ria (VPR), de Carlos Lamarca. A Frente brizolista foi extinta em 1970, com a pris√£o de Cerveira.

Durante sua gest√£o no Rio Grande do Sul, al√©m do nacionalismo xen√≥fobo demonstrado na encampa√ß√£o da ITT americana, Brizola investe no populismo a la Get√ļlio Vargas, vergastando as elites rurais e endossando as a√ß√Ķes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master), criado por Rui Ramos - uma aclimata√ß√£o das Ligas Camponesas de Francisco Juli√£o nos pampas ga√ļchos.

O general do povo Osvimo Ferreira Alves, comandante do I Ex√©rcito, √© simp√°tico ao PCB e √†s id√©ias nacionalistas de Brizola. Este, populista de fei√ß√Ķes caudilhescas, encorajado pelo abrigo √† sombra do quepe do general, re√ļne-se com 150 sargentos e realiza uma mobiliza√ß√£o popular para fechar o Congresso; Goulart seria afastado, caso se opusesse. O presidente, por√©m, consegue evitar o golpe do carbon√°rio ga√ļcho, que sonhava ser o Fidel Castro brasileiro, e come√ßa o desmonte do esquema dos militares ligados a Brizola.

Como se pode comprovar, o legalista de véspera, que havia defendido a posse de Jango, deixou de sê-lo repentinamente, para se converter em um fanático golpista pronto a derrubar o próprio cunhado. (Cunhado não é parente era um dos muitos motes repetidos por Brizola.)

Eram tumultuados aqueles anos em que o carbon√°rio Leonel Don Pepe Brizola se especializou em apagar inc√™ndios com gasolina. Os agora chamados anos de chumbo dos governos militares foram precedidos por uma febril convuls√£o pol√≠tica e social. Em 24 de novembro de 1961, s√£o restabelecidas rela√ß√Ķes diplom√°ticas com a URSS. H√° uma aproxima√ß√£o de Jango com os comunistas, e o PCB conquista a presid√™ncia da poderosa Confedera√ß√£o Nacional dos Trabalhadores na Ind√ļstria (CNTI). Vale a pena lembrar o que ocorreu em 1963 e 1964, antes de os militares darem um fim √† dupla baderneira Jango-Brizola.

Com o restabelecimento do presidencialismo, em 1963, cresce a subvers√£o comunista no Brasil, com a infiltra√ß√£o de militantes nos minist√©rios. H√° propaganda sovi√©tica generalizada nos jornais e livrarias. As invas√Ķes de terra aumentam no Brasil, fomentadas pelas Ligas Camponesas, que abatem gado e incendeiam canaviais em Pernambuco, com o apoio t√°cito do Governador Miguel Arraes. Greves pol√≠ticas come√ßam a pipocar por todos os cantos, h√° desabastecimento de g√™neros de primeira necessidade, agravado por uma terr√≠vel seca. M√≠ngua a entrada de capital estrangeiro no Pa√≠s. O Comando dos Trabalhadores Intelectuais congrega nomes da cultura nacional, como Barbosa Lima Sobrinho, Dias Gomes, Enio Silveira, Jorge Amado.

Em fevereiro de 1963, cerca de 6.000 sargentos, cabos e soldados realizam passeata em São Paulo, em apoio à posse dos companheiros de farda eleitos. Em março, é realizado em Niterói, RJ, o Encontro de Solidariedade a Cuba, pois o Governador da Guanabara, Carlos Lacerda, havia proibido o encontro no seu Estado, antigo Distrito Federal.

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), dominado por intelectuais marxistas, atrai subtenentes e sargentos, apresentando cursos e palestras de doutrina√ß√£o comunista. ... o trabalho de aliciamento nas For√ßas Armadas se concentraria sobre os graduados, por serem em maior n√ļmero e, na sua maioria, menos preparados para resistir ao ass√©dio dos profissionais do Partido Comunista. (...) O jornal esquerdista O Seman√°rio dava cobertura a essas atividades, vinculando os subtenentes e sargentos √† campanha nacionalista (AUGUSTO, 2001: 103).

Em julho de 1963, nas comemora√ß√Ķes do anivers√°rio do general Osvino, ent√£o comandante do III Ex√©rcito, reuniram-se em Porto Alegre cerca de 800 subtenentes e sargentos das For√ßas Armadas e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, para fazer afagos ao velho general do povo.

Em 6 de mar√ßo de 1963, houve uma passeata de militares em S√£o Paulo, exigindo a posse dos sargentos eleitos. Militares da Aeron√°utica e da For√ßa P√ļblica compareceram fardados. √Ä mesa diretora sentaram-se os comunistas Rio Branco Paranhos, Geraldo Rodrigues dos Santos, Jos√© da Rocha Mendes Filho, M√°rio Schemberg, Luiz Ten√≥rio de Lima, Oswaldo Louren√ßo e o General reformado Gonzaga Leite, um dos organizadores do Congresso Continental de Solidariedade a Cuba (AUGUSTO, 2001: 104).

As cr√≠ticas e reivindica√ß√Ķes populares dos militares de baixa patente aumentam de tom. Em Fortaleza, o sargento-deputado Garcia Filho afirmou que, se n√£o houvesse uma decis√£o favor√°vel √† posse dos eleitos, a Justi√ßa Eleitoral seria fechada. Pregou o enforcamento dos respons√°veis pela tirania dos poderes econ√īmicos e rotulou a institui√ß√£o militar de nazista (AUGUSTO, 2001: 105).

A 12 de setembro de 1963, h√° uma rebeli√£o de sargentos em Bras√≠lia: sargentos da Marinha e da For√ßa A√©rea, liderados pelo sargento da For√ßa A√©rea, Antonio Prestes de Paula, apossam-se sucessivamente do Minist√©rio da Marinha, da Base A√©rea, da √Ārea Alfa (da Companhia de Fuzileiros Navais), do Aeroporto Civil, da Esta√ß√£o Rodovi√°ria e da R√°dio Nacional (AUGUSTO, 2001: 106). Os revoltosos prenderam um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da C√Ęmara Federal. Na tentativa de invas√£o do Minist√©rio da Aeron√°utica, um marinheiro foi morto a tiro. √Ä tarde os revoltosos j√° haviam sido presos.

No dia 4 de outubro de 1963, Castello Branco, Chefe do Estado-Maior do Ex√©rcito (EME), enviou documento ao Ministro da Guerra, assinalando a necessidade de provid√™ncias sobre a a√ß√£o ilegal, inclusive subversiva, do Comando Geral dos Trabalhadores, a agita√ß√£o insurrecional promovida pelo Deputado Leonel Brizola, a conex√£o de atividades de pol√≠ticos com o motim de Bras√≠lia e os abusos do poder econ√īmico (TAVARES, 1977: 76). Na mesma ocasi√£o, Castello mostrou-se contr√°rio ao Estado de S√≠tio pleiteado por Goulart, para implanta√ß√£o de suas reformas de base.

Sua experi√™ncia no Comando do Ex√©rcito no Nordeste onde teve atritos com o governador Miguel Arraes deu a Castello vis√£o segura de como as injusti√ßas sociais, cr√īnicas e chocantes, eram premeditadamente agravadas para fins pol√≠ticos. Em vez de medidas construtivas, para proteger os interesses dos homens da lavoura contra a explora√ß√£o dos senhores de engenho, o caminho adotado foi de mobiliz√°-los como agentes da subvers√£o, alguns treinados em Cuba, para a agita√ß√£o na √°rea rural, a depreda√ß√£o de propriedades e os inc√™ndios de canaviais. (...) Em An√°polis (Goi√°s) j√° funcionava, a essas alturas, um centro de treinamento para guerrilhas rurais (TAVARES, 1977: 80).

O lado subversivo tinha uma frente bastante ampla para subversão das massas, além do PCB e da dupla Jango-Brizola: a Ação Popular (AP) atuava por meio do Movimento de Educação de Base (MEB); a União Nacional de Estudantes (UNE), por meio de seu Centro Popular de Cultura; a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB), com atuação em vários Estados; e o próprio Ministério da Educação e Cultura (MEC), com as Secretarias de Educação dos Estados, por intermédio da Comissão de Cultura Popular.

Para a formação do homem novo, a história também deve ser nova. A Coleção História Nova surgiu durante o governo Goulart, na Campanha de assistência ao estudante, do MEC, em que os livros tradicionais de história foram reformulados e os fatos interpretados sob a ótica marxista. O MEC editou também a cartilha Viver é lutar, reconhecida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para a alfabetização rural ou seja, alfabetização marxista. A Rádio Ministério da Educação (Rádio da Verdade) era utilizada para propaganda comunista. Nada mais que o Pravda (Verdade, em russo) em ação.

Al√©m dessas organiza√ß√Ķes, havia a dissemina√ß√£o no Brasil dos chamados folhetos cubanos, distribu√≠dos pelo Movimento de Educa√ß√£o Popular (MEP), que serviam de inspira√ß√£o √†s a√ß√Ķes revolucion√°rias das Ligas Camponesas, de Francisco Juli√£o, e aos Grupos dos Onze, de Brizola. Em tudo havia o dedo de Fidel Castro e sua Revolu√ß√£o Cubana: As tentativas revolucion√°rias de inspira√ß√£o cubana em v√°rios pa√≠ses da Am√©rica Latina contr√°rias √† linha pol√≠tica do PCB , iniciadas na d√©cada de 1960 em Honduras, Guatemala, Nicar√°gua, Venezuela, Peru, Col√īmbia, Argentina e Equador, se haviam esgotado no nascedouro ou estavam derrotadas no final de 1963 (AUGUSTO, 2001: 121). Com exce√ß√£o, sabe-se hoje, da Col√īmbia, onde as For√ßas Armadas Revolucion√°rias da Col√īmbia (FARC) j√° atuam por mais de 40 anos e acarretaram a morte de dezenas de milhares de patr√≠cios.

A rea√ß√£o ao estado de desordem que prosperava no Pa√≠s, com a complac√™ncia do presidente da Rep√ļblica, come√ßou a surgir de todos os lados. O apoio √† democracia era exigido pela imprensa: os principais jornais do Brasil pediam o fim dos movimentos baderneiros, como os Di√°rios Associados, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Tribuna da Imprensa, O Globo, Jornal do Brasil. Organiza√ß√Ķes civis, encabe√ßadas por empres√°rios e intelectuais, passaram a promover encontros, desde o final do Governo Kubitschek, para combater a infiltra√ß√£o comunista, que pregava propaganda esquerdista e a estatiza√ß√£o da economia. Assim, no final de 1961, foi criado o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES). T√™m ainda grande influ√™ncia na rea√ß√£o √† progress√£o comunista o Instituto Brasileiro de A√ß√£o Democr√°tica (IBAD), formado tamb√©m por empres√°rios e intelectuais, e a Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), que surge no Rio de Janeiro em 1962, reunindo donas de casa e esposas de l√≠deres sindicais, funcion√°rios p√ļblicos e militares. Essas organiza√ß√Ķes produziam literatura pr√≥pria e tinham ramifica√ß√Ķes em v√°rias cidades do Pa√≠s. A cruzada democr√°tica se amplia: no movimento sindical, com a atua√ß√£o do Movimento Sindical Democr√°tico (MSD); no campo, com o Servi√ßo de Orienta√ß√£o Rural de Pernambuco (SORPE) que, junto com o IBAD, atuava naquela √°rea, contrapondo-se ao m√©todo de alfabetiza√ß√£o de Paulo Freire (AUGUSTO, 2001: 118).

O IPES, o IBAD, a CAMDE e as For√ßas Armadas formaram a base quadrangular decisiva para o desencadeamento da Contra-revolu√ß√£o de 31 de mar√ßo de 1964, contra Jango e Brizola, em sua pol√≠tica de implantar a Rep√ļblica Sindicalista no Brasil.

Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos √ļltimos trabalhos do PCB, desenvolvidos √† luz da estrat√©gia tra√ßada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, al√©m de Kruschev, Mikhail Suslov (ide√≥logo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secret√°rio do Comit√™ Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Rela√ß√Ķes Internacionais). Naquela ocasi√£o, Prestes afirmou: A escalada pac√≠fica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a Am√©rica Latina. (...) ... oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela for√ßa, se necess√°rio, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que ser√° a ante-sala do socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolu√ß√£o nacional-democr√°tica em socialista (AUGUSTO, 2001: 121-2).

Em fevereiro de 1964, foi realizada em Belo Horizonte a Marcha do Ter√ßo, pelos padres Peyton e Botelho e por v√°rias organiza√ß√Ķes femininas patrocinadas pelo IPES. A Marcha condenou Leonel Brizola publicamente como Anticristo. Tamb√©m havia condenado o Governo de Jo√£o Goulart e pedido uma interven√ß√£o militar.

No dia 13 de mar√ßo de 1964, h√° um com√≠cio das esquerdas na Pra√ßa da Rep√ļblica, ao lado da esta√ß√£o ferrovi√°ria da Central do Brasil e do pr√≥prio Minist√©rio da Guerra. Como se sabe, a capital da Rep√ļblica havia sido transferida para Bras√≠lia, em 1960, por√©m muitos minist√©rios ainda permaneciam na antiga capital, Rio de Janeiro. Esse o motivo, tamb√©m, dos v√°rios com√≠cios das esquerdas no Rio, com a presen√ßa do presidente Goulart e do deputado Brizola. Dezenas de faixas e cartazes conclamavam √†s reformas, √† legaliza√ß√£o do Partido Comunista e √† entrega ao povo de armas para a luta. No palanque, ao lado dos principais l√≠deres sindicais e comunistas, alguns deles membros do Comit√™ Central do PCB, alinhavam-se Jango, Arraes e Brizola. Emissoras de r√°dio e televis√£o transmitiam para todo o Pa√≠s os inflamados discursos que se sucediam, preparat√≥rios da fala do presidente (AUGUSTO, 2001: 125-6).

A 25 de mar√ßo, ocorre a rebeli√£o dos marinheiros no Rio de Janeiro, que foi a gota d√°gua que congregou os militares e os levou √† decis√£o de partirem para a a√ß√£o (AUGUSTO, 2001: 128). Na mesma data, ocorre a reuni√£o festiva do 2¬ļ anivers√°rio da Associa√ß√£o de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB), uma entidade criada √† revelia dos regulamentos militares. O marinheiro Anselmo critica as autoridades navais e conclama o povo a derrubar a estrutura anacr√īnica do Pa√≠s, onde apenas os grupos privilegiados absorvem a riqueza que por direito pertence ao povo (AUGUSTO, 2001: 128-9). Na mesma ocasi√£o, foi aprovada uma proposta para que todos permanecessem no local at√© que fossem canceladas puni√ß√Ķes disciplinares contra militares e que os almirantes gorilas fossem substitu√≠dos por almirantes do povo. A indisciplina chegou ao √°pice quando os marinheiros amotinados, desuniformizados, exibindo faixas de apoio do CGT, da Liga Feminina e dos Trabalhadores Intelectuais, sa√≠ram em passeata pela Avenida Presidente Vargas at√© a Igreja da Candel√°ria, levando nos ombros os almirantes Arag√£o e Suzano.

No dia 30 de mar√ßo, ocorre uma reuni√£o na sede do Autom√≥vel Clube, em comemora√ß√£o do anivers√°rio da Associa√ß√£o dos Subtenentes e Sargentos da Pol√≠cia Militar do Rio de Janeiro. A reuni√£o contou com a presen√ßa de centenas de sargentos da pol√≠cia e tamb√©m de graduados recrutados nas For√ßas Armadas. Compareceram ainda diversos oficiais e ministros, entre eles o Almirante Paulo M√°rio, rec√©m-empossado como Ministro da Marinha. Dezenas de comunistas confraternizaram-se com os militares. A manifesta√ß√£o atingiu o seu cl√≠max no momento em que se abra√ßaram, sob os aplausos gerais, o Almirante Arag√£o e o cabo Anselmo (AUGUSTO, 2001: 132). Jango, falando em nome do povo e das For√ßas Armadas e incentivado pelos constantes aplausos, fez um dos discursos mais inflamados de sua vida p√ļblica (AUGUSTO, 2001: 132) na verdade, o √ļltimo como presidente da Rep√ļblica. Segundo Lu√≠s Mir, em A Revolu√ß√£o Imposs√≠vel, a exemplo de 1935, a revolu√ß√£o deveria come√ßar, novamente, pelos quart√©is. (cfr. AUGUSTO, 2001: 121).

No dia 31 de mar√ßo, as For√ßas Armadas brasileiras, com o Ex√©rcito √† frente, colocaram uma p√° de cal no sonho dos comunistas de implantar uma ditadura do proletariado no Pa√≠s. A Contra-revolu√ß√£o teria cinco generais-presidentes e se estendeu at√© 1985, quando o senador Jos√© Sarney assumiu a presid√™ncia da Rep√ļblica devido √† morte de Tancredo Neves, eleito presidente em elei√ß√£o indireta.

Com altos e baixos, o governo dos militares tirou o Pa√≠s da 48¬™ posi√ß√£o e o colocou entre as 8 primeiras economias do mundo. (Em 20 anos de Nova Rep√ļblica, por√©m, ca√≠mos para a 15¬™ posi√ß√£o, e a R√ļssia dever√° nos ultrapassar em 2005. Ca√≠mos tr√™s posi√ß√Ķes somente nos 12 meses de governo Lula da Silva e seu propalado espet√°culo do crescimento). O milagre brasileiro foi detido pelas crises do petr√≥leo de 1973 e 1979. Se n√£o houvesse o monop√≥lio da Petrobr√°s, fruto de nacionalismo est√ļpido, quem sabe, √†quela √©poca j√° ser√≠amos auto-suficientes, como a Argentina havia se tornado em apenas 5 anos, e a hist√≥ria econ√īmica brasileira poderia ter tomado outro rumo. Outra grande obra dos militares foi a erradica√ß√£o dos grupos terroristas que infernizavam o Brasil, os quais tinham orienta√ß√£o e apoio financeiro de Havana, Moscou e Pequim. N√£o fosse a en√©rgica a√ß√£o das For√ßas Armadas, quem sabe, ainda hoje estar√≠amos, como a Col√īmbia, combatendo as For√ßas Armadas Revolucion√°rias Brasileiras (FARB) nas matas de Xambio√°.

Os erros básicos dos militares foram: o gigantismo estatal; a tomada de dinheiro no exterior a juros flutuantes; o descuido com a educação básica o que não ocorreu com os tigres asiáticos, como Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Malásia -; a Lei da Reserva de Informática, que atrasou o ingresso brasileiro no mundo digital em pelo menos 20 anos; a não assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) nem fabricamos a bomba, nem recebemos o supercomputador dos yankees ; enfim, o nosso eterno nacionalismo burro e a xenofobia obsessiva atrasaram a entrada efetiva de nosso País no processo de globalização, iniciado tardiamente no governo Collor de Melo.

Mas esse é outro assunto, para os economistas dissecarem, não para a análise da trajetória de Don Pepe que estamos fazendo neste trabalho. Voltemos, pois, ao maragato dos pampas. Vimos acima o resumo daqueles loucos anos pré-1964, em que a dupla Jango-Brizola se sentia tão bem no caldo anarquista como pato dentro da água. Interessante é que hoje não se lê nos jornais, depois da viagem sem volta do maragato para o purgatório, alguns fatos marcantes de Brizola, como a criação dos G-11 e a acusação de que teria desviado 200 mil dólares enviados por Fidel Castro para promover um movimento guerrilheiro no Brasil. Por que será? Falta de informação? Ou apenas safadeza da imprensa?

Quando estourou a Contra-revolu√ß√£o de 31 de mar√ßo de 1964, Brizola tentou comandar a resist√™ncia aos militares a partir do Rio Grande do Sul. Por r√°dio, incitou os sargentos das For√ßas Armadas a prender todos os oficiais nos quart√©is e seq√ľestrar todo o armamento e muni√ß√£o. Se dependesse de Brizola, o Brasil teria iniciado uma guerra civil sangrenta. Jango, ao contr√°rio, talvez demonstrando um gesto de grandeza, ou de simples realismo, ou ainda, quem sabe, em um raro momento de lucidez n√£o-et√≠lica, preferiu sair do Pa√≠s a ver um derramamento de sangue entre brasileiros. E tinha raz√£o, pois n√£o houve nenhum candidato a dar um tiro sequer para defender a ins√Ęnia do carbon√°rio ga√ļcho.

At√© mesmo M√°rcio Moreira Alves, parlamentar de oposi√ß√£o ao novo Governo, foi a favor dos atos de Castello Branco, como afirma em seu livro "O Despertar da Revolu√ß√£o Brasileira", em que aborda o violento discurso que proferiu na C√Ęmara dos Deputados contra os militares, que teria sido o estopim do Ato Institucional n¬ļ 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968: O protesto que escrevi era uma cr√≠tica por dentro. De um modo geral era eu simp√°tico ao governo militar (pg. 50). Para Marcito, foi um al√≠vio ver a sa√≠da de Jango, pois "achava-o oportunista, inst√°vel, politicamente desonesto... Aparecia b√™bado em p√ļblico, deixava-se manobrar por cupinchas corruptos... e tinha uma grande tend√™ncia ga√ļcha para putas e farras" (op. cit., pg. 51 e 52).

Com a deposi√ß√£o de Jango, o Brasil passou a conhecer um pouco mais sobre Brizola. O maragato havia criado, em 1963, os Grupos dos Onze (G-11), ou Grupo dos Onze Companheiros, na verdade, comandos nacionalistas, que seriam o embri√£o de um futuro Ex√©rcito Popular de Liberta√ß√£o (EPL). Um documento do Grupo afirmava que os G-11 seriam a vanguarda do movimento revolucion√°rio, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolu√ß√£o Socialista de 1917 na Uni√£o Sovi√©tica. (Prova a ignor√Ęncia de Brizola, pois em 1917 havia apenas a R√ļssia, n√£o a URSS.) ... os ref√©ns dever√£o ser sum√°ria e imediatamente fuzilados, a fim de que n√£o denunciem seus aprisionadores e n√£o lutem, posteriormente, para sua condena√ß√£o e destrui√ß√£o. Havia centenas desses Grupos espalhados em todo o Pa√≠s e tinham como miss√£o eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil civis, militares e eclesi√°sticas, como se pode ler nas Instru√ß√Ķes secretas do EPL e seus G-11, no item 8, A guarda e o julgamento de prisioneiros: Esta √© uma informa√ß√£o para uso somente de alguns companheiros de absoluta e m√°xima confian√ßa, os ref√©ns dever√£o ser sum√°ria e imediatamente fuzilados, a fim de que n√£o denunciem seus aprisionadores e n√£o lutem, posteriormente, para sua condena√ß√£o e destrui√ß√£o (AUGUSTO, 2001: 112).

No site antiterrorista Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), lê-se: No início de 1964, Brizola lançou seu próprio semanário, O Panfleto, que veio se integrar à campanha agitativa já desenvolvida pela cadeia da Rádio Mairink Veiga.
Em seus sonhos quixotescos, distribuiu diversos outros documentos para a organiza√ß√£o dos G-11, tais como as Precau√ß√Ķes, os Deveres dos Membros, os Deveres dos Dirigentes, um C√≥digo de Seguran√ßa e fichas de inscri√ß√£o para seus integrantes.
Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídas, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo (http://www.ternuma.com.br/brizola.htm).

Sem ter ninguém para segui-lo no enfrentamento armado, Brizola fugiu para o Uruguai, dizem que vestido de mulher, onde ficou exilado até 1977, fugindo para Portugal depois que o país platino foi também tomado pelos militares.

No Uruguai, Brizola tentou criar v√°rios movimentos de liberta√ß√£o do Brasil. Em janeiro de 1965, foi realizada no Uruguai a unifica√ß√£o de diversos grupos de esquerda, para formar uma frente revolucion√°ria, que seria desencadeada no Brasil pelos Grupos dos 5 (Comit√™s instalados nas empresas e comit√™s rurais). O chamado Pacto de Montevid√©u foi assinado por Leonel Brizola, Max da Costa Santos, Jos√© Guimar√£es Neiva Moreira, Darcy Ribeiro e Paulo Schilling, al√©m de representantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B), da AP (Aldo Arantes), do PCB (H√©rcules Correia dos Reis) e do Partido Oper√°rio Revolucion√°rio Trotskista (PORT) (Cl√°udio Ant√īnio Vasconcelos Cavalcante). Denominada de Frente Popular de Liberta√ß√£o (FPL), os atos de guerra deveriam incluir sabotagem urbana e guerrilha no campo. A maioria dos integrantes da FPL era formada por ex-militares cassados das For√ßas Armadas e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A √ļnica sabotagem, malsucedida, foi em um bueiro da antiga BR-2, pr√≥ximo a Jaguar√£o, RS, com o apoio de um ex-soldado do 13¬ļ Regimento de Cavalaria, de nome Ponciano, que trabalhava com explosivos em uma firma de Jaguar√£o.

Brizola era o líder idealizado por Fidel Castro para a Revolução no Brasil, devido a seu nacionalismo antiimperialista, ou seja, sentimento antiamericano. Após a Contra-revolução de 1964, por intermédio de Lélio Telmo de Carvalho, o grupo de Brizola no Uruguai obteve ajuda de Cuba: treinamento de guerrilha e auxílio financeiro de mais de 1 milhão de dólares. O primeiro pombo-correio enviado a Cuba foi Herbert José de Souza, o Betinho, seguido de Neiva Moreira e do ex-coronel do Exército, Dagoberto Rodrigues (na Tricontinental, Brizola havia enviado Aloísio Palhano, ex-membro do CGT). Pressionado por Cuba, para justificar os recursos financeiros, Brizola, João Goulart e outros exilados no Uruguai criaram em 1966 o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), para implantar a guerrilha no campo. O MNR articulou a Guerrilha do Caparaó, na região do Pico da Bandeira, em Minas Gerais, onde todos os integrantes foram presos em 1967, depois de serem denunciados às autoridades, por abaterem reses, antes mesmo de desencadear qualquer tipo de ação terrorista. Brizola não contratou advogados para os presos e não prestou conta dos dólares cubanos. Os remanescentes desse grupo uniram-se à esquerda da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP) para criar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

As For√ßas Armadas de Liberta√ß√£o Nacional (FALN) foram outro movimento criado pelo brancaleone dos pampas. O plano previa um movimento (coluna) que sairia do Rio Grande do Sul, sob comando do ex-coronel do Ex√©rcito, Jefferson Cardim Os√≥rio, para juntar-se no Mato Grosso com outra coluna que viria da Bol√≠via, sob comando do ex-coronel da Aeron√°utica, Emanuel Nicoll. Os comandados do Cel Jefferson assaltaram alguns postos policiais da Brigada Militar, levando um autom√≥vel, fardamentos e muni√ß√£o, al√©m de realizarem um assalto a um ag√™ncia do Banco do Brasil. Atravessaram Santa Catarina e penetraram no Paran√°; no munic√≠pio de Le√īnidas Marques, no dia 27 Mar 1965, os rebeldes prepararam uma emboscada a uma viatura do Ex√©rcito, por√©m foram repelidos pelos militares, fugindo para o mato e depois capturados. Na opera√ß√£o, morreu o 3¬ļ sargento Carlos Argemiro Camargo. O ex-sargento da Brigada Militar, Albery Vieira dos Santos, um dos integrantes das FALN, declarou em 1978 que o dinheiro para financiar a opera√ß√£o 1 milh√£o de d√≥lares havia sido conseguido em Cuba e levado a Brizola por Darcy Ribeiro e Paulo Schilling; em fevereiro de 1979, o ex-sargento Albery foi misteriosamente assassinado. O Cel Jefferson s√≥ veio a falecer em 1995, embora o livro A Esquerda Armada no Brasil (t√≠tulo original de Los Subversivos, editado pela Casa de las Americas, de Havana) afirme que o Cel Jefferson foi torturado at√© a morte em 1971. Como sempre, os comunistas - ou socialistas, se assim preferir o leitor, d√° na mesma s√£o mestres na arte do assassinato, da desinforma√ß√£o e da mentira.

As a√ß√Ķes quixotescas de LArmata Brizoleone (uma alus√£o ao Fant√°stico Ex√©rcito de Brancaleone, filme de Mario Monicelli, com Vittorio Gassman) e seu escudeiro Darcy Sancho Pan√ßa Ribeiro est√£o muito bem descritas por F. Dumont em http://www.ternuma.com.br/brizola.htm. Deve ser por isso que o l√≠der do PSDB no Senado, Arthur Virg√≠lio, afirmou que Brizola foi sempre seu her√≥i de capa e espada (Correio Braziliense, 22/06/2004, se√ß√£o Pol√≠tica, pg. 4). Sabia-se, pelos jornais, que Brizola teria desviado 100 mil d√≥lares enviados por Cuba. Betinho, que mais tarde viria a ser a Madre Teresa dos coitadinhos do Brasil, por√©m, em depoimento ao Jornal do Brasil, em 17/07/1996, afirma que foram 200 mil. Ironicamente, Brizola, que tinha o h√°bito de colocar apelidos em seus advers√°rios, como sapo barbudo para se referir a Lula, ou filhote da ditadura para atazanar Fernando Collor, recebeu o devastador apelido de el rat√≥n de Fidel Castro. Est√° explicado por que, nestes anos todos, nunca se viu uma foto do Abutre do Caribe conversando com Don Pepe de los Pampas.

No in√≠cio de 1979, o √ļltimo dos maragatos lan√ßou a Carta de Lisboa, base do futuro Partido Democr√°tico Trabalhista (PDT). Brizola criou esse novo partido em 1981, depois de perder para Ivete Vargas, sobrinha de Get√ļlio, a sigla PTB. Depois da Lei da Anistia, em 1979, al√©m da recria√ß√£o do PTB e do nascimento do PDT, destaca-se a cria√ß√£o do PMDB (oriundo do antigo MDB, de oposi√ß√£o) e do PDS (substituto da Arena, partido de apoio aos governos militares).

Convém lembrar que o Projeto de Anistia, proposto pelo PMDB e PDS durante o Governo Figueiredo, era mais restrito do que o apresentado pelo próprio Governo, pois deixara de fora importantes líderes como Prestes, Brizola e Arraes. Naturalmente, não desejavam a concorrência desses líderes na vida política do país (AUGUSTO, 2001: 460 e 461).

De volta ao Brasil, Brizola recome√ßa sua vida pol√≠tica, em campanha para governador do Rio de Janeiro. S√£o tempos ainda conturbados, com a√ß√Ķes terroristas de direita, inconformada com a abertura pol√≠tica iniciada por Geisel. No dia 18 de janeiro de 1980, foi desativada uma bomba no Hotel Everest, no Rio de Janeiro, onde estava hospedado Leonel Brizola. Na noite de 30 de abril de 1981, durante um show de m√ļsica popular para 20 mil jovens, uma bomba explode dentro de um autom√≥vel que manobrava no estacionamento do Riocentro, na Barra da Tijuca. Morto no seu interior o Sargento Guilherme Pereira do Ros√°rio; gravemente ferido abandona o ve√≠culo semidestru√≠do o Capit√£o Wilson Lu√≠s Chaves Machado, ambos do Destacamento de Opera√ß√Ķes de Informa√ß√Ķes do 1¬ļ Ex√©rcito sediado no Rio de Janeiro. Minutos depois outra bomba, mais poderosa, √© lan√ßada e explode pr√≥ximo √† casa de for√ßa do Riocentro. Como n√£o atinge o seu alvo, n√£o provoca a escurid√£o geral que certamente ocasionaria o p√Ęnico no recinto fechado do show, com conseq√ľ√™ncias f√°ceis de se imaginar (GRAEL, 1985: 81).

Antes do Atentado do Riocentro, nos anos de 1980 e 1981, durante 16 meses, houve 40 atentados diversos contra √ďrg√£os que faziam oposi√ß√£o ao governo Figueiredo incluindo o atentado contra Brizola, citado acima. Nenhum desses atentados foi elucidado por Figueiredo, que passou a ser, desde o caso do Riocentro, um cad√°ver pol√≠tico.

Em 1982, Brizola elege-se governador do Estado do Rio de Janeiro, em disputa polêmica, só solucionada depois de ser descoberta a fraude: um programa adulterado lançava parte de seus votos para os concorrentes (Correio Braziliense, 22/06/2004, seção Política, pg. 5). O espalhafatoso maragato dos pampas estava de volta à luta para decepar as cabeças dos chimangos que existiam somente em sua imaginação.

Em seu primeiro governo fluminense, Brizola fez algumas coisas √ļteis, como a constru√ß√£o dos Centros Integrados de Educa√ß√£o P√ļblica (CIEPs) e do Samb√≥dromo. O resto foi um desastre s√≥, como a encampa√ß√£o de linhas de √īnibus e a entrega dos morros cariocas aos traficantes de armas e drogas, know-how depois exportado para S√£o Paulo e outras grandes cidades brasileiras com grande sucesso.

A idéia dos CIEPs era formidável. Nessa invenção de Darcy Ribeiro, concretizada por Oscar Niemayer, as crianças permaneceriam na escola em tempo integral. Além das disciplinas escolares, teriam tempo para usufruir da biblioteca local, para os trabalhos de casa, além de quadras para a prática de esportes. Coisa de primeiro mundo. Porém, a verba era curta e a construção dos prédios imponentes, muito cara. Da boa idéia brizolista nasceram uns poucos CIEPs, colocados estrategicamente à beira das avenidas mais conhecidas, como a Avenida Brasil, e na entrada de algumas favelas. Os adversários políticos tinham razão em afirmar que se tratava de uma mera jogada de marketing.

N√£o faltaram, nem faltam, imitadores de Brizola. Collor tentou dar continuidade aos CIEPs, por√©m chegou apenas a construir meia d√ļzia desses elefantes brancos, aos quais deu o nome de Centro Integrado de Apoio √† Crian√ßa (CIAC). Itamar Franco, que o substituiu depois do impeachment, emplacou alguns Centros de Atendimento Integral √† Crian√ßa (CAICs). E, hoje, Marta Suplicy impressiona os incautos com seus fara√īnicos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Como se v√™, ningu√©m neste Pa√≠s d√° continuidade a um projeto iniciado por outro pol√≠tico. Se d√°, logo muda de nome, como ocorre no momento com o Fome Zero de Lula da Silva, baseado em programa semelhante iniciado por Fernando Henrique Cardoso. √Č a s√≠ndrome de Macuna√≠ma, a √©tica da esculhamba√ß√£o nesta Terra dos Papagaios. Infelizmente, n√£o deu certo a id√©ia de Darcy Ribeiro em fazer avan√ßar a educa√ß√£o brasileira, que continua a avan√ßar como caranguejo.

O Sambódromo foi outra obra importante e necessária feita por Brizola. A cada carnaval, firmas contratadas levavam uns dois meses para montar a estrutura e outros dois meses para desmontar. Gastava-se uma fortuna e nada ficava no lugar. Com a construção do Sambódromo, a obra ficou perene e ainda abriga salas de aulas embaixo das arquibancadas, além de servir para shows diversos, especialmente na Praça da Apoteose.

Hoje, é ponto pacífico (exceto entre os pedetistas) que os dois governos Brizola favoreceram a propagação do tráfico de drogas e armas no Rio de Janeiro. A respeito do assunto, é importante transcrever o que Sebastião Nery escreveu em 1988:

Noriega-Brizola

Sebasti√£o Nery

Tribuna da Imprensa Set 1988

1. SALVADOR. Na semana passada, em Bras√≠lia, fui jantar em casa de uns amigos e l√° encontrei um grupo de importantes oficiais da ativa do Ex√©rcito: generais, coron√©is, majores. A conversa come√ßou pelas elei√ß√Ķes deste ano, passou para a sucess√£o presidencial e da√≠ a pouco estava na grav√≠ssima e dram√°tica penetra√ß√£o do tr√°fico internacional de drogas no Brasil e sua liga√ß√£o com pol√≠ticos brasileiros. De repente me vi dentro de uma sabatina. Eles queriam saber qual a verdadeira medida da liga√ß√£o de Brizola com o crime organizado no Rio: jogo do bicho, coca√≠na, ferro-velho, ouro fundido, prostitui√ß√£o, etc. Entrei na madrugada fazendo uma an√°lise minuciosa, detalhada, do problema e mostrando como Brizola substituiu conscientemente, estrat√©gicamente, a representa√ß√£o pol√≠tica nas favelas e sub√ļrbios do Rio, tirando os velhos l√≠deres tradicionais do fisiologismo chaguista, que trocavam votos por empregos, assistencialismo, for√ßa pol√≠tica e pondo no lugar deles os poderosos chefes do tr√°fico de drogas que Brizola chama de cintur√£o popular para derrotar as elites urbanas.

2. MILITARES Os oficiais do Ex√©rcito ficaram perplexos. Eles tinham dados, conheciam os fatos, estavam preocupados, mas ainda n√£o tinham feito uma an√°lise pol√≠tica e sociol√≥gica do processo. Mostrei-lhes que o poder pol√≠tico sempre foi uma transfer√™ncia de representa√ß√£o. No interior, no Nordeste, os coron√©is s√£o o bra√ßo social e pol√≠tico do poder estadual. Os governadores governam ainda hoje atrav√©s dos l√≠deres do interior, muitos deles de tradicionais fam√≠lias. Comandam pelo assistencialismo, pelo fisiologismo, pela troca de voto por poder administrativo. √Č um velho vicio do concentrado poder pol√≠tico do pa√≠s. Mas de qualquer forma esses coron√©is s√£o legais, representam suas comunidades, defendem a seu modo os interesses da popula√ß√£o, conseguem estradas, escolas, melhorias e empregos p√ļblicos. Nas grandes cidades, os coron√©is s√£o de fam√≠lias ou l√≠deres que dominam tradicionalmente os sub√ļrbios, as favelas. No Rio, eram ou s√£o os Mesquita em Jacarepagu√°, os Fernandes em Santo Cristo, Jorge Leite em Madureira, Armando Fonseca na Rocinha, etc. Um m√©todo antigo e viciado de fazer pol√≠tica. Mas, de qualquer forma legal, eles se elegiam ou mandavam representantes para a C√Ęmara de Vereadores, para a Assembl√©ia, para a C√Ęmara Federal.

3. BRIZOLA Os oficiais do Ex√©rcito tinham ouvido o galo cantar, mas n√£o sabiam bem onde. Mostrei-lhes que, na medida em que Brizola substituiu esses coron√©is urbanos tradicionais pelos chefes do tr√°fico de drogas nas 454 favelas do Rio, ele criou um ex√©rcito marginal para comandar seu cintur√£o popular em torno da cidade. √Č que, no primeiro instante de uma convuls√£o social que n√£o est√° longe de acontecer, n√£o seriam os partidos pol√≠ticos, a Igreja, ou quaisquer lideran√ßas legais que iriam comandar ou controlar a explos√£o. Seriam inevitavelmente os chefes da droga, porque s√£o eles que tem armas, dinheiro, liga√ß√Ķes com autoridades, for√ßa, portanto poder sobre os mais de 2 milh√Ķes de favelados e mais de 2 milh√Ķes de moradores das periferias pobres, √© o ex√©rcito brizolista. N√£o √© mais o ilegal Clube dos Onze de 1963. √Č o marginal Clube dos 454 de hoje. E uma estrutura dessas n√£o se monta trocando flores. √Č negociando poder ou dinheiro. Da√≠ √© que vem toda essa fant√°stica caixinha que Brizola faz em nome do PDT para tentar comprar a presid√™ncia da Rep√ļblica. At√© agora ele aplicou o dinheiro em terras no Uruguai e nas suas gordas contas banc√°rias de Montevid√©u e Nova Iorque. Mas, na hora em que a campanha esquentar, ele vai desovar esse dinheiro sujo.

4. GABEIRA Na sa√≠da do jantar, j√° madrugada, um dos oficiais me chamou a um canto e perguntou nervoso: Nery, ser√° que voc√™ n√£o est√° exagerando? Ser√° que o Brizola e o PDT do Rio t√™m mesmo esse acordo, essa associa√ß√£o, essa alian√ßa com o tr√°fico de drogas e o crime organizado? Eu lhe disse apenas duas coisas: Coronel, ponho minha m√£o sobre a b√≠blia e lhe asseguro que, diante de Brizola, Maluf √© uma menina de primeira comunh√£o. E mais. Lembre-se da declara√ß√£o de Gabeira, poucos dias atr√°s. Gabeira √© um dos intelectuais mais brilhantes, mais l√ļcidos, mais capazes e mais profundamente participantes que o pa√≠s tem hoje. Ele disse que o poder militar do Comando Vermelho, da Falange Vermelha, do tr√°fico de drogas no Rio, √© muito maior do que toda a luta armada dos anos 70 contra os governos militares. E este √© um ex√©rcito marginal √† disposi√ß√£o de Brizola. O coronel me perguntou se eu estava disposto a discutir esse assunto mais profundamente, outra hora. Disse-lhe que estava, contanto que fosse em p√ļblico, em um audit√≥rio. N√£o sei se ele dormiu aquela noite. Mas certamente acordou em p√Ęnico, Domingo, com a magn√≠fica denuncia de Roni Lima, no Jornal do Brasil: Comando Vermelho abre morros para Marcelo Alencar.

5. JORNAL DO BRASIL Logo no Domingo um dos oficiais presentes ao jantar telefona para minha casa em Bras√≠lia (eu j√° estava aqui em Salvador), n√£o me encontra e depois diz a um amigo meu que n√£o era poss√≠vel que, no jantar de quarta-feira, eu j√° n√£o soubesse da mat√©ria que o Jornal do Brasil publicaria Domingo, porque antecipei todos os dados e fatos. O que me impressionou sobretudo foi os traficantes terem fechado as favelas para todos os outros candidatos, com exce√ß√£o do candidato do PDT, terem recebido a bala e corrido do morro de S√£o Carlos, no Catumbi, o candidato do PTB, deputado Roberto Jefersson, e todas as ordens estarem sendo dadas a partir dos pres√≠dios onde est√£o Escadinha e outros l√≠deres do Comando Vermelho, da Falange Vermelha atrav√©s de bilhetes de torpedos. E o oficial perguntou a este amigo meu: Ser√° que n√£o vai ser feita uma Comiss√£o Parlamentar de Inqu√©rito na C√Ęmara Federal ou Senado para apurar isso? Onde est√£o os partidos e seus l√≠deres?

6. ARTUR DA T√ĀVOLA Foi perfeita a rea√ß√£o de Artur da T√°vola: Marcello Alencar √© o candidato dos bandidos. A not√≠cia do Jornal do Brasil atesta a alian√ßa entre o jogo do bicho, o t√≥xico e os pedetistas. E Marcello Alencar, com aquela tremenda cara-de-pau tombando como garrafa vazia, passou recibo: Vou ter os votos dos bandidos mas terei tamb√©m votos das pol√≠cias civil e militar. O Roni Lima, do JB, tem raz√£o: Essa aproxima√ß√£o de pol√≠ticos com os cada vez mais armados e organizados traficantes dos morros √© pelo oportunismo eleitoral. N√£o existe nenhuma favela do Rio se organizando sem o aval do tr√°fico, atesta o funcion√°rio da prefeitura. Fingir que os caras n√£o existem √© chumbo grosso.

7. NORIEGA Quem assistiu o debate entre os dois candidatos a presid√™ncia dos EUA, Bush e Dukakis, ouviu bem quando Dukakis acusou o governo Reagan por suas rela√ß√Ķes com o general Noriega, o ditador panamenho, traficante de droga. Aqui no Brasil √© muito pior. Um candidato a presid√™ncia da Rep√ļblica √© o pr√≥prio Noriega nacional, o Noriega Brizola que faz ele pr√≥prio o seu partido, alian√ßa com o crime organizado. Engane-se quem quiser. Seja est√ļpido quem for. Mas a esta altura ningu√©m mais tem direito, no pa√≠s, de dizer que n√£o sabe, n√£o viu, n√£o lhe contaram, que os candidatos do PDT s√£o os candidatos do tr√°fico de drogas, que Brizola √© o candidato √† presid√™ncia do cartel Medelin nacional, j√° est√° denunciado, mostrado, provado. Os ilustres oficiais da ativa do Ex√©rcito do jantar da semana passada em Bras√≠lia j√° n√£o tem o direito de se mostrarem surpresos, perplexos, com a aud√°cia de Brizola, o √ļnico pol√≠tico brasileiro importante que j√° teve coragem de fazer alian√ßas e engordar sua caixinha com o crime organizado todo. At√© aqui, o mais que ousavam era fazer pactos com o jogo do bicho. Brizola joga pesado com os traficantes de drogas, como disse Artur da T√°vola, ele e o PDT foram os primeiros.

8. E O EX√ČRCITO As For√ßas Armadas lutaram desde o primeiro dia da Constituinte para manterem, na Constitui√ß√£o, seu privil√©gio de respons√°veis e fiadores da ordem interna. O que √© ordem interna? Ser√° que a ordem interna √© apenas a greve dos trabalhadores empobrecidos e explorados por uma pol√≠tica econ√īmico-financeira criminosa? Ser√° que a ordem interna √© apenas a luta do povo brasileiro em defesa dos interesses nacionais negociados, retalhados, vendidos nos a√ßougues dos banqueiros internacionais pelos Mailson N√≥brega da vida? Ser√° que a entrega do poder pol√≠tico a o tr√°fico de drogas nas favelas e periferias das grandes cidades n√£o √© problema de ordem interna? Como imaginar que possa chegar √† presid√™ncia da Rep√ļblica um Noriega nacional publicamente aliado, conluiado, associado, ele e seu partido, com os bandidos do t√≥xico? N√£o podemos entregar a Na√ß√£o ao Noriega de Carazinho.

Nem por nada que coca√≠na, durante o governo do maragato, era sin√īnimo de brizola, tamb√©m abreviado para briza na g√≠ria carioca. Nada mais esclarecedor. A trouxinha de briza custava na √©poca, segundo os jornais, 1 quina uma alus√£o ao n√ļmero 5 seguido de n√£o me lembro quantos zeros. Afinal, a infla√ß√£o naqueles tempos galopava mais r√°pido que a eg√ľinha pocot√≥ de Figueiredo na Granja do Torto. Vez por outra, Neusinha, filha de Brizola, se via envolvida com traficantes de drogas nos morros, onde ia renovar seu abastececimento.

Brizola proibiu a polícia de subir os morros cariocas. Dizia que a medida era para evitar o constrangimento dos cidadãos, de serem revistados, como se todos fossem bandidos. Dentro dessa lógica, Brizola deveria ter abolido a própria Polícia Militar, porque, se o cidadão do morro não pode se sentir constrangido, por que o cidadão do asfalto deveria ser nas blitzen da polícia?

Al√©m do aumento do tr√°fico de armas e drogas, os dois governos Brizola permitiram a prolifera√ß√£o desenfreada de favelas. Pra√ßas p√ļblicas foram invadidas para a constru√ß√£o de barracos e at√© casas de alvenaria, principalmente no sub√ļrbio carioca. Revistas importantes, como Veja, sempre deram destaque a esse assunto, como em seu n√ļmero 1860, de 30/05/2004, pg. 54, no texto As mortes de Brizola, de Mario Sabino: O antibrizolista ressente-se de um fato inconteste: a alastramento das favelas, inclusive no cart√£o-postal da Zona Sul, e a ascens√£o dos traficantes de drogas durante o governo de Brizola. N√£o se trata de coincid√™ncia. O brizolismo nutriu-se diretamente dos bols√Ķes de pobreza cariocas, por meio de duas medidas: o fim das remo√ß√Ķes de favelas e a proibi√ß√£o de que a pol√≠cia fizesse incurs√Ķes nos morros favelizados, sob a alega√ß√£o de que os seus habitantes sofriam muito com a viol√™ncia policial. Pois os pobres favelados deixaram de ser atormentados pela pol√≠cia, para penar sob os traficantes. Sem repress√£o, em pouco tempo, os traficantes armaram-se pesadamente e os morros se transformaram em fortalezas. Sem amea√ßa de remo√ß√£o, as favelas incorporaram constru√ß√Ķes de alvenaria e multiplicaram-se. Quando Brizola assumiu o governo, em 1983, havia 377 favelas no Rio de Janeiro n√ļmero que pulou para 520 ao fim do seu primeiro mandato. O brizolismo matou o urbanismo, para ganhar a simpatia imediata dos humildes.

Os bandidos, at√© hoje, agradecem. Passaram a ter um campo f√©rtil para prosperar na capital fluminense, sem restri√ß√£o s√©ria das autoridades, a exemplo do Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TC). S√≥ podia dar no que deu. O CV foi criado em 1979 no Pres√≠dio C√Ęndido Mendes, na Ilha Grande, RJ. Nasceu da promiscuidade entre criminosos comuns e presos pol√≠ticos um grave erro cometido pelos governos militares p√≥s-1964. Seu principal fundador foi William da Silva Lima, o Professor, que pregava teses marxistas em sua luta pelos direitos dos presos. O CV virou um poder paralelo e passou a controlar o sistema penitenci√°rio fluminense desde o in√≠cio da d√©cada de 1980. O Primeiro Comando da Capital (PCC), inicialmente denominado de Serpentes Negras na Penitenci√°ria do Estado (SP), onde era atuante desde 1983, passou a ter essa denomina√ß√£o em 1993, na Casa de Cust√≥dia de Taubat√©, SP. O PCC seria uma ramifica√ß√£o do Terceiro Comando, organiza√ß√£o que se rebelou na d√©cada de 1990 de sua matriz, o Comando Vermelho.

O Haiti √© aqui diz uma conhecida can√ß√£o brasileira. Para que, ent√£o, enviar tropas √†quele outro Haiti, o do Caribe? Segundo a PF, h√° pontos de t√≥xicos de morros cariocas com 300 fuzis, ou seja: um poder de fogo superior ao de duas companhias de fuzileiros de um batalh√£o de infantaria do Ex√©rcito. √Č esse arsenal, sobre o qual as For√ßas Armadas e a Pol√≠cia Federal n√£o t√™m nenhum controle, que torna o tr√°fico do Rio peculiar e mais assustador do que qualquer outra grande cidade no mundo (revista Isto√© n¬ļ 1707, de 19/06/2002, pg. 27, in No front inimigo, de Francisco Alves Filho e Marcos Pernambuco). Trata-se de fato consumado: a bandidagem tomou conta das cidades do Rio de Janeiro e de S√£o Paulo. S√£o seus verdadeiros prefeitos. N√£o existe nada de mais preciso e cruel do que aquela letra de rap, que diz: Dominado! T√° tudo dominado! Por isso, s√£o sucesso nos bailes funks dos morros CDs como Proibid√£o, que faz apologia ao tr√°fico de drogas e √† morte de policiais: Cheiro de pneu queimado/ Carburador furado/ Um X-9 foi queimado (Isto√©, n¬ļ cit., pg. 29).

Brizola, como todo ga√ļcho de dentro (do interior) que se preza, sempre foi um pai e um av√ī atento com a fam√≠lia, exercendo um poder patriarcal que n√£o admitia contesta√ß√£o. Quando Neusinha quis tirar a roupa para um revista masculina, o velho maragato foi energicamente contra, impedindo que a prostitui√ß√£o impressa se consumasse, alegando que tinha que resguardar a vida de sua netinha, que merecia um melhor exemplo de sua m√£e. Nada mais correto.

Sobre o Governo Paralelo, inventado pelo PT ap√≥s a vit√≥ria de Fernando Collor de Melo, Ipojuca Pontes tem uma premoni√ß√£o, ao escrever, em Estrat√©gia terrorista, publicada em O Estado de S. Paulo, em 1989: O projeto de Lula, a ser discutido e provavelmente acatado por Brizola e Arraes, mais do que criar condi√ß√Ķes estrat√©gicas para firmar uma posi√ß√£o intransigente, tem por objetivo claro desestabilizar o futuro governo Collor de Melo e, se poss√≠vel, depois, pela radicaliza√ß√£o, lev√°-lo ao impeachment (PONTES, 2003: 117). Collor foi afastado do governo, acusado de ser conivente com a corrup√ß√£o conduzida por seu tesoureiro de campanha pol√≠tica, Paulo C√©sar Farias. Posteriormente, Collor foi absolvido pelo STF e isso comprova que tudo n√£o passou de um mero golpe de Estado de Lula e seus companheiros de viagem. Deve-se frisar aqui a firme posi√ß√£o de Brizola: ele n√£o apoiou a malandragem petista e foi um dos √ļltimos pol√≠ticos a apoiar o afastamento de Collor. Afinal, corrup√ß√£o por corrup√ß√£o, ela foi muito maior no governo FHC e nestes 18 meses da Rep√ļblica dos Companheiros, que instalou um mafioso na ante-sala do Pal√°cio do Planalto, Waldomiro Diniz, bra√ßo direito do Rasputin da Rep√ļblica dos Companheiros, Jos√© Dirceu.

O autoproclamado esperto povo carioca e fluminense ficou hipnotizado pela conversa mole daquele maragato que sempre repetia eu venho de longe, tás me compreendendo? e o elegeu pela segunda vez, em 1991. Desgraça pouca é bobagem. Dizia-se, à época, que Brizola era o maior latifundiário do planeta: criava gado no Uruguai, cangurus na Austrália e burros no Rio de Janeiro. Meu compadre, de Bangu, então brizolista doente (hoje arrependido), quase brigou comigo quando contei a anedota...

Sobre uma coisa Brizola sempre teve raz√£o: as cr√≠ticas que fazia contra as Organiza√ß√Ķes Globo, especialmente a TV Globo. Nascida √† sombra dos quepes dos militares, a TV Globo sempre se mancomunou com o poder. Imp√īs quem devia ser eleito, como Collor em 1989, para depois arruin√°-lo e pavimentar o seu caminho at√© o cadafalso. Da mesma forma, a TV Globo colocou Lula da Silva em uma bolha de vidro, na campanha de 2002, isolando-o de qualquer tipo de cr√≠tica ou ataque, como as suspeitas de ter recebido dinheiro do propinoduto de Santo Andr√© e das FARC. Quando B√≥ris Casoy inquiriu sobre as liga√ß√Ķes do PT com as FARC, Lula amea√ßou: Nunca mais fa√ßa esse tipo de pergunta!. Hoje, √© corriqueira a vers√£o de que as Organiza√ß√Ķes Globo quiseram t√™-lo √† m√£o no futuro, como presidente, quem sabe quando precisarem do estrat√©gico dinheiro do BNDES para tirar algumas de suas empresas do buraco, onde se encontram h√° algum tempo. Uma amea√ßa ao governo Lula j√° veio de uma empresa dos Marinhos, a revista √Čpoca, que mostrou ao Pa√≠s as √≠ntimas liga√ß√Ķes do principal assessor de Jos√© Dirceu, Waldomiro Diniz, com um bicheiro, de quem exigia gorda propina. Brizola, mais uma vez, tinha toda a raz√£o em criticar o Polvo Global.

O maior erro de Brizola, depois do desastre carioca, foi seu nacionalismo pueril e sua xenofobia obsessiva. Nesse sentido, tem raz√£o a revista Veja n¬ļ 1860, de 30/06/2004, pg. 52, ao colocar em manchete: Caudilhismo, populismo, nacionalismo: as id√©ias e os conceitos em que acreditava o pol√≠tico foram sepultados antes dele. Brizola sempre falava a favor dos inter√©sses (sic!) do Brasil, por√©m agia de modo a prejudicar nosso Pa√≠s, na medida em que tinha √≥dio infantil aos EUA e restri√ß√Ķes √† entrada de capital estrangeiro. Brizola era um dos principais integrantes da monoc√≥rdia batucada cabocla, que prega a estatiza√ß√£o da economia e a persegui√ß√£o aos empres√°rios, especialmente estrangeiros. A prova mais veemente desse erro de interpreta√ß√£o pode ser facilmente constatada com um exemplo simples. A cidade de S√£o Bernardo do Campo, SP, hoje, ocupa no Brasil a primeira posi√ß√£o de √ćndice de Desenvolvimento Humano (IDH). Foi a entrada de capital estrangeiro, erguendo in√ļmeras ind√ļstrias, especialmente a automotiva, que desenvolveu a cidade e deu emprego a milhares de pessoas, inclusive Lula. Riqueza sempre gera mais riqueza, n√£o importa se o capital √© nacional ou estrangeiro. Mis√©ria s√≥ traz mis√©ria. N√£o fossem as empresas estrangeiras terem se instalado na regi√£o da Grande S√£o Paulo, Lula hoje, provavelmente, estaria colhendo xique-xique e ca√ßando calango em Garanhuns para sobreviver.

Cor√ß√£o estabelece a distin√ß√£o para destacar que o patriotismo √© o aspecto positivo do nacionalismo. O nacionalismo, por√©m, √© o aspecto negativo do patriotismo. O que h√° de reprov√°vel no nacionalismo √© o exclusivismo, a agressividade, a xenofobia... No nacionalismo sempre h√° bodes expiat√≥rios e a cren√ßa em secretas conspira√ß√Ķes mal√©ficas (MEIRA PENNA, 1992: 176).

Um antigo e esquecido exemplo de nacionalismo xen√≥fobo a que se refere Meira Penna e burro, como s√£o todos os nacionalismos xen√≥fobos vale ser lembrado. Em 1918, o empres√°rio americano Percival Farquhar pretendia instalar uma siderurgia no Brasil, ao mesmo tempo em que exploraria a minera√ß√£o de ferro, para exporta√ß√£o de 3 milh√Ķes de toneladas. Farquhar era chamado de trustman pelos nacionalisteiros, por ser controlador de v√°rias empresas no Brasil ferrovias, portos, energia el√©trica, frigor√≠ficos, a Amazon Land Colonisation. A sua Brazil Railway Company em 1916 dominava quase a metade das ferrovias nacionais: 11.064 km do total de 23.491 km posteriormente encampadas pelo Governo Federal.

Pois bem: a competente xenofobia brasileira na √©poca se op√īs ao projeto de Farquhar, atrasando nossa arrancada industrial por tr√™s d√©cadas. Foi preciso haver uma II Guerra Mundial e os americanos utilizarem bases militares no Nordeste brasileiro e na Amaz√īnia para que nos presenteassem a Companhia Sicer√ļrgica Nacional (CSN), constru√≠da em Volta Redonda, RJ, que veio a operar em 1946. A ent√£o estatal Vale do Rio Doce pretendia exportar 3 milh√Ķes de toneladas de min√©rio de ferro, em 1955, quando 30 anos antes era essa a quantidade do projeto de Farquhar. O mais grave √© que, na √©poca, provavelmente n√£o havia ainda o conluio comunista para tal nacionalismo terceiro-mundista, t√£o em voga nos tempos atuais de Paz no Iraque, fora ALCA, fora EUA, A Amaz√īnia √© nossa, O Pantanal √© nosso e Alc√Ęntara √© nossa. Enquanto inflamos nosso ego, com orgulho nacionalista tolo, deixamos de ocupar a Amaz√īnia, onde transitam traficantes de drogas, traficantes de minerais raros e contrabandistas que levam nossa rica biodiversidadel para patentea√ß√£o no exterior. Enquanto gritamos irados slogans antiamericanos a respeito de Alc√Ęntara, deixamos de faturar 30 milh√Ķes de d√≥lares anuais (MAIER, 2003).

A culpa pelos nossos fracassos, segundo os nacionalistas brasileiros, s√£o os EUA. Tanto essa moda caipira foi cantada pelos violeiros esquerdosos que 66% dos brasileiros passaram a acreditar no sofisma, conforme pesquisa feita pela BBC e publicada na revista Veja n¬ļ 1815, de 13/08/2003, pg. 59, sob o t√≠tulo Avers√£o ao Tio Sam. Na referida pesquisa, somente a Jord√Ęnia ultrapassou o Brasil em sentimento anti-ianqui. Hoje, somos mais antiamericanos do que a R√ļssia (28%), que, teoricamente, teria muito mais motivo para ter √≥dio dos americanos; a Fran√ßa (51%), carro-chefe da esquerda mundial; e a pr√≥pria Indon√©sia (58%), que tem a maior popula√ß√£o mu√ßulmana do mundo. E olha que ainda n√£o se tem not√≠cia do desembarque de nenhum marine na Amaz√īnia. Inveja do progresso americano, aliada ao saudosismo stalinista - essas s√£o as reais causas, nada mais, deste tipo de √≥dio visto em v√°rias partes do mundo, inclusive nesta Terra dos Papagaios, como bem provou Jean-Fran√ßois Revel em seu magistral livro A obsess√£o antiamericana.

A mesma virose nacionalisteira, que tamb√©m infectou Brizola, pode ser comprovada no antigo slogan O petr√≥leo √© nosso. Devido a essa estupidez, o Pa√≠s criou uma empresa estatal para monopolizar a extra√ß√£o, com√©rcio e refino do petr√≥lo, a Petrobr√°s, n√£o permitindo a competi√ß√£o com empresas privadas, mesmo nacionais. Como resultado da burrice, ainda importamos, hoje, cerca de 15% do petr√≥leo e temos uma das gasolinas mais caras do mundo. Nem √© preciso dizer que a Petrossauro - um apelido preciso inventado por Roberto Campos -, como todo dinossauro estatal, √© um formid√°vel cabide de empregos, gerando corrup√ß√£o e desvio de dinheiro, al√©m de patrocinar um clube de futebol falido, o Flamengo, √†s custas do suado dinheiro do trabalhador brasileiro. Tamb√©m n√£o √© preciso lembrar que, para comemorar o 50¬ļ anivers√°rio de cria√ß√£o, ocorrido em 2003, a Petrobr√°s j√° desperdi√ßou centenas de milh√Ķes de reais em publicidade televisiva, para sua narcisista adora√ß√£o do pr√≥prio umbigo refletido nas √°guas onde b√≥iam suas plataformas, no Atl√Ęntico.

Brizola era tido como um bom frasista. Quando surgiu o Viagra, o macho dos pampas garganteou: Para ga√ļcho esse Viagra √© overdose!. Em 2002, ironiza o antigo afilhado pol√≠tico: Garotinho √© como uma bola, n√£o tem lado e √© oco por dentro. Sobre o PT, saiu-se com esta frase lapidar em 2000: O PT √© como uma galinha que cacareja para a esquerda, mas p√Ķe ovos para a direita. Quando o PT contratou um marqueteiro para Lula, em 2001, Brizola profetizou: O Lula, que veio para reformar, est√° sendo reformado. Ap√≥s fechar apoio a Lula contra Collor no segundo turno das elei√ß√Ķes presidenciais de 1989, o rico fazendeiro, com terras no Uruguai, destilou veneno contra a burguesia: N√£o seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, sapo barbudo? Nestes anos todos, entre tapas e beijos com o PT, j√° em 1990 Brizola mordia bonito: O PT √© a UDN de tamanco e macac√£o.


O que ser√° do PDT e do trabalhismo defendido por Brizola, de inspira√ß√£o getulista? H√° ainda nomes de express√£o no partido, como o do senador Jefferson Perez. S√≥ n√£o se sabe por quanto tempo Perez se manter√° fiel ao partido do √ļltimo maragato, se j√° n√£o est√° ‚Äúcosteando o alambrado‚ÄĚ antes de ‚Äúpular a cerca‚ÄĚ, no linguajar gauchesco de Brizola, como fizeram tantos pol√≠ticos, a exemplo de Saturnino Braga, Jamil Haddad, Marcello Alencar, C√©sar Maia e Miro Teixeira. Por√©m, longe vai o tempo em que o PDT era um partido de express√£o nacional, fazendo governadores como Jaime Lerner, no Paran√°, e Antony Garotinho, no Rio de Janeiro. Mais longe ainda ficou o tempo em que o centro do Rio de Janeiro era tomado diariamente por brizolistas, que vendiam camisas, fl√Ęmulas e chaveirinhos, cuja √°rea se chamava ‚ÄúBrizol√Ęndia‚ÄĚ, famosa cal√ßada da Cinel√Ęndia, cercada pelo Cine Odeon, Teatro Municipal, C√Ęmara Municipal e pela choperia O Amarelinho. ‚ÄúO herdeiro, de fato, do trabalhismo, ainda que n√£o se defina como tal, √© o PT. Esse fato se evidencia at√© no car√°ter nacional e popular do governo Lula, que alia a classe trabalhadora ao empresariado nacionalista e ao estamento militar‚ÄĚ (Moniz Bandeira, cientista pol√≠tico, in ‚ÄúPT herda o trabalhismo‚ÄĚ, Correio Braziliense, 27/06/2004, se√ß√£o ‚ÄúPol√≠tica‚ÄĚ, pg. 8).

H√° tr√™s anos, Jos√© Vicente Brizola, filho do √ļltimo maragato, havia rompido rela√ß√Ķes com o pai e se bandeado de guaiaca, cuia, poncho e bombacha para o PT. Deve ter-se arrependido muito, pois logo depois denunciou √† imprensa as falcatruas existentes dentro do Partido de Lula. Ao jornalista Pl√≠nio Fraga, da Folha de S. Paulo, durante o sepultamento do pai em S√£o Borja, ocorrido no dia 24 de junho de 2004, Jos√© Vicente disse que havia se reconciliado com o pai, apenas n√£o havia comunicado ainda o fato √† imprensa. Leonel Brizola foi enterrado no mausol√©u que j√° continha os restos mortais de Get√ļlio Vargas, Jo√£o Goulart e de sua mulher Neusa Brizola.

‚ÄúA √ļltima vontade do meu av√ī era te capar‚ÄĚ ‚Äď disse Leonel Neto, neto de Leonel Brizola, ao deputado Pompeo de Matos, acusado de assediar Juliana, neta de Brizola, quando Pompeu pediu para ‚Äúesquecer tudo isso‚ÄĚ (Cfr. Revista Veja n¬ļ 1861, pg. 40). Pelo visto, n√£o sobrou tempo para o maragato dos pampas puxar sua ‚Äúprateada‚ÄĚ da guaiaca e cumprir a amea√ßa.

Hoje, ao ouvirmos os imponentes acordes iniciais da ‚ÄúGrande Fantasia Triunfal com Varia√ß√Ķes sobre o Hino Nacional Brasileiro‚ÄĚ nas propagandas televisivas do PDT, logo nos vem √† mente a figura do ultranacionalista Leonel de Moura Brizola, o √ļltimo dos maragatos. Ironicamente, a bela m√ļsica da ‚ÄúFantasia‚ÄĚ foi escrita por um inspirado yankee (Louis Moreau Gottschalk), povo declarado por Brizola como sendo o inimigo n√ļmero um da humanidade.

Bibliografia:

1. ALVES, M√°rcio Moreira. ‚ÄúO Despertar da Revolu√ß√£o Brasileira‚ÄĚ. Seara Nova, Lisboa, 1974.
2. AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. ‚ÄúA Grande Mentira‚ÄĚ. Biblioteca do Ex√©rcito Editora, Rio de Janeiro, 2001.
3. GRAEL, Dickson Melges. ‚ÄúAventura, Corrup√ß√£o e Terrorismo ‚Äď √† sombra da impunidade‚ÄĚ. Editora Vozes, Petr√≥polis, RJ, 2¬™ edi√ß√£o, 1985.
4. MAIER, F√©lix. ‚ÄúNacionalismo e esquerdismo nas For√ßas Armadas‚ÄĚ. Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), 2003.
5. MEIRA PENNA, Jos√© Osvaldo de. ‚ÄúDec√™ncia J√°‚ÄĚ. Instituo Liberal e N√≥rdica, Rio de Janeiro, 1992.
6. PONTES, Ipojuca. ‚ÄúPoliticamente Corret√≠ssimos‚ÄĚ. Topbooks, Rio de Janeiro, 2003.
7. REVEL, Jean-Fran√ßois. ‚ÄúA Obsess√£o Antiamericana ‚Äď causas e inconseq√ľencias‚ÄĚ. UniverCidade, Rio de Janeiro, 2003.
8. TAVARES, Aur√©lio de Lyra. ‚ÄúO Brasil de Minha Gera√ß√£o ‚Äď Mais dois dec√™nios de lutas ‚Äď 1956/1976‚ÄĚ. Biblioteca do Ex√©rcito Editora, Rio de Janeiro, 1977.


Anexo: Pequeno gloss√°rio retirado de ‚ÄúArquivos I ‚Äď uma hist√≥ria da intoler√Ęncia‚ÄĚ, de F√©lix Maier ‚Äď www.usinadeletras.com.br:

CAMDE - A CAMDE foi criada pouco antes das elei√ß√Ķes de 1962, sob orienta√ß√£o de Leovigildo Balestieri (vig√°rio franciscano de Ipanema, Rio de Janeiro), Glycon de Paiva e o general Golbery do Couto e Silva. ‚ÄúEles convincentemente argumentavam que o Ex√©rcito fora minado pelo ‚Äėv√≠cio do legalismo‚Äô, que s√≥ mudaria se ‚Äėlegitimado‚Äô por alguma for√ßa civil, e que as mulheres da classe m√©dia e alta representavam o mais facilmente mobilizado e interessado grupo de civis‚ÄĚ (P. Schmitter, in ‚ÄúInterest, Conflict and Political Change in Brazil‚ÄĚ, Stanford, California University Press, 1971, pg. 447). A CAMDE era uma organiza√ß√£o feminina anticomunista, promoveu a ‚ÄúMarcha da Fam√≠lia com Deus pela Liberdade‚ÄĚ, no dia 19 de mar√ßo de 1964, em S√£o Paulo (19 de mar√ßo, Dia de S√£o Jos√©, Padroeiro da Fam√≠lia), reunindo 500.000 pessoas, protesto que exigia o fim da balb√ļrdia e da carestia durante o Governo Goulart, e que antecedeu √† revolu√ß√£o de 31 Mar 1964. No dia 2 de abril, a CAMDE reuniu 1 milh√£o de manifestantes no Rio de Janeiro para agradecer a interfer√™ncia dos militares nos destinos do pa√≠s, ocasi√£o em que Aur√©lia Molina Bastos encerrou seu discurso dizendo: ‚ÄúN√≥s louvamos, n√≥s bendizemos, n√≥s glorificamos a Deus e o soldado do Brasil‚ÄĚ.
As mulheres do CAMDE de Minas Gerais ofereceram a Castello Branco, ainda antes de sua elei√ß√£o, uma nova faixa presidencial, para que n√£o usasse a tradicional, ‚Äúj√° conspurcada pelos maus presidentes que o precederam‚ÄĚ (O Estado de S. Paulo, 12/04/1964). Outras organiza√ß√Ķes femininas e grupos cat√≥licos atuantes em 1964, al√©m da CAMDE, foram: Liga de Mulheres Democr√°ticas (LIMDE), (MG); Uni√£o C√≠vica Feminina (UCF), organizada em 1962 (SP); Campanha para Educa√ß√£o C√≠vica (CEC); Movimento de Arregimenta√ß√£o Feminina (MAF), teve in√≠cio em 1954, foi liderado por Antonieta Pellegrini, irm√£ de J√ļlio de Mesquita Filho, propriet√°rio de ‚ÄúO Estado de S. Paulo‚ÄĚ; Liga Independente para a Liberdade, dirigida por Maria Pacheco Chaves; Movimento Familiar Crist√£o (MFC); Confedera√ß√£o das Fam√≠lias Crist√£s (CFC); Liga Crist√£ contra o Comunismo; Cruzada do Ros√°rio em Fam√≠lia (CRF); Legi√£o de Defesa Social; Cruzada Democr√°tica Feminina do Recife (CDFR); A√ß√£o Democr√°tica Feminina (ADF), Porto Alegre, RS.

Foquismo - Teoria revolucion√°ria, em que a revolu√ß√£o seria iniciada em pequenos n√ļcleos (focos), para come√ßar a guerrilha rural, com objetivo de dominar a na√ß√£o. O foquismo foi sistematizado pelo revolucion√°rio comunista franc√™s Jules Debray, e defendida por Fidel Castro e Che Guevara. O PC do B tentou colocar em pr√°tica essa teoria na regi√£o do Araguaia. ‚ÄúO treinamento a brasileiros em Cuba continua at√© os dias atuais, embora somente no terreno pol√≠tico-ideol√≥gico, na Escola Superior Nico Lopez, do PC cubano, Escola Sindical L√°zaro Pe√Īa, Escola de Periodismo Jos√© Mart√≠, Escola da Federa√ß√£o de Mulheres Cubanas, Escola da Federa√ß√£o Democr√°tica Internacional de Mulheres e Escola Nacional Julio Antonio Mella, da Uni√£o da Juventude Comunista. Por essas escolas j√° passaram mais de 100 brasileiros. Todavia, o mais importante em tudo isso, √© que a ida de qualquer brasileiro para fazer cursos em Cuba depende do aval do Partido Comunista Cubano, ap√≥s entendimentos anteriores, de partido para partido. Atualmente, existem diversos brasileiros, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra v√™m recebendo, em Havana, treinamento em t√©cnicas agr√≠colas, e outros matriculados na Faculdade Latino-Americana de Ci√™ncias M√©dicas. O site do Partido dos Trabalhadores oferece vagas e publica as condi√ß√Ķes definidas por Cuba para matr√≠cula nessa Faculdade‚ÄĚ (Huascar Terra do Valle, in ‚ÄúHist√≥rias quase esquecidas‚ÄĚ, site M√≠dia Sem M√°scara, 10/2/2003). Veja OLAS.

IPES - O IPES passou a existir oficialmente no dia 29 de novembro de 1961 (J√Ęnio Quadros havia renunciado em agosto do mesmo ano). O lan√ßamento do IPES foi recebido favoravelmente por diversos √≥rg√£os da imprensa e contou com a aprova√ß√£o do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jayme de Barros C√Ęmara. Al√©m do Rio e de S√£o Paulo, o IPES rapidamente se expandiu at√© Porto Alegre, Santos, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus e outros centos menores.
O IPES foi formado pelo trabalho do empres√°rio de origem americana, Gilbert Huber Jr., do empres√°rio multinacional Ant√īnio Gallotti, dos empres√°rios Glycon de Paiva, Jos√© Garrido Torres, Augusto Trajano Azevedo Antunes, al√©m de servi√ßos especiais de oficiais da reserva, como o general Golbery do Couto e Silva. Sandra Cavalcanti era uma das mais famosas conferencistas do IPES. As sementes do IPES, assim como do IBAD e do Conselho Superior das Classes Produtoras (CONCLAP) haviam sido lan√ßadas no final do Governo JK, cujos excessos inflacion√°rios geraram descontentamento entre os membros das classes produtoras do pa√≠s, e durante a Presid√™ncia de J√Ęnio Quadros, em cujo zelo moralista eles depositaram grandes esperan√ßas.
O IPES produziu em torno de 8 filmes, para alertar os desmandos do Governo Goulart, como a amea√ßa comunista; os cineastas eram Jean Mazon e Carlos Niemeyer. Um escritor de peso do IPES foi Jos√© Rubem Fonseca, autor de ‚ÄúFeliz Ano Novo‚ÄĚ; segundo Fonseca, o ‚ÄúIPES buscava mobilizar a opini√£o p√ļblica no sentido do fortalecimento dos valores democr√°ticos‚ÄĚ (Cfr. AUGUSTO 2001). O IPES chegou a promover, mais tarde, Estudos de Problemas Brasileiros para os Governos Militares p√≥s-1964.
O IPES participou tamb√©m de opera√ß√Ķes internacionais, que ajudaram a derrubada de Salvador Allende, no Chile, e do general Juan Torres, na Bol√≠via (em Ago 1971, o general Hugo Banzer tomou o poder). Entidades cong√™neres do ‚ÄúComplexo IPES/IBAD‚ÄĚ: 1) M√©xico: Centro de Estudios Monetarios Latinoamericanos ‚Äď CEMLA; Centro Nacional de Estudios Sociales - CNES; Instituto de Investigaciones Sociales y Econ√≥micas ‚Äď IISE; 2) Guatemala: Centro de Estudios Econ√≥mico-Sociales ‚Äď CEES; 3) Col√īmbia: Centro de Estudios y Acci√≥n Social ‚Äď CEAS; 4) Equador: Centro de Estudios y Reformas Econ√≥mico-Sociales ‚Äď CERES; 5) Chile: Instituto Privado de Investigaciones Econ√≥mico-Sociales ‚Äď IPIES; 6) Brasil: Sociedade de Estudos Interamericanos ‚Äď SEI; Funda√ß√£o Alian√ßa para o Progresso; 7) Argentina: Foro de la Libre Empresa; Acci√≥n Coordinadora de las Instituciones Empresariales Libres. ‚ÄúEm 64, quando Castelo Branco organizou o Governo, a maioria dos cargos foi entregue a quem tinha ensinado ou feito cursinho no IPES. A come√ßar por Golbery e Roberto Campos‚ÄĚ (Sebasti√£o Nery, in ‚ÄúOs filhos de 64‚ÄĚ, Jornal Popular, Bel√©m, PA, 6 Out 1995).

Ligas Camponesas - As origens da organiza√ß√£o dos camponeses datam da d√©cada de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na d√©cada de 1950, em Galil√©ia, com a cria√ß√£o da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, Jos√© dos Prazeres, e depois com a forma√ß√£o de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas ‚Äď como eram chamadas pelos propriet√°rios de terras, devido √† sua origem da d√©cada de 1940. Francisco Juli√£o foi o principal l√≠der das Ligas, com atua√ß√£o, especialmente, em Pernambuco, do ent√£o Governador Miguel Arraes, onde as Ligas colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. No dia 27 Nov 1962, na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima, Peru, estava entre os passageiros o Presidente do Banco Central de Cuba, em cujo poder foram encontrados relat√≥rios de Carlos Franklin Paix√£o de Ara√ļjo, filho do advogado comunista Afr√Ęnio Ara√ļjo, o respons√°vel pela compra de armas para as Ligas Camponesas. Os relat√≥rios detalhavam os atrasos dos preparativos para a luta no campo, acusava Francisco Juli√£o e Clodomir Morais de corrup√ß√£o e malversa√ß√£o de recursos recebidos. Esses documentos chegaram √†s m√£os do Governador Carlos Lacerda, da Guanabara, que fez vigorosa campanha na imprensa, denunciando a interfer√™ncia cubana em nosso Pa√≠s. No Brasil, antes de 1964, Cuba financiou ainda as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de campos de treinamento de guerrilha. A revista Veja, de 24 Jan 2001, sob o t√≠tulo "Qu√© pasa compa√Īero?", faz uma an√°lise centrada na tese de doutorado da pesquisadora Denise Rollemberg, da UFRJ, a qual afirma que "o primeiro aux√≠lio de Fidel foi no Governo Jo√£o Goulart, por interm√©dio do apoio √†s Ligas Camponesas, lend√°rio movimento rural chefiado por Francisco Juli√£o. (...) O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, al√©m da compra de fazendas em Goi√°s, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de treinamento‚ÄĚ. Ap√≥s a Contra-revolu√ß√£o de 1964, as Ligas Camponesas, de inspira√ß√£o comunista, foram dissolvidas, e Juli√£o obteve asilo no M√©xico.

OLAS - Organizaci√≥n Latinoamericana de Solidaridad: no dia 16 Jan 1966, 1 dia ap√≥s o t√©rmino da Tricontinental, em Havana, Cuba, as 27 delega√ß√Ķes latino-americanas reuniram-se para a cria√ß√£o da OLAS, proposta por Salvador Allende. O terrorista brasileiro Carlos Marighella foi convidado oficial para a Confer√™ncia da OLAS em 1967. Ola, em espanhol, significa ‚Äúonda‚ÄĚ, seriam, pois, ondas, vagalh√Ķes de focos guerrilheiros espalhados por toda a Am√©rica Latina, como disse o pr√≥prio Fidel Castro: ‚ÄúFaremos um Vietn√£ em cada pa√≠s da Am√©rica Latina‚ÄĚ. Ap√≥s a Confer√™ncia, come√ßam a surgir movimentos guerrilheiros em v√°rios pa√≠ses da Am√©rica Latina, principalmente no Chile, Peru, Col√īmbia, Bol√≠via, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. A OLAS, substitu√≠da pela JCR, tem sua continuidade no Foro de S√£o Paulo (FSP) e no F√≥rum Social Mundial (FSM).

Pinar del R√≠o - Prov√≠ncia de Cuba, onde havia cursos para terroristas brasileiros nas d√©cadas de 1960 e 1970. O ‚Äúcurr√≠culo‚ÄĚ inclu√≠a: 1) T√°tica guerrilheira ‚Äď o observador, o mensageiro, a coluna guerrilheira, o acampamento, a marcha, sobreviv√™ncia na selva (montanhas de Escambray), o ataque, a emboscada; 2) Tiro ‚Äď limpeza e conserva√ß√£o do armamento, fuzis: AD, FAL, AK, Garand; metralhadoras: MG52, Uzi; bazuca, morteiro e canh√£o 152 mm; 3) Comunica√ß√Ķes; 4) Topografia ‚Äď leitura de mapas, uso de b√ļssola e do bin√≥culo, orienta√ß√£o; 5) Organiza√ß√£o do terreno ‚Äď constru√ß√£o de abrigos individuais e coletivos, espald√Ķes para metralhadoras e morteiros; 6) Higiene e primeiros socorros ‚Äď fraturas, hemorragias, imobiliza√ß√Ķes, transporte de feridos; 7) Pol√≠tica ‚Äď o comiss√°rio pol√≠tico, semanalmente, fazia uma palestra. No regresso, o terrorista brasileiro recebia de volta os documentos verdadeiros, nova documenta√ß√£o com nome falso, cerca de 1.500 d√≥lares, itiner√°rio at√© o Chile de Salvador Allende, antes de chegar ao Brasil. Quando preso, o terrorista era instru√≠do para utilizar algumas artimanhas, para ser levado ao hospital e, assim, prejudicar o interrogat√≥rio: 1) colocar fumo na √°gua e beb√™-la, provocando crise de v√īmitos; 2) usar uma dose m√≠nima de estriquinina para provocar convuls√Ķes; 3) ‚Äútentar‚ÄĚ o suic√≠dio; 4) simular grande descontrole nervoso; 6) bater com a cabe√ßa nas paredes.
Hoje, Pinar del Río se destaca pela produção de tabaco, matéria-prima dos charutos cubanos de prestígio internacional, como o Cohiba esplendido (R$ 180,00 a unidade) que Lula da Silva gosta de saborear em 18 cm do mais puro prazer.

Tricontinental - Criada durante a OSPAAAL, que se realizou em Havana, Cuba, de 3 a 15 Jan 1966 ‚Äď juntamente com o XXIII Congresso do PCUS. (Em 1965, em Gana, ficou decidido que a OSPAA realizaria seu pr√≥ximo encontro em Cuba, no ano seguinte, para integrar tamb√©m a Am√©rica Latina ‚Äď da√≠ OSPAAAL). ‚ÄúConsiste no princ√≠pio de que a coexist√™ncia pac√≠fica n√£o se pode estender √†s chamadas ‚Äėguerras de liberta√ß√£o nacional‚Äô, isto √©, √†s guerras ‚Äėentre oprimidos e opressores, entre os povos coloniais explorados e seus exploradores colonialistas e imperialistas‚Äô ‚ÄĚ (Meira Penna, in ‚ÄúPol√≠tica Externa‚ÄĚ, pg. 133). √Ä Tricontinental compareceram representantes de 82 pa√≠ses, dos quais 27 latino-americanos. A delega√ß√£o brasileira foi composta por Alu√≠sio Palhano e Excelso Rideau Barcelos (indicados por Brizola), Ivan Ribeiro e Jos√© Bastos (do PCB), Vin√≠cius Caldeira Brandt (da AP) e F√©lix Ata√≠de da Silva, ex-assessor de Miguel Arraes, na √©poca residindo em Cuba. A t√īnica do encontro foi a defesa da luta armada. No encerramento, Fidel Castro afirmou que a ‚Äúluta revolucion√°ria deve estender-se a todos os pa√≠ses latino-americanos‚ÄĚ. A Tricontinental foi a estrat√©gia que desencadeou a Guerra do Vietn√£ e guerras civis como em Angola e Mo√ßambique, e os grupos terroristas que surgiram na Am√©rica Latina a partir de 1967/68, especialmente no Brasil, Argentina e Chile. No campo cultural, a Declara√ß√£o da Tricontinental recomendava a ‚Äúpublica√ß√£o de obras cl√°ssicas e modernas, a fim de romper o monop√≥lio cultural da chamada civiliza√ß√£o ocidental crist√£, cuja derrocada deve ser o objetivo de todas as organiza√ß√Ķes envolvidas nessa verdadeira guerra‚ÄĚ. Nesse encontro, o Senador Salvador Allende (futuro Presidente do Chile) faria uma proposta aprovada por unanimidade pelas 27 delega√ß√Ķes: a cria√ß√£o da OLAS. Assim, no dia 16 Jan 1966, um dia ap√≥s o t√©rmino da Tricontinental, as 27 delega√ß√Ķes latino-americanas reuniram-se para a cria√ß√£o da OLAS, que passou a ser dirigida pelo Comit√™ de Organiza√ß√£o, constitu√≠do de representantes de Cuba, Brasil, Col√īmbia, Peru, Uruguai, Venezuela, Guatemala, Guiana e M√©xico. A Secretaria-geral foi entregue √† cubana Haydee Santamaria, e o representante brasileiro era Alu√≠sio Palhano.

ULTAB - União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil: fundada em 1957 pelo PCB, teve suas principais bases em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Porém, obteve seu maior sucesso em Goiás, onde o movimento tomou as cidades de Trombas e Formoso, e só foi desmobilizado em 1964 pelos militares.

(*) O autor √© ensa√≠sta e militar da reserva. Articulista de M√≠dia Sem M√°scara, publicou ‚ÄúEgito ‚Äď uma viagem ao ber√ßo de nossa civiliza√ß√£o‚ÄĚ, Thesaurus, Bras√≠lia, 1995. Ele √© Natural de Luzerna, SC (antigo Distrito de Joa√ßaba), F√©lix Maier √© militar da reserva e ensa√≠sta. Autor do livro "Egito - uma viagem ao ber√ßo de nossa civiliza√ß√£o", Thesaurus, Bras√≠lia, 1995, escreve para Usina de Letras, Usina das Palavras, Dom√≠nio Cultural, Texto Livre, Recanto das Letras, Ternuma, Resist√™ncia Militar e √© tamb√©m articulista de M√≠dia Sem M√°scara (
http://www.midiasemmascara.org).

 
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Leandro Narloch

Os intelectuais de esquerda que escrevem a história brasileira têm mais um livro para se incomodar: o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, do jornalista Leandro Narloch.
Lancei recentemente pela editora Leya o livro Guia Politicamente Incorreto da Hist√≥ria do Brasil, uma reuni√£o informa√ß√Ķes esquecidas e epis√≥dios irritantes e desagrad√°veis a quem se considera v√≠timas de "grandes pot√™ncias", "exploradores" e "imperialistas". Deixo para os leitores do MSM alguns exemplos.
 
Zumbi tinha escravos
Nos anos 70, os historiadores marxistas projetaram no Quilombo de Palmares tudo o que imaginavam de sagrado para uma sociedade comunista: igualdade, rela√ß√Ķes de trabalho pac√≠ficas e comida para todos. Sabe-se hoje que o quilombo do s√©culo 17 estava mais para um reino africano daquela √©poca que para uma sociedade de moldes que surgiram mais de um s√©culo depois. Zumbi provavelmente descendia de imbangalas, os "senhores da guerra" da √Āfrica Centro-Ocidental. Guerreiros temidos, eles habitavam vilarejos fortificados, de onde partiam para saques e sequestros dos camponeses de regi√Ķes pr√≥ximas. Durante o ataque a comunidades vizinhas, recrutavam garotos, que depois transformariam em guerreiros, e adultos para trocar por ferramentas e armas. Esse modo de vida √© bem parecido ao descrito por quem conheceu o Quilombo dos Palmares. "Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encal√ßo e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor", afirma o capit√£o holand√™s Jo√£o Blaer.
 

Décio Freitas inventou dados sobre Zumbi
 
Os historiadores marxistas que engrandeceram Zumbi tinham um problema: n√£o h√° sequer um documento dando detalhes da personalidade ou da biografia do l√≠der negro. Para resolver esse obst√°culo, D√©cio Freitas mentiu sem culpa. No livro Palmares: A Guerra dos Escravos, D√©cio afirma ter encontrado cartas mostrando que o her√≥i cresceu num convento de Alagoas, onde recebeu o nome de Francisco e aprendeu a falar latim e portugu√™s. Aos 15 anos, atendendo ao chamado do seu povo, teria partido para o quilombo. As cartas sobre a inf√Ęncia de Zumbi teriam sido enviadas pelo padre Ant√īnio Melo, da vila alagoana de Porto Calvo, para um padre de Portugal, onde D√©cio as teria encontrado. Ele nunca mostrou as mensagens para os historiadores que insistiram em ver o material. A mesma suspeita recai sobre outro livro seu, O Maior Crime da Terra. O historiador ga√ļcho Claudio Pereira Elmir procurou por cinco anos algum vest√≠gio dos registros policiais que D√©cio cita. N√£o encontrou nenhum.
 

Quem mais matou índios foram os índios
 
Nas bandeiras ao interior do Brasil, geralmente apontadas como a maior causa de morte da popula√ß√£o ind√≠gena depois das epidemias, havia no m√≠nimo duas vezes mais √≠ndios - normalmente dez vezes mais. Sobre a mais mort√≠fera delas, a que o bandeirante Raposo Tavares empreendeu at√© as aldeias jesu√≠ticas de Gua√≠ra, os relatos apontam para uma bandeira formada por 900 paulistas e 2 mil √≠ndios tupis. "No entanto, nestas vers√Ķes, o total de paulistas parece exagerado, uma vez que √© poss√≠vel identificar apenas 119 participantes em outras fontes", escreveu o historiador John Manuel Monteiro no livro Negros da Terra. Cogita-se at√© que o modelo militar das bandeiras seja resultado mais da influ√™ncia ind√≠gena que europeia. "√Č dif√≠cil evitar a impress√£o, por exemplo, de que as bandeiras representavam uma predile√ß√£o tupi por aventuras militares", afirma o historiador Warren Dean.
 

Os portugueses ensinaram os índios a preservar a floresta
 
Apesar de muitos l√≠deres ind√≠genas de hoje afirmarem que o "homem branco" destruiu a floresta enquanto eles tentavam proteg√™-la, esse discurso politicamente correto n√£o nasceu com eles. Nasceu com os europeus logo nas primeiras d√©cadas ap√≥s a conquista. Os portugueses criaram leis ambientais para o territ√≥rio brasileiro j√° no s√©culo 16. As ordena√ß√Ķes do rei Manuel I (1469-1521) proibiam o corte de √°rvores frut√≠feras em Portugal e em todas as col√īnias. No Brasil, essa lei protegeu centenas de esp√©cies nativas. Em 1605, o Regimento do Pau-Brasil estabeleceu puni√ß√Ķes para os madeireiros que derrubassem mais √°rvores do que o previsto na licen√ßa. Conforme a quantidade de madeira cortada ilegalmente, o explorador poderia ser condenado √† pena de morte.
 
 

Jo√£o Goulart favorecia empreiteiras
 
A informa√ß√£o vem do pr√≥prio Samuel Wainer, no livro Minha Raz√£o de Viver. De acordo com o jornalista, ent√£o diretor do √öltima Hora e um dos principais aliados do presidente, o esquema da √©poca era aquele famoso tipo de corrup√ß√£o que hoje motiva esc√Ęndalos. "Quando se anunciava alguma obra p√ļblica, o que valia n√£o era a concorr√™ncia - todas as concorr√™ncias vinham com cartas marcadas, funcionavam como mera fachada", escreveu Wainer. O que tinha valor era a combina√ß√£o feita entre homens do governo e das empresas por tr√°s das cortinas. "Naturalmente, as empresas beneficiadas retribu√≠am com generosas doa√ß√Ķes, sempre clandestinas, √† boa vontade do governo."
 
 
 

Os guerrilheiros comunistas n√£o lutavam por liberdade
 
De dezoito estatutos e documentos escritos por organiza√ß√Ķes de luta armada nos anos 1960 e 1970, catorze descrevem o objetivo de criar um sistema de partido √ļnico e erguer uma ditadura similar aos regimes comunistas que existiam na China e em Cuba. A A√ß√£o Popular, por exemplo, defendia com todas as letras "substituir a ditadura da burguesia pela ditadura do proletariado".
 
 
 
Leandro Narloch é jornalista.
 
  1. ----- Original Message -----
    From: Ronald Barata Barata
    To: fer...@yahoo.com.br
    Sent: Friday, June 10, 2011 12:00 AM
    Subject: bombeiros/rj


    NO PROXIMO DOMINGO HAVER√Ā PASSEATA EM SOLIDARIEDADE AOS BOMBEIROS. SER√Ā EM COPACABANA √ÄS DEZ HORAS. O MOVIMENTO DE RESISTENCIA LEONEL BRIZOLA CONCENTRAR√Ā √ÄS DEZ HORAS NA AV. ATL√āNTICA COM AV.PRINCESA ISABEL.
    CONCLAMAMOS A TODOS OS MORADORES DO RIO DE JANEIRO A COMPARECEREM.
    ABAIXO, TEXTO DO PANFLETO QUE SER√Ā DISTRIBUIDO:
    MOVIMENTO DE RESISTENCIA LEONEL BRIZOLA
    Diante da justa campanha dos trabalhadores que zelam pelas nossas vidas e pelo patrim√īnio p√ļblico e privado, os bombeiros,
    O MRLB MANIFESTA:
    a)      A origem da crise √© a errada militariza√ß√£o dos bombeiros que visa exclusivamente a manter o conjunto de trabalhadores permanentemente mobilizados, sempre √† disposi√ß√£o, sem lhes conceder os direitos trabalhistas inerentes √† periculosidade das tarefas e sal√°rios compat√≠veis com a import√Ęncia e a nobreza da fun√ß√£o. √Č uma categoria p√ļblica especial e, como tal, tem que ser tratada.
    b)       Os respons√°veis pela atual situa√ß√£o s√£o, exclusivamente, os governantes, especialmente o governador Sergio Cabral, autorit√°rios e insens√≠veis para com a justeza das reivindica√ß√Ķes da laboriosa e altru√≠sta categoria profissional. O Rio de Janeiro √© o segundo estado com maior arrecada√ß√£o e paga a esses profissionais o pior sal√°rio do pa√≠s.  
    c)      N√£o h√° exagero em a sociedade reconhecer nesses valorosos guardi√£es, os her√≥is que realmente s√£o. E, como tal, sofrem incompreens√Ķes de governantes insens√≠veis e incompetentes, como sofreram todos os her√≥is brasileiros, seja Tiradentes, Zumbi, Frei Caneca, o Cavaleiro da Esperan√ßa, Brizola ou Chico Mendes. Os bravos bombeiros, com firmeza e generosidade  est√£o escrevendo mais uma bonita p√°gina da nossa hist√≥ria;
    d)      √Č profundamente injusto qualificar esses valorosos  homens e aguerridas mulheres como v√Ęndalos. V√Ęndalo √© quem rapina, h√° d√©cadas, o patrim√īnio p√ļblico. V√Ęndalo √© quem comandou a aprova√ß√£o de lei que autorizou a privatiza√ß√£o (liquida√ß√£o) do patrim√īnio estatal estadual. V√Ęndalo √© quem, sob a capa de combater a criminalidade, autoriza uma informal pena de morte que j√° causou a morte de milhares de crian√ßas, mulheres e muitos inocentes; v√Ęndalo √© quem se torna constante viajor utilizando dinheiros p√ļblicos, enquanto sucateia a sa√ļde e a educa√ß√£o; v√Ęndalo √© quem quer acabar com a mis√©ria matando os miser√°veis:
    e)      Al√©m de amargarem a trucul√™ncia do BOPE, centenas de bombeiros est√£o injustamente presos. Suas reivindica√ß√Ķes,  ao inv√©s de encontrarem interlocutor para negociar, encontram repress√£o, relembrando a lament√°vel conduta durante a Rep√ļblica Velha e na ditadura civil militar de 1964;
    f)       O MRLB conclama a popula√ß√£o a apoiar a imediata liberta√ß√£o dos bombeiros injustamente presos. Se ainda houver um pingo de bom senso e sentimento de humanidade em nossos governantes, os bombeiros presos ser√£o imediatamente libertados, conforme exige a sociedade civil e se instalar√° uma negocia√ß√£o s√©ria.

    EM JUNHO DE 2011
    MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA

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